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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


21.06.15

Tenho medo de me sentar na esplanada


Junto ao mar,


Tenho medo de me apaixonar,


Pelo mar,


Pela madrugada vestida de mar,


Tenho medo dos sorrisos


E do luar,


Da noite,


Do dia vestido de noite,


Medo,


Medo de caminhar sobre as ervas daninhas e belas,


Medo das ervas menos belas,


E das estrelas


Em forma de velas,


Os barcos cruzam-se nas minhas veias,


Não têm marinheiros,


Mulheres a bordo,


Imagens de cadáveres espelhados


Na sombra da tarde,


Preparo-me,


Sem saber do que tenho medo,


Mas tenho medo do teu olhar…


Vestido de saudade.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 21 de Junho de 2015


10.02.15

Desenho_A1_13.jpg


(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


 


E voas sobre os telhados de vidro


desassossegas-te quando acorda a noite


e percebes que a tarde morreu junto ao mar


inquietas-te


constróis sorrisos fingidos


que só a madrugada compreende


e nunca tens medo de cerrar os olhos


e nunca tens medo das estrelas...


em papel


que eu te deixava sobre a mesa-de-cabeceira...


e voas


como as andorinhas travestidas de silêncio...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2015


 


10.12.14

Sou um estranho teclado


dentro do teu peito,


sou a manhã na boca da insónia...


e perco-me nas tuas mãos


como um pássaro em sofrimento,


surpreendo-me com o teu olhar entranhado na escuridão,


pareces um cortinado invisível,


uma espingarda de papel...


 


sou um estranho teclado


dentro do teu peito,


sou os rochedos incinerados


que escondem as tuas palavras,


e nunca tenho tempo para abrir a janela


do teu coração,


sou um emaranhado de estrelas


sem passado nem canseiras,


 


Sou um estranho...


… no teu peito,


visto-em de negro


e confundem-me com a noite,


sou o silêncio dos teus cabelos


e a cartilha dos teus medos...


sou a clarabóia do teu sorriso


quando lá fora...


 


gritam o meu nome em vão,


e eu, e eu nunca tive um nome,


uma pátria,


uma bandeira,


 


nem... nem paixão...


 


gritam o meu nome em vão,


e o teclado estranho


que habita no teu peito...


chora... chora como a bala de um canhão.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014


05.11.14

O vigilante nocturno olha-me e alicerça-se aos meus braços,


sinto-lhe o esqueleto enferrujado a caminhar no meu peito,


ofegante,


alimenta-se dos meus velhos ossos com odor a madrugada sem luar,


peço-lhe um desejo...


e... e nada posso desejar,


o vigilante nocturno é como uma âncora de luz sobre as minhas pálpebras envergonhadas,


que as flores seduz...


e aos jardins oferece poemas,


e... e palavras de amar,


o amor enfurece as árvores sem folhas,


nuas como as gaivotas ao entardecer...


 


Depois acorda o silêncio vestido de cidade,


e eu sem saber o que fazer,


os comboios saltitam dentro dos carris desalinhados,


os comboios parecem corpos a arder...


há cinzas laminadas de sangue no sonífero poético,


alucinações desorganizadas em grande multidão,


uns que choram,


e outros... e outros que choram por prazer,


e sem perceberem...


há uma placa de zinco onde habita uma ponte,


nunca conheci o seu nome,


nunca vi um sorriso nas suas treliças,


 


Têm fome as estrelas de papel que brincam no tecto da minha aldeia,


lêem pedaços de nada e alguns cubos de sombra,


escrevem na incandescente memória o álcool sobejante da noite passada...


ressuscitam os outros vigilantes e demais arruaceiros sem gabardina,


e o meu corpo de aço... tomba sobre o ombro de um transeunte desconhecido,


a cidade é uma seara sem espigueiros,


desalojadas enxadas em luta conta a pobreza...


têm fome as estrelas e os planetas,


mendigos travestis correndo montanha abaixo,


e suicidam-se nos rochedos da infância...


triste, triste esta vontade de escrever...


sabendo que nem às pedras pertenço!


 


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014


11.04.14

Viajo pelos cinzeiros envenenados das manhãs de Primavera,


sinto a sombra deles impregnada na minha janela,


oiço-os e vejo-os nas palmeiras do quintal contíguo ao meu,


a manhã levanta-se e começa a cambalear nas tuas mãos de desejo adormecido,


viajo e sei que existem pálpebras encharcadas na neblina inventada,


à lápide o teu retrato, à lápide... o teu nome reescrito e escrito pelas estrelas da saudade,


sou um cadáver imaginário que habita na loucura,


corredores sem portas,


e tectos...


tectos descendo até não poderem mais,


cansados,


tão cansados que pedem licença ao rodapé...


 


(por favor... ajudem-nos)


 


e o rodapé de livro na mão...


 


(quero lá saber... do pavimento não passarão)


 


viajo dentro dos teus fluidos depois de te levantares do meu corpo,


sei que está um crucifixo a observar-nos... mas nada nos diz,


e apenas nos olha,


olha-nos como se fossemos dois pedaços de madeira em combustão.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 11 de Março de 2014


06.04.14

Inventava estórias para eu adormecer,


dizia-me que todas as estrelas tinham mãos, que todas as estrelas tinham... coração, amor, e... e paixão,


acordava cedo,


sussurrava-me palavras inaudíveis, palavras frágeis, palavras sem rosto,


nuas palavras em corpos vestidos de papel,


inventava estórias com sabor a chocolate,


e ouvia o som melódico da voz invisível,


tinha medo do mar,


e hoje, hoje... amo-o, amo-o como se ele pertencesse à minha vida,


corresse nas minhas tristes veias, nas minhas... tristes palavras,


e eu menino, acreditava nas suas estórias...


nas palavras de estórias que vagueavam sobre os telhados da cidade imaginária.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 6 de Março de 2014


11.10.13



foto de: A&M ART and Photos


 


és construção fictícia


és palavra engasgada na frase da alegria


és foguetão rumo ao luar de Inverno


és o inferno


a saudade


és a infância


a vaidade


és uma canção mergulhada na maré


és o amor


a fé


a saudade


és a infância


a verdade


és a madrugada quando se extinguem as luzes do silêncio


és a calçada com pulmões de naftalina


carvão


és menina


és a paixão...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 11 de Outubro de 2013



02.09.12

atravessávamos o espelho do amor


e com a tua mão entrelaçada na minha


viajávamos como crianças loucas


em direcção aos pontos de luz


 


brincávamos com os teus cabelos suspensos no topo das estrelas


e um silêncio lânguido crescia no coração de uma flor


vivíamos dentro de uma seara sem fronteiras


e éramos livres como os pássaros pintados no mural do esquecimento


 


os rios emagreciam


choravam


 


e longas filas de mel


adormeciam nas janelas da noite


os rios emagreciam


como emagrecem os meus sonhos


 


(e tenho a certeza que nunca irei abraçar-te).


29.08.12

Friamente habitar no teu corpo


ardente


quando tropeço no mar


absorto


morto


sem vontade de acordar


 


friamente os sorrisos da alvorada


como cinco gaivotas envenenadas pelos silêncios da noite


amadas sobre o divã invisível poisado no pavimento sem esquinas de luz


nos corredores da morte


 


friamente o Tejo me engole quando mergulho dentro dos lençóis da solidão


um barco é impossível


nas coxas de um cacilheiro em direcção ao Seixal


e entra em mim o cheiro suficiente para me fazer sonhar


há a possibilidade de eu acordar no solo lunar da margem Sul


sentado numa pedra a imaginar palavras nas ardósias do infinito


 


serei feliz assim?


 


Metade de mim xisto


e a outra metade


pequenos grãos de pólen


nos desejos das abelhas


 


serei amado?


 


Quando todas as portas se encerram friamente


no sono das estrelas preguiçosas


alegremente


 


assim?


 


Serei?


 


Quando tropeço no mar


e de uma rosa de papel


um beijo acorda


abraçado a fios de nylon...


 


(poema não revisto)


26.08.12

Pelo poema, pelas palavras... embrulhados na música, o amor, o amor desce do céu ilimitado, o teu céu abraçado ao meu mar...


E eu imagino um veleiro sem velas galgando os socalcos do douro, e imagino o teu corpo iluminado de sonhos e os sonhos vestidos de beijos, e os beijos, e os beijos nos meus lábios à espera da tua boca e a tua boca, e a tua boca adormecida no meu peito à espera que o céu se apague, e a noite, e da noite desça a tua mão embrulhada em estrelas de papel...


 


(Obrigado Pedro)

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