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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


29.11.19

A fome de pensar.


O sorriso loucamente apaixonado pelo silêncio.


Os cigarros embriagados,


Loucos,


Descendo as escadas da doença.


A liberdade.


Quando se apaga a madrugada em ti.


Canso-me das palavras de escrever,


Dos sonhos,


E dos livros de morrer.


A insónia deitada na cadeira da preguiça.


As camufladas lâmpadas de néon suspensas nos teus seios de alumínio…


Quando lá fora, a tempestade de desejos, dorme nos meus braços.


A fome de correr.


Saltar.


Brincar…


Na tua boca de sofrer.


A fome de vencer.


O medo de morrer…


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


29/11/2019


05.05.19

A sombra dos teus lábios,


Suspensa no silêncio da noite.


Desenho a madrugada,


No teu corpo de escrever,


Escrevo palavras,


Silêncios de sofrer.


Em cio todos os pássaros,


Todas as abelhas,


No telhado da aldeia,


A sombra dos teus lábios,


Brincando na eira,


Escrevo palavras,


Parvas,


No teu corpo alvorada,


Desisto,


A melancolia,


Um dia,


Morta na calçada.


A sombra dos teus lábios,


Que a noite vê crescer,


É luar,


É mar,


É poema de sofrer…


A sombra dos teus lábios,


Os pinceis da revolta,


O jardim envergonhado,


Sem escolta,


Descendo a calçada,


O sem-abrigo desgraçado,


De livro na mão…


Deita-se no chão,


Dorme tranquilamente como uma pomba…


Engana a fome com o poema,


Bebe todas as sílabas do poema…


E morre.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


5/05/2019


01.04.19

Tenho palavras na algibeira,


São tantas,


Que parecem os peixes voando debaixo do mar,


Por medo,


Por vergonha,


Estas palavras, as minhas palavras,


Nunca chegarão a ti,


Como a chuva invisível,


Que cai sobre o teu cabelo,


E, ele, sempre seco,


Esbelto como as estrelas.


Estas palavras adivinham, morte,


Tempestades,


E tormentas…


Que só o meu veleiro sabe desbravar,


Como uma floresta doente,


Como os pássaros, também eles, recheados de palavras…


Mas…


São palavras que nunca te vou escrever,


Podia dizer-te que és um amor,


Um bombom,


Ou o luar quando a noite se vai banhar no Oceano…


 


Tenho palavras na algibeira…


Que não me servem de nada,


De palavras está a cidade infestada,


Como ratos,


Sem-abrigo,


Ou eu, um falido comerciante de palavras.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


01/04/2019


29.03.19

Não posso, desisto.


Não posso, finjo, caminhar em tua direcção,


Descalço,


Não posso,


Fingir que te amo.


Se te amasse, amava-te,


Se te escreve, escrevia-te,


Mas, não, não posso,


Fingir,


Escrever,


Se pudesse, lia-te, todas as palavras começadas por A…


Não posso,


Fingir,


Que te lia todas as palavras começadas por A.


Amar.


Começar,


Caminhar,


Não posso.


Fingir.


Que sou o mar.


Lanço no poço da saudade o beijo desenhado,


Na alvorada,


Na eira,


O beijo embalsamado,


Fingido,


Doente,


Caminhando, caminhar,


O fogo do prazer,


Quando o teu corpo adormece,


Arde,


Tudo arde,


Mesmo o entardecer.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


29/03/2019


22.07.17

Regressa a noite e não quero abrir os olhos,


Prefiro adormecer junto à lareira apagada,


Porque acesa já ela está,


O cansado iluminado,


Sentado,


Lê…


Escreve em ti o que lê…


E não tem pressa de partir,


Porque a partida é tristeza…


Desenhada nas paredes do meu quarto,


Regressa a noite,


Regressa o vento…


E o iluminado,


Cansado,


Foge em direcção ao mar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 22 de Julho de 2017


30.06.17

Que sobre o amor nada tenho a dizer,
Saboreio a vida com prazer,
Todos os dias ao acordar,
Danço, escrevo e consigo navegar
Nos teus braços de manteiga,
Aceito,
Amo,
Percorro caminhos obscuros da maternidade…
Tenho em mim a saudade,
Da verdade,
Da sabedoria de nada saber…
A não ser…
Que a morte existe,
Persiste…
Persiste em me atormentar,
Navego no teu colo nascer do sol,
Quando o tempo se esquece de mim,
Tenho o teu jardim,
Desenhado,
Desenhado num caderninho…
Num caderninho dentro de mim,
Que sobre o amor nada tenho a escrever,
A não ser,
Viver.


Francisco Luís Fontinha


18.05.16

O cansaço absorve-me entre parêntesis de silêncio


E vírgulas de tristeza,


Por mais que eu queira…


Não consigo colocar o ponto final na escuridão nocturna,


Olho-te e vejo-te disfarçada de ponto de exclamação…


Ponto e vírgula quando acorda o dia,


E lá longe, muito longe daqui… oiço os apitos do ponto de interrogação,


Confundo-me com as palavras,


Disfarço e dou por terminado o texto…


Ponto final,


Paragrafo,


E o dia enrola-se na melancolia da saudade.


 


Francisco Luís Fontinha


quarta-feira, 18 de Maio de 2016


21.04.15

Nossas palavras


Voando nas linhas curvilíneas do abismo


Sabes meu amor?


Sinto-me sem esperança


Vontade de acreditar


Não


Meu amor


Deixei de acreditar


Sinto-me um afluente


Em busca do silêncio


Sinto-me a montanha


Acorrentada ao amanhecer


Sou uma árvore caduca


Sem saber o verdadeiro preço da paixão


Não


A paixão não se vende


Transacciona


Ou colecciona


Não é facturada


Com IVA


Sem IVA


A paixão se sente


Quando acorda o dia


Visto as calças do avesso


Troco a camisa pelo pijama


E durmo


Sabendo que nos teus lábios


Habitam narcisos


Orquídeas


E sombras


A paixão é como a tempestade


Liberta-se do corpo


Voa


Voa nos finíssimos fios da saudade


Não penso


Nas tuas palavras indigestas


Traiçoeiras


Circunferências de tristeza


Que apenas o teu corpo conhece


Ama


E sente


Todas as noites


Tinham inventado as cartas de amor


Desenhavas tão mal


Meu amor


Os corações pareciam rochas embriagadas


E as setinhas…


Uma serpente venenosa


Enrolada


Nos Sábados sem nada fazer


Sabes


Meu amor


Não existe amor nenhum


Invento-te para esquecer a solidão


E as noites em frente ao espelho


A… a pedir perdão


Perdão porque errei


Sempre erro


Sempre


É o meu destino


Amar


As folhas de papel pinceladas pelos teus cabelos


Escrever no teu perfume


“Esqueci-te”


Nem os teus ossos


Existem dentro dos nossos livros


Folheio-os em buca da tua sombra


Uma personagem minha


“A Silvina”


Que por acaso era a minha avó…


Meu filho


Um dia


“Esqueci-te”


Nem os teus ossos


Nem os teus carinhos


Nada


Meu amor


Nada voando nas campestres avenidas do sexo


Hoje


Hoje sinto-me “o maior filho da puta do mundo”


Um dia


Sem ti


Meu amor


E repentinamente


Escrevo meu amor


E no computador aparece…


Mar…


Coisa estranha


Meu amor


Já devia estar embrulhado em mim


E não


Eu aqui a escrever parvoíces


O amor


Como se eu fosse Doutorado em “O Amor”


Nada


Doutorado não sou


Licenciado sou quase


Mas tu


Meu amor


És a poesia vibrante das tendas de circo


O sexo na ardósia do sexo


Dois homens beijam-se


Meu amor


Como o Tejo se beija


A cada regresso


Olhei-te


Corrias de livro na mão


E eu


Eu tive a sorte de encontrar uma das personagens


Não


Não era a minha avó


Era a “Deusa das Crenças Perdidas”


Ouvir-te sem sentido


Nenhum


Esta triste noite


Sinto-me triste


Meu amor


Esta semana


Parece um túnel sem fim


Nada


Não aconteceu nada


Mas…


Mas adivinho qualquer coisa


Ou o regresso de um grande amor…


… Ou a partida de um grande amado…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 21 de Abril de 2015


05.04.15

Desce a noite pelos teus ombros de silício


Percebo na tua voz


O silêncio poema da paixão


O falso livro


Embrulhando-se nos teus seios


Em prata


A sombra


O prateado fugitivo


Descansando o olhar numa livraria


Livros


AL Berto


Lobo Antunes


 


Saramago


Pacheco


Livros


Estórias


Cesariny


A sombra


Lapidando o teu corpo


Oceano de palavras


Mergulhadas no teu púbis


A madrugada


Livros


Perdidos


 


E achados


O amor


Meu amor


O significado verdadeiro da saudade


Nos dardos envenenados da solidão


A fala


Não


A sanzala mergulhada em lágrimas de cartão


O vento trazendo as coxas do capim


Oiço-a enquanto durmo


Os seios minúsculos


Masturbados na poesia nocturna da alegria


 


A noite


Não


A fala


Os lábios incinerados na lareira do prazer


O suor alicerçado à tua pele


A húmida vagina em imagens tridimensionais


O PET


O maldito PET


O juízo


A mentira


A insónia


Novamente


 


Triste



As ruas do teu sofrimento


A lotaria da vida


Morres


Não morres


Vives


Em mim


Meu amor


Vives nas minhas veias semeadas de tempestade


A saudade


Novamente


 


No meu corpo


O pénis encarcerado numa estrofe


O enjoo da solidão


Quando à nossa volta gravitam


Sombras…!


A penumbra tarde de Novembro


Nas janelas do Hotel da Torre


Belém


A vagina procurando cacilheiros de luz


Um cigarro


Dentro de mim


Aso beijos


 


E eu sabia que a carta


Sem destino


Morreu


O amor das sílabas encarnadas…


Travestis amigos numa mesa


A vertigem do amanhecer


Acariciando pássaros e cavernas de medo


Não tenho morada


Cidade


Casa


Rua…


Mas tenho um poema para ti meu amor.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 5 de Abril de 2015


28.03.15

Não entendo os teus cabelos em cerâmica doirada


Como as andorinhas desnorteadas


Entre árvores


Entre filamentos de saudade


Sobre a cidade


Dos sonhos


Acordar


O espelho da vida


Em liberdade condicional


Espera


Caminha


A pedra ensanguentada


Das ruelas em flor


O ruído ensurdecedor dos morangos


E das plásticas cabeças de alfinete


O fato prisioneiro no guarda-fatos


O meu esqueleto


Dentro do fato


Os sapatos


As meias


E todo o resto


Em chamas junto ao rio


Não entendo o perfume dos teus lábios


O sorriso que se alicerça em ti


E me sufoca


Quando acorda a noite


E a noite me transporta


Para a carta sem remetente


Oiço-te


E não percebo porque brilham os teus cabelos


Dentro do cubo de gelo


Da paixão


Em aventuras


Entre árvores


Entre filamentos de saudade


Saudade…


Dos sítios obscuros com pulseiras de vidro


Cacos


Sílabas


Na seara do cansaço


Atrevo-me a olhar a lua


E não querendo ofender ninguém…


A lua suicida-me contra os pigmentos do prazer


Não sei


Como poderia eu saber


Se as candeias se extinguiram nas marés de prata


Os sonhos


Os sonhos acorrentados ao silêncio


O medo de amar


Não amando


E comer


Todas as pétalas da rosa embalsamada


Tão triste


Eu


Neste cubículo de lata


Sem janelas


Sem… sem nada


Como uma simples folha de papel


Desesperada


Sobre a secretária


Eu mato-a com a caneta


Escrevo palavras


Palavras


Que só o mar consegue entender


E… escrever


Nos meus braços


Dentro de mim há buracos negros


E as equações da relatividade


Sós


Entranhando-se no camafeu alicerce do sofrimento


Como eu sabia


Antes de a madrugada bater-me à porta


Olá bom dia


Meu amor…


Hoje não


Volte para a semana


Não


Não quero comprar nada


Hoje


Porque sinto a solidão


Nos arrozais


E nos pássaros


Que os homens constroem


Enquanto o poeta morre…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 28 de Março de 2015

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