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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


24.12.22

Os dias

Os dias que vão passando

Nos dias que nunca esquecemos

As palavras que os dias nos dizia

 

Aos dias

Os meus dias

Enquanto os dias tinham outros dias

 

Os dias cinzentos

Nos dias nublados

Os meus dias

Os dias…

 

E se um dia eu for dia

Se eu pudesse ser dia

 

Não

 

Não o queria

 

Deixei de gostar dos dias

E sou apaixonado pela noite

De preferência sem luar

Noite

Muito escura

 

Escura.

 

 

 

 

Alijó, 24/12/2022

Francisco Luís Fontinha


02.10.22

Estes dias, entre dias, estes dias

Onde nascem flores nas paredes nocturnas do luar,

Destes dias,

Onde brincam palavras

Nas paredes nocturnas do luar,

Aos dias que deixaram de ser dias; adeus e um forte abraço.

 

Até amanhã. Noutros dias

Onde voam as flores nas paredes nocturnas do luar…

Erguem-se na alvorada

As simples imagens do prazer,

Há um finito gemido,

Enquanto estes dias, trazem entre dias…

 

Outros dias.

E entre dias e aqueles dias

Há um dia, aquele dia triste

Onde deixaram de ser dias…

As palavras dos dias;

(a gasolina volta a subir)

 

Estes dias, que já foram dias,

Vivem dias de amargura, porque os outros dias

Ainda não são os verdadeiros dias…

E das palavras dos dias

Outros dias,

Outros dias de merda.

 

 

 

Alijó, 2/10/2022

Francisco Luís Fontinha


22.09.22

Todos os dias,

Estas tristes janelas se encerram,

E o sol…

Esconde-se nos arbustos do cansaço,

Todos os dias,

Há luar na minha noite,

Todas as noites,

Há palavras nos meus tristes lábios,

Todas as horas,

Todos os dias,

A solidão dos dias,

A solidão das horas,

Quando um velho relógio

Se esconde na alvorada,

Um transeunte invade o jardim do sonho…

E as minhas acácias morreram de saudade,

Todos os dias,

Dias em pequenos voos sobre o mar,

Todas as horas,

Todas as palavras,

Todos os dias em delírio…

Nas nuvens encarnadas,

Depois,

O sangue laminado

Jorra na planície do medo,

As janelas encerradas,

A padaria fora de serviço,

O café amargo…

Entre dias,

Depois dos dias,

Nas horas sem dias…

E pergunto-me

Quando acordam os cisnes do teu olhar,

Sabendo que todas as janelas,

Todas as horas,

Todos os dias,

Minutos,

Segundos de nada…

Deste calendário envenenado,

ENCERRADO.

 

Alijó, 22/09/2022

Francisco Luís Fontinha


31.01.21

Nestes dias,

Tristes dias tem o dia.

Das tristes manhãs dos dias,

Respira a árvore a sombra do silêncio,

Brinca a criança,

A menina;

A menina dança?

Dança que dança

Nos tristes dias, dos dias.

Saber esperar que acorde a manhã,

Quando os alicerces da insónia,

Ainda dormem, dormem os tristes dias.

E, as noites?

Tristes noites têm os dias,

Nas tristes tardes de encantar,

Tristes, eles, dormem o sono em flor,

Sem vontade de acordar.

Morrem os tristes dias,

Deitam-se as tristes mulheres,

Quando à lareia, o triste poeta,

Desenha no sangue dos tristes dias; apetece-me falar.

Nestes dias,

Das tristes flores,

Há árvores em cantorias e,

Doces amores.

Vai ela à fonte, triste e desanimada,

Leva no cântaro um poucochinho de nada,

Tristes dias, tristes tardes estas de caminhar

Sobre a calçada, também ela triste, também ela envergonhada;

Todos os tristes dias, são dias de amar.

 

 

Francisco Luís Fontinha, 31/01/2021


14.08.20

Os dias se cansam,

cansam-se nas sombras da tarde,

almoça a gente,

gente com arte,

gente que não sabe,

que da maré,

todas as noites,

regressam os rapazes do engate.

O povo reclama,

sente o medo de gritar,

o amor em chama,

nas mãos do velho mar.

os dias se cansam,

cansam-se nos olhos do poeta,

abre-se a porta,

abre-se a janela,

e, de porta aberta,

o poeta,

não sabe quem o chama.

Todos os dias, são dias de amar,

e, os dias se cansam,

cansam-se nas palavras de falar.

Tenho pressa de me cansar,

de correr...

os dias se cansam, cansam-se no teu olhar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 14/08/2020

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