Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


31.01.21

Nestes dias,

Tristes dias tem o dia.

Das tristes manhãs dos dias,

Respira a árvore a sombra do silêncio,

Brinca a criança,

A menina;

A menina dança?

Dança que dança

Nos tristes dias, dos dias.

Saber esperar que acorde a manhã,

Quando os alicerces da insónia,

Ainda dormem, dormem os tristes dias.

E, as noites?

Tristes noites têm os dias,

Nas tristes tardes de encantar,

Tristes, eles, dormem o sono em flor,

Sem vontade de acordar.

Morrem os tristes dias,

Deitam-se as tristes mulheres,

Quando à lareia, o triste poeta,

Desenha no sangue dos tristes dias; apetece-me falar.

Nestes dias,

Das tristes flores,

Há árvores em cantorias e,

Doces amores.

Vai ela à fonte, triste e desanimada,

Leva no cântaro um poucochinho de nada,

Tristes dias, tristes tardes estas de caminhar

Sobre a calçada, também ela triste, também ela envergonhada;

Todos os tristes dias, são dias de amar.

 

 

Francisco Luís Fontinha, 31/01/2021


14.08.20

Os dias se cansam,

cansam-se nas sombras da tarde,

almoça a gente,

gente com arte,

gente que não sabe,

que da maré,

todas as noites,

regressam os rapazes do engate.

O povo reclama,

sente o medo de gritar,

o amor em chama,

nas mãos do velho mar.

os dias se cansam,

cansam-se nos olhos do poeta,

abre-se a porta,

abre-se a janela,

e, de porta aberta,

o poeta,

não sabe quem o chama.

Todos os dias, são dias de amar,

e, os dias se cansam,

cansam-se nas palavras de falar.

Tenho pressa de me cansar,

de correr...

os dias se cansam, cansam-se no teu olhar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 14/08/2020


07.12.17

Todos os dias são horários perdidos,
Filhos ensonados
Nas lágrimas da madrugada,
Todos os dias são barcos esquecidos
No cais da alvorada,

Todos os dias são pássaros cansados.

Todos os dias são corpos embalsamados,
Corredores ensopados
De tristeza e azedume.

Todos os dias ardem. Todos os dias são lume
Que a lareira consome,
Todos os dias são fome,
Nas tardes de ciúme.

Todos os dias são morte,
Manhãs sem sorte,
Todos os dias são horários perdidos
Nas montanhas assassinas,
Todos os dias, jardins proibidos,
Em tardes meninas.



Francisco Luís Fontinha
Alijó, 7 de Dezembro de 2017


06.08.17

Vai até à escuridão dos dias falidos,


Vai, corre enquanto a noite não regressa e te leve…


Vai até ao rio ver as gaivotas,


Os candeeiros devolutos abraçados aos barcos ancorados,


Vai, vai até à maré e finge que está tudo bem,


Está sol,


Tens as minhas palavras na mão…


Vai, vai até à revolta dos meninos que brincam na rua,


E nunca digas que estás triste,


E nunca digas que amanhã não estás cá…


Vai…


Vai e volta quando te apetecer regressar…


Mas nunca digas não.


Vai…


Vai e abraça-me,


Até que a saudade nos separe.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 6 de Agosto de 2017


24.05.17

Os dias passados


Esqueleticamente abraçados aos dias sofridos


Quando bem lá no alto das montanhas cansadas


Os dias argamassados aos dias coloridos…


 


Safados.


 


Os dias perdidos na esplanada do adeus


Quando sobre uma pobre mesa de sombra, um livro, voa nos dias premeditados


Por uma lâmina finíssima de luz…


Os dias entre dias,


Os dias encalhados nos petroleiros da fortuna…


Os dias revoltados


Com a forma circunflexa do sangue perfumado,


O dia apaixonado,


Ou coisa nenhuma…


Os dias as mãos e as mãos dos dias,


A forca dos dias desesperados


Numa árvore dispersa na alvorada,


Há dias assim,


Como hoje,


Dias de alecrim,


Dias de clarinete…


E assim,


Os dias dos relógios moribundos,


Meu Deus! Meu Deus, tantos mundos…


Com dias,


Sem dias,


Cem dias dispersados pelas tristes avenidas dos dias desalmados,


E eu, minha querida, por aqui… brincando com os teus dias…


Os dias sem melodia.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 24 de Maio de 2017


20.07.14

Aos dias ímpares, as horas que me são roubadas por uma mão sem nome,


as sílabas disparadas pela espingarda das sanzalas embalsamadas,


o meu corpo não cessa no púlpito do cansaço, ele evapora-se, ele... ele transforma-se em zinco lamaçal,


há uma criança inventada, uma criança perdida na saudade...


aos dias ímpares, as horas malvadas,


que alimentam a dor,


que... que engolem todos os amanheceres,


e do meu corpo, apenas o coração de pedra ficou adormecido na eira da poesia,


 


Aos dias ímpares, o triste calendário envergonhado,


a desassossegada fantasia de um texto alienado, quando arde na fogueira da tua pele,


uma cidade nos espera, uma cidade em papel...


 


Aos dias ímpares, as horas, os minutos, e os... e os milésimos de segundo,


alguns em liberdade, e outros... e outros acorrentados a um envelhecido veleiro,


hoje não há vento,


hoje... hoje apenas a límpida tarde de pano a soluçar sobre as árvores do triângulo equilátero,


é este o meu Mundo?


ter uma cidade sem candeeiros em desejo,


ser filho de um desenho que o tempo apagou numa longínqua parede,


e contento-me com todos os dias ímpares, as horas que me são roubadas...


 


E a tua mão... e a tua mão, um dia, terá um nome, idade, raça, sexo... religião,


 


Aos dias ímpares, a geometria na doçura da caligrafia,


um poema morto, um poema descendo a calçada em direcção ao infinito...


e o meu corpo não cessa no púlpito do cansaço...


 


E o poeta permanecerá eternamente nas sanzalas embalsamadas!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 19 de Julho de 2014


25.06.12

Tenho dias de inverno


de inferno noite


tenho dias sem noite


e noites em dias


tenho horas com rios


e dias


noites dela em cio


tenho dias em dias


rio nas mãos do mar


dias de inverno


em inferno noite


e dias de dias às noites


 


tenho dias de inverno


de inferno noite


 


tenho dias à janela


outros dias


com a corda suspensa no mar


tenho dias de inferno


e noite de inverno


dias em dias dos dias de amar


 


e tenho dias com poesia


e dias que não consigo acordar


dias aos dias outros dias


dias sem trabalhar.


11.08.11

(para ti)


 


Os dias da vida


Em dias de sonhar


Nos dias da partida


Os dias sem mar,


 


Temos gaivotas voadoras


E silêncios de encantar,


 


Os dias da vida


E o comboio na despedida


Os dias dos carris entrelaçados


Em dias abraçados,


 


Temos gaivotas voadoras


E silêncios de encantar,


 


Os dias da vida


Em dias de sonhar


Em dias que me perco


Nos dias que me escondo debaixo do mar,


 


Temos gaivotas voadoras


E silêncios de encantar,


 


Não esquecendo…


Arroz de feijão e pão


Pataniscas com limão


E sonhos ao jantar,


 


Porque nos dias da vida


Há tardes sonhadoras


E noites de amar,


 


Os dias que vou vivendo


Nos dias que me faltam caminhar…


Dos dias abaixo do mar.


03.08.11

Tenho dias em que me apetece fugir


Dias que quero gritar


Tenho dias em que me apetece partir


Nos dias do fundo do mar


 


Tenho dias de prazer


Dias de chorar


E tenho dias em que me apetece morrer


Nos dias do fundo do mar


 


Tenho dias de sonhar


Dias de amar


E dias de embarcar


 


Tenho dias em que me apetece esconder


Dentro dos dias ao acordar


Tenho dias em que me apetece viver


Nos dias do fundo do mar


 


Gosto praticamente dos dias de amar


Dos dias em que quero viver


Nos dias do fundo do mar


Em dias de sonhar


Dias a escrever…


07.04.11

Vinte e sete dias de inferno


Dois dias de alegria apressada


E um dia a descansar


Vinte e sete dias sem nada


Vinte e sete dias de inverno


Nesta vida desgraçada


 


Vinte e sete dias sem fumar


Vinte e sete dias deitado na calçada


Vinte e sete dias de inferno


E três noites de madrugada


 


Vinte e sete dias de inferno


Dois dias de alegria apressada


E um dia a descansar


 


Vinte e sete dias no interno


Dos três dias com mesada…


Nas três noites com luar.


 


 


FLRF


7 de Abril de 2011


Alijó

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub