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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

...


19.03.19

Não sei, meu pai, não... sei,


O frio entranhava-se-lhe nos ossos fictícios de pequenas partículas de desejo, António inventava fogueiras no olhar, esfregava as mãos como se de uma reza se tratasse, mas não, a rua deserta deixava-lhe suspenso nos ombros um fino silêncio de noite, imaginava vãos de escada em cada esquina, desenhava na geada pequenos quadrados, depois, de pé ente pé saltitava como a queda de uma folha,


Um cigarro adormecia-me a alma, reclamava ele quando dois adolescentes se abraçaram a ele


E ele?


Incrédulo,


Vocês. Aqui?


 


 


In “Amargos lábios do poema”


Francisco Luís Fontinha – Alijó


19.03.17

Imagino os teus olhos lacrimejantes nas paisagens do Congo,


Transportavas no corpo as serigrafias do sono…


Que apenas um rio te separava da inocência,


Tinhas na algibeira os cigarros e a fotografia da tua mãe…


Inventavas poemas com palavras esquecidas no capim,


Que o cacimbo apergaminhava na aventura da escuridão,


Lá longe ficava a barcaça imaginária de um dançarino obsoleto,


Sentavas-te nas montanhas da tristeza e rezavas,


Rezavas pela melancolia dos destinos transparentes do olhar de uma serpente,


E nunca percebeste que eu um dia eu te recordaria como um sonâmbulo obscuro,


Que transporta os alicerces de uma cidade em pó…


E em pó te transformaste.


 


 


Francisco Luís Fontinha


19/03/17


19.03.16

São tristes os dias sem ti


Que a noite alimenta


Sem saber que a solidão existe


E mente como mentem todos os relógios…


Que o meu pulso abraçou,


São tristes as madrugadas


Sem os teus gemidos


E sofrimento,


São tristes os dias sem ti


Que a noite lamenta


E descobre em cada sombra


O abraço passageiro da melancolia…


São tristes


Os dias…


Sem ti


Enquanto dormem as tuas mãos no meu rosto…


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 19 de Março de 2016


19.03.11

Para muitos, uma tela sem valor,


Para outros, insignificante,


Alguém vai dizer… são apenas uns riscos…


Mas para mim é o meu pai,


 


O homem que me ensinou a integridade


E a pensar pela minha cabeça,


O homem que me incutiu o vicio dos livros…


E nunca me rebaixar ou a mudar de opinião


 


Apenas para proveito próprio.


O meu pai ensinou-me a nunca acenar com a cabeça que sim


Apenas porque os outros o queriam,


E o mais importante, respeitar as diferenças,


 


Sejam de ordem política, orientação sexual, raça ou religiosa.


Para muitos, uma tela sem valor,


Para outros, insignificante,


Alguém vai dizer… são apenas uns riscos…


 


Mas para mim é o meu pai.


 


 


Luís Fontinha


19 de Março de 2011


Alijó/Portugal

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