Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


10.02.18

As palavras sofridas da paixão,


As estrela perdidas,


No céu da solidão,


 


Cansadas minhas mãos de sangue,


Caminhando no teu corpo de pele poema…


 


A cama,


Dispersa na montanha,


Os dias não passados,


Quando no teu olhar acorda a noite dos sentidos,


Perdidos,


Todos os meus livros,


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 10 de Fevereiro de 2018


05.12.17

Bebo o veneno da insónia.
Desamarro as cordas da solidão, logo pela manhã,
Tenho na mão a magia do sono, desprovido de sonhos,
Na lentidão, o adeus, como as flores em despedida.
Desenho nuvens no teu triste olhar, uma desgraça…
Pois eu nunca soube desenhar,
Escrevo palavras, bebo livros de poesia, e assim passo o dia,
Cansado das árvores, cansado das casas envelhecidas,
Cansado da vida.
Bebo o veneno da insónia.
É madrugada, acendo o interruptor da desgraça, sou livre,
Aprendi a voar no teu cabelo,
Sou astronauta reformado,
Carpinteiro no activo,
Sou jardineiro sem-abrigo…
Nos teus lábios de trigo.
Bebo a poesia dos mortos, e percebo a tua dor, quando acorda a noite,
Puxo de um cobertor,
Fico à lareira,
Até que as estrelas me levem para longe.



Francisco Luís Fontinha
Alijó, 5 de Dezembro de 2017


08.08.17

O que eu quero não o sei,


Sei que nada quero,


Sei que nada tenho,


Querer-te assim, perdida no deserto da seda…


O que eu quero, o que eu não queria,


Ter,


Não sofrer…


O dia,


Cansado de viver,


Sinto em ti as palavras da morte,


Mas a morte é indefinida,


Tímida,


E triste,


Não resiste,


Mas existe,


Na palma da tua mão,


O que eu quero…


Queria…


Sentia na face os beijos da alegria,


Finalmente a noite,


Sentida em pleno dia,


Sofrido,


Como sempre…


Em cada luar teu.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 8 de Agosto de 2017


24.06.17

Neste cansaço dia


Sinto o abraço da alegria,


Sou um homem desajeitado


E sem sono,


Sou uma pedra imperfeita,


Sou uma nuvem desfeita…


E este corpo ancorado,


E este corpo cruxificado ao teu olhar madrugada,


O feitiço de amar,


Na planície magoada


Pela bela trovoada…


Sou um homem desiludido com a cidade dos Deuses Tristes de Morrer…


Uma amêndoa apodrecida jaz sobre a minha mão de escrever,


Sempre me recordam as cinzas do teu silêncio amanhecer,


Neste cansaço dia


Sinto o abraço sem perceber o que sentia,


As albufeiras da solidão


Descem a montanha até ao meu coração,


Irritado,


Sou uma pedra de granito


E grito…


E sinto sem sentir…


A alegria de sorrir,


Na tristeza do grito.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 24 de Junho de 2017


06.05.17

Os dias entre dias


Nos dias sem dias…


Cem dias passaram


E sem noites


Cem noites me acorrentaram


Aos livros perdidos nos dias


Aos livros perdidos nas noites


Sem dias


Cem dias passaram


E sem noites acordaram


Os dias


Sem dias


E cem noites


Acordados


Nos escombros do papel queimado…


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 6 de Maio de 2017


04.05.16

Finalmente o sossego chegou.


Liberta-se a tarde dos braços do dia,


Quase noite, oiço no interior do meu corpo o outro eu,


Cansado com a vida,


Não vê TV…


E só ouve poesia.


Debruça-se no parapeito da janela sem vista para o mar,


Fuma uns quantos cigarros de enrolar, e saboreia a Lua que se avizinha,


Não tem medo do escuro, não tem medo da chuva,


Mas tem medo da vizinha.


Algures do outro lado da rua


Uma flor desenhada no chão lê “LE CLÉZIO” … “A febre”,


E eu, sem razão aparente, sinto o calor no meu corpo,


Talvez contaminado pela “febre”, talvez porque a flor desenhada no chão


É a flor mais bela que nos últimos anos vi no meu jardim,


O outro eu, entretido com os cigarros de enrolar…


É doido,


Ouve poesia,


Despensa a TV…


E nem se apercebe que terminara o dia,


Levanto-me, estonteante, sinto um círculo de mobiliário do Século passado,


E livros,


Tento abraçá-lo, ele foge de mim como se eu fosse uma nuvem poeirenta,


Com fome,


E com a tempestade no ventre,


Fervilho, a flor desenhada no chão fecha o livro, sorri e desaparece como desaparecem as andorinhas depois da Primavera,


Finalmente está a chover,


E a “febre” começa a baixar,


Já consigo andar,


E sorrir


Para a flor desenhada no chão.


Gosto de Jazz, também gosto de poesia, se possível lida pela voz melódica da paixão,


E sentir na pele o salgado mar


Das cidades portuárias,


Embriagados versos


Ou marinheiros sem Pátria,


Tanto faz,


Quer ele queira quer não… vou abraçar o outro eu,


E seja o que Deus quiser,


Abraço-o,


Beijo-o,


E percebo que somos dois palhaços envidraçados,


Um fuma cigarros à janela,


E eu, o outro eu, encantado com a flor desenhada no chão.


Somos uns coitados,


Um esqueleto com duas faixas de rodagem,


Dois parvos,


Dois parvos.


 


Francisco Luís Fontinha


quarta-feira, 4 de Maio de 2016


03.05.16

O dia desaparece nos alicerces da solidão,


O meu corpo finge não pertencer a este objecto inanimado


Que habita esta casa, ouvem-se os pequenos resíduos do cansaço,


E antes de regressar a chuva, termino o meu desejo.


A paixão quando os olhos navegam sobre as searas conduzidas pelo vento,


E que mais tarde morre junto ao cais do sofrimento,


A dor entranha-se nos ossos da tristeza,


O silêncio alimenta o desassossego da alma…


Que permanece impávido quando lhe toco com a minha mão,


Não importa se a noite traz o prazer do sono,


E se os sonhos são desenhados nos corredores inabitados deste rio sem nome…


Morre o dia.


Libertam-se de mim todos os círculos da geometria


E todas as palavras do alfabeto,


O dia já foi, e não voltará mais ao meu corpo,


Abro a janela, sinto o odor do teu olhar


No sexo da melancolia,


Entre azedumes e poemas…


Camuflados pelo incenso da madrugada,


Odeio o teu corpo como sempre odiei o meu,


Pedaços de farrapos suspensos no estendal embrulhados em cordas de nylon,


Descendo a montanha,


Desço-a enquanto o dia é levado para outros longínquos lugares,


Triângulos de papel que ardem à minha passagem,


E tudo em que toco… arde, ou morre…


Morre o dia. Ergue-se a noite no esplendor do esquecimento, e este circo não cessa de dançar sobre os rochedos do medo,


A doença toma conta de mim,


Fico ausente perante os teus olhos,


Fico ausente quando acorda a noite e se libertam de mim as frágeis tempestades de areia,


O mar imagina-me brincando junto aos barcos de esferovite,


Sem motor,


Espero o vento das aldeias em flor,


E quando me apercebo… estou em pleno Oceano,


Liberto de ti


E das garras do teu corpo,


Morre o dia.


Morre o meu corpo.


 


 


Francisco Luís Fontinha


terça-feira, 3 de Maio de 2016


28.04.16

O vento que passa


E leva com ele a madrugada


O peso das árvores sobre o sorriso da solidão


Um livro assa


Na fogueira do teu coração


Quando a manhã acorda cansada,


 


O vento que passa


E traz a mim a insónia dos corredores


Preciso de espaço para saborear o beijo


E libertar-me da maça


Que lapida os meus ossos como flores


E me leva o desejo,


 


O vento que passa


E transforma a liberdade em melancolia


O sorriso da fera acorrentada


E se enlaça


No acordar do dia


Como uma montanha apressada…


 


Francisco Luís Fontinha


quinta-feira, 28 de Abril de 2016


02.04.15

A vertigem


O dia triste


Quando é envenenado pela saudade


Há no olhar da esperança


Um cigarro poético


Derramando palavras


E nuvens cinzentas


A rua perde-se em mim


Como eu me perdi nos teus braços


De aço


Prisioneiro dos cadeados invisíveis


O marfim dos dentes do crocodilo


Esperam-me sobre a mesa da sala de estar


Não estou


A porta encerrada


Sempre


Sempre


Como o mar submerso na neblina de sal


A vertigem


Apodera-se dos meus sonhos


Não há rios nesta cidade indesejada


Os peixes


Não


Não estou


Hoje


Nunca


À tua espera


Porque não espero nada


Nem ninguém


Como nunca esperei a madrugada crescer


Nos teus cabelos


A vida me come


A vida me mata


A fome


E…


Será que tens cabelos?


Fios de xisto


Descendo o Douro


O meu pensamento está longe


O Tejo


Aguarda serenamente a sombra do meu corpo


A ponte iluminada


Dançava


Quando o vento se alicerçava


E eu


Brincando numa parada militar…


Soldado de pedra


Com uma espingarda de nada


A vertigem sonolenta das coisas belas


Quando o dia


Hoje


Não


Nunca


Os peixes


Não


Não estou


A casa desassossegada


Com a minha ausência


Parti


E ninguém


Percebeu que não estou


Os livros na intimidade do desejo


A vertigem


Nas minhas veias


Caminhando apressadamente


Como os homens acabados de regressar


Do infinito


Os cubos e os círculos de gelo


Palmilham as lâmpadas do medo


Na ardósia


As equações do amor


Sem resolução…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 2 de Abril de 2015


06.03.15

O acrílico beijo


na tela do desejo


sem medo de perder


o acordar da madrugada


ele abre a janela


e percebe que afinal...


a madrugada é um fantasma


uma coisa de nada


sombras


silêncios


e


e abraços na escuridão


 


ela sabe que os dias morrem


e nas aldeias de granito


habitam pássaros de papel


coloridos


aventuras


sem destino


acorrentados aos gritos da caverna do adeus


ela sabe que os dias


poucos


nenhuns


absorvem a luz


disparada por um olhar invisível


 


e no entanto


o beijo transforma-se em fotografia


negra


como o poço da morte


na infância de uma cidade perdida


há nos seus lábios abelhas


e pincelados corações de pólen


e voam


poucos


nenhuns...


homens conseguem entranhar-se no seu corpo


e ela desaparece em cada avenida do sofrimento.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub