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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


15.01.20

Não me digas as palavras que eu te prometi.


Ontem, reinava o silêncio, no interior do teu abraço,


As flores, cansadas de dormir, acordaram com o teu sorriso,


Dilacerado nas manhãs de Sábado.


Não gosto dos Sábados, meu amor.


Fico estúpido, burro,


Durmo na despedida do Adeus,


Às vezes, esqueço-me de almoçar,


Lanchar,


Ou… jantar,


Coisa pouca,


Ninguém morre por não comer.


Não me digas as palavras que eu te prometi,


Porque este livro em solidão,


Assusta-se com a minha voz,


Foge de mim,


Como um mendigo,


Ou… sem-abrigo.


Não,


Não me digas,


As palavras,


Em voz alta,


As palavras que eu te prometi,


E mesmo assim, hoje, escrevo-as no teu olhar.


Sinto-me cansado dos dias,


Das noites,


Sem dormir,


Vagueando num corredor escuro,


Sombrio,


Que me traz à lembrança, a morte.


Essa mesmo,


O final do dia,


O eterno desgosto,


Que abraçam os livros de poesia.


Oiço-te,


Lá longe,


Nas páginas esquecidas da sonolência das palavras,


E mesmo assim,


Grito,


Sufoco com os gritos das pedras,


Também elas, tristes, gastas, e, cansadas.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


15/01/2020


30.03.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Sacias-te na minha sede mergulhada em perfumados cachimbos de prata,


encontras em mim a doce corrente do aço clandestino da saudade,


sei que existo porque escrevo-te palavras, vãs palavras que o tempo come, e alimentam as tempestades da dor,


sacias-te em mim como se eu fosse um marinheiro escondido na escuridão da cidade,


procurando engate, procurando o prazer sem o prazer... no inanimado mundo da morte,


procurando mãos silenciosas para argamassarem o meu corpo aos cais do desgosto,


e sinto-me uma ténue folha de papel esquecida no teu ventre,


sacias-te nos meus olhos, e cerro-os para me ausentar de ti,


palavra, palavra do engano que sente o sofrimento,


e... dizes-me que todas elas são inconstantes equações trigonométricas,


cansadas,


tão cansadas como as tuas mãos poisadas no meu rosto de lata...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 30 de Março de 2014


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