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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.08.17

Uma janela com vista para o mar,


O barco da despedida espera-me, e brevemente estarei nos teus braços,


Um livro recheado de imagens a preto-e-branco,


Renasce na tua mão. Posso manuseá-lo, mas perco os desenhos imaginados pelo louco autor das searas imaginárias,


Enquanto o trigo se despede da planície…


 


Eu brinco com o teu olhar escondido na sombra das árvores.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 1 de Agosto de 2017


02.08.15

desenho_02_08_2015.png


 (desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


Apago o apito da sinalização em direcção à paixão,


Percorro os trilhos construídos pelo cansaço,


Não tenho medo…


O salivar réptil das janelas do sonho,


O amor debruçado nas clarabóias da insónia,


Habito em ti, meu amor,


Pareço uma folha de papel brincando na fogueira dos beijos,


E nos teus lábios…


A seara envenenada por um rio clandestino,


A ponte,


A passagem para os teus seios,


Neste jardins de arbustos enganados,


Dormem,


Sentem o peso do teu corpo,


Voando como uma gaivota,


Tenho pregos no meu peito, meu amor,


Apago o apito das recordações,


Vivo nesta cidade procurando a tua sombra,


Nunca mais,


Vi barcos no Tejo,


Nunca mais, meu amor,


Vi os cadernos guardando as minhas palavras,


Estou só, meu amor,


Amando, meu amor, estarei sempre só…


Como as fotografias da minha infância,


Como eu te amo… meu amor,


As madrugada debruçadas nas carcaças da poesia,


Abutres comendo os meus olhos,


Sinto-te, meu amor, junto a mim…


A ponte,


A luz que acaricia a ponte,


Ela geme,


E grita,


O orgasmo metálico das treliças,


O masturbar dos pilares em cada olhar,


Firme,


Ela sabe que amanhã não haverá noite,


Palavras,


E desejo…


Mesmo assim, meu amor,


Lisboa é a minha amante secreta…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 2 de Agosto de 2015


27.05.15

Os ossos envenenados pela paixão do desejo,


 


A poeira do cansaço


Entre envidraçados


E pilares de areia,


As lágrimas do incenso…


Fundeadas nos teus braços,


E não há maneira de acordar a madrugada,


Deito-me na cidade em lágrimas,


Sou absorvido pelos guindastes da solidão,


Os barcos,


O corpo sem coração…


Loucos


E poucos,


 


No calendário sem amanhecer,


Sinto-me um livro a arder


No centro do Tejo,


Sou abalroado pelos cacilheiros em papel,


Não tenho medo do silêncio,


E das casas sem telhado,


Não tenho medo das palavras


E dos desenhos não desenhados,


Os ossos


Masturbam-se no líquido pincelado do Adeus


Também ele… docemente


Envenenado pela paixão do desejo…


 


E amanhã


Uma cancela de sombra será derrubada,


Tomba,


E desaparece dos jardins onde poisam os teus cabelos,


 


E para quê?


 


O dizer


Sem o querer


Apenas porque estou sentado sobre um corpo sem coração…


E pum. Termina o dia. Apagam-se todas as luzes. E pum…


Docemente


Uma pomba dorme no parapeito da minha janela.


 


E pum.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 27 de Maio de 2015


05.04.15

Desce a noite pelos teus ombros de silício


Percebo na tua voz


O silêncio poema da paixão


O falso livro


Embrulhando-se nos teus seios


Em prata


A sombra


O prateado fugitivo


Descansando o olhar numa livraria


Livros


AL Berto


Lobo Antunes


 


Saramago


Pacheco


Livros


Estórias


Cesariny


A sombra


Lapidando o teu corpo


Oceano de palavras


Mergulhadas no teu púbis


A madrugada


Livros


Perdidos


 


E achados


O amor


Meu amor


O significado verdadeiro da saudade


Nos dardos envenenados da solidão


A fala


Não


A sanzala mergulhada em lágrimas de cartão


O vento trazendo as coxas do capim


Oiço-a enquanto durmo


Os seios minúsculos


Masturbados na poesia nocturna da alegria


 


A noite


Não


A fala


Os lábios incinerados na lareira do prazer


O suor alicerçado à tua pele


A húmida vagina em imagens tridimensionais


O PET


O maldito PET


O juízo


A mentira


A insónia


Novamente


 


Triste



As ruas do teu sofrimento


A lotaria da vida


Morres


Não morres


Vives


Em mim


Meu amor


Vives nas minhas veias semeadas de tempestade


A saudade


Novamente


 


No meu corpo


O pénis encarcerado numa estrofe


O enjoo da solidão


Quando à nossa volta gravitam


Sombras…!


A penumbra tarde de Novembro


Nas janelas do Hotel da Torre


Belém


A vagina procurando cacilheiros de luz


Um cigarro


Dentro de mim


Aso beijos


 


E eu sabia que a carta


Sem destino


Morreu


O amor das sílabas encarnadas…


Travestis amigos numa mesa


A vertigem do amanhecer


Acariciando pássaros e cavernas de medo


Não tenho morada


Cidade


Casa


Rua…


Mas tenho um poema para ti meu amor.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 5 de Abril de 2015


03.04.15

Vivíamos como dois círculos


Descendo a madrugada


Tínhamos no olhar


Todas as palavras do Universo


O corpo


Teu


Fervilhava entre duas rectas transversais


As paralelas sombras dos teus seios


Em cubos de medo


Quando a mão te acariciava


E da mão


A húmida esfera de sémen


As gaivotas pinceladas no teu ombro esquerdo


Voávamos nas montanhas do abismo


O exílio da luz


Que as tuas coxas absorviam


Nas imagens prateadas


Encarceradas num cinzeiro de vidro


Escrevia-te uma carta


Esquecia-me das palavras


Respondias-me


Nada


Como poderias responder-me


Se a cidade se tinha transformado em morte


Camuflada nas ruas e avenidas dos teus gemidos


O carteiro dizia-me…


Respondias-me


Nada


O carteiro respondia-me que hoje


Nada


Como poderias responder-me


Se deixaste de ter alvorada


Secretária onde escrever


E papel


Ardeu


Na tua boca em baloiços beijos


A loucura atravessava a cidade


Vivíamos entre cartas


E


E desenhos de chocolate


Em finas películas


Dormindo na tua pele


Domingo


A cancela do desejo


Encerrada


Reabrimos amanhã


Hoje


Nada


Papel


De parede


Com olhos de centeio


O vento abraçava-te e tu


E tu Domingo


Sem fala


Escondida nos barcos clandestinos da saudade


A água nas pétalas do teu sorriso


Tínhamos


A vida na vida


E a vida em papel


Hoje


De parede


Enferrujados poemas no púbis da maré


A casa inanimada


Dói-lhe?


Sem resposta


Nada


Sem fala


E tu Domingo


Suspensa no calendário da solidão…


Uma criança de luz


Nos teus braços


Fim.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 3 de Abril de 2015

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