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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


02.02.23

Se eu pudesse,

Desenhava o sol no teu olhar

Quando a manhã fria e submersa na minha mão

Corre calçada abaixo em direcção ao mar,

Se eu pudesse,

Poisava o luar nos teus seios prateados

Que durante a noite procuram os meus lábios…

Meus lábios… amordaçados,

 

Se eu pudesse,

Escrevia no teu corpo invisível das nocturnas noites em desejo,

Quando da janela do teu olhar

Regressam a mim as Primaveras em flor,

E num silêncio beijo

Erguia do chão as lágrimas de chorar,

E todas as palavras semeadas no teu púbis amanhecer,

 

Se eu pudesse,

Cantar, escrever, sonhar… ou voar na tua boca,

O sol que te vou dar,

O luar que em ti vou poisar,

Se eu pudesse adormecer,

Apenas…

Enquanto as sílabas estonteantes

Brincam nesta pequena folha em papel amarrotado…

 

Ai se eu pudesse…

Colher todas as flores deste jardim

E libertar todos os pássaros aprisionados,

Abraçar-te,

E por fim,

Pincelar o teu corpo com os poemas da madrugada,

 

Se eu pudesse, enfim…

Tudo o que desejo,

Tudo…

Sem mais nada,

 

Do sonho, acordava…

E tudo o que eu queria,

Que eu sonhava…

Já o faço,

Faço-o a cada dia.

 

 

 

Alijó, 02/02/2023

Francisco


02.02.23

Um corpo perdido no mar,

Um silêncio que poisa nos teus lábios,

E em cada ondulação em delírio,

Os teus braços me aprisionam ao sonho de voar…

 

E esse mar que beija os teus pés,

Que me traz a saudade

De todos os barcos invisíveis que desenhei,

De todos os barcos que olhei…

Do barco que sempre fui,

 

Esse corpo,

O teu corpo,

Despido pelas minhas mãos pinceladas em desejo,

Que escrevem,

Que pintam…

Que beijam as tuas madrugadas,

 

Esse corpo,

Esse corpo despido, nu… meu,

Esse corpo mergulhado no mar,

O meu mar,

O mar que transporto nas minhas mãos.

 

 

 

 

 

Alijó, 02/02/2023

Francisco


25.01.23

No lírio cansado do teu olhar

Partem-se as amarras da paixão,

Desejas sem o desejar,

Desejar um barco no mar,

Do mar teu coração,

 

No lírio desejo dos teus doces lábios de mel,

Quando acorda a manhã ensonada…

Escrevo, desenho… invento palavras neste pobre papel,

Quando a insónia se despede da madrugada,

 

No lírio cansado do teu olhar

Há palavras de escrever,

Há palavras de beijar…

E há sonhos de encantar.

 

 

Alijó, 25/01/2023

Francisco Luís Fontinha


16.01.23

Não sou o que desejei ser,

Tão pouco desejei ser o que sou.

 

Desejar que amanhã

Esteja um lindo dia de sol

Com vinte e oito graus de temperatura

E humidade mínima,

Mas sei que estamos em Janeiro

E é Inverno,

E amanhã nunca estará um lindo dia de sol

E tão pouco com vinte e oito graus de temperatura,

 

Para quê desejar?

 

Desejar que o mar entre pela minha janela

Sabendo eu que não tenho janela

Que vivo longe do mar,

E mesmo que tivesse uma janela

E vivesse pertinho do mar,

O mar nunca entraria pela minha janela,

E se eu gritar mar

(como no poema de AL Berto)

O mar todo não entra pela minha janela,

 

Para quê desejar?

 

E quando me perguntavam

O que queria ser quando fosse grande

(o que desejava, o que sonhava)

Respondia com o silêncio…

 

Agora percebo que não queria ser nada

 

Então para quê desejar

Ou sonhar

Ou sonhar que se deseja

Quando o desejo morreu

Morre

Como morrem os sonhos ao acordar…

 

Para quê desejar,

Desejar o sonho de sonhar?

 

 

 

Alijó, 16/01/2023

Francisco Luís Fontinha


15.01.23

Do lápis negro

Carvão da ínfima linha do horizonte

Manhã que se suicida nas umbreiras do mar

Pedaço de rio

Quando na saudade

Um pequeno livro

Dentro do teu livro

Às palavras que grito

Quando o sono de inveja

Poisa no teu corpo.

 

Somo duas

Éramos três flores com espinhos

Quando a alma diz ao Diabo

Que do dia nada de bom

Porque só a noite te envenena

Na noite que te lamenta.

 

Verga-te

Deita-te dentro do sono

Quando uma laranja

Fica esquecida na tua mesinha-de-cabeceira.

 

O despertador acorda-te

Tu ergues-te

Tu vives

Enquanto dentro de ti

Em mim

Que sou eu

Morre.

 

Um docinho.

 

Poiso a cabeça

Sobre o teu peito

Teu seio direito

Beijo-o

Beijo-o porque está pertinho da janela

Da janela com vista para o Oceano

Abro-a

Beijo-o

Pego no pôr-do-sol

Ato-o a todos os barcos

Beijo-o

Puxo-os e acomodo-os no meu quarto

Volto ao teu seio direito

Beijo-o

Puxo-os

Eles dormem

Elas dormem

Morrem

Fumam

Deitam-se nas tuas coxas de incenso

E também eles

E também elas

Morrem.

 

Com o lápis escrevo

Apagas com a borracha

O que escrevo

Dos meus beijos

Às minhas mãos.

 

Grito.

Sinto-o dentro deste silêncio

Quando dentro das sanzalas

Uma criança

Pede pão

E um não

Pão

Quando o tempo

Se mata aos teus olhos

Dentro dos olhos

O querido Deus da ausência.

 

Fecho a janela

Deito a cabeça

Beijo o teu seio esquerdo

Deixo em poiso o teu seio direito…

E vou adormecer todos estes barcos.

 

 

 

 

 

Alijó, 15/01/2023

Francisco Luís Fontinha

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