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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


31.10.23

Morres-me enquanto poisa o silêncio

Sobre a caruma do meu corpo

Também ele

Em morte insónia

Morres-me a cada minuto

A cada segundo

Milésimo… de segundo do segundo

Que me morres

Morres-me enquanto cada pigmento de cor

Cai sobre esta folha de papel

E pergunto-me o que me interessa esta a folha de papel

Com pigmentos de cor

Se tu me morres

Se tu me habitas

Também eu

Em morte silenciosa

Morres-me enquanto o Outono caminha em direcção ao Inverno

Que traz o frio

Que traz o Inferno

De que me morres

Antes de acordar o luar

Antes de adormecer a chuva

No teu olhar

De que me morres com falta de ar.


21.05.23

Em cada pigmento de cor

Deita-se um pequeno sorriso na tela

Desenha-se o corpo circunflexo

Em pequenos círculos aerodinâmicos

Em cada pigmento de cor

Acordam as estrelas da minha cidade

E brincam os meninos da minha cidade

 

Em cada pigmento de cor

Oiço as sombras da minha cidade

E levitam em direcção ao céu

As mulheres da minha cidade

 

A cada pigmento de cor

Envio as palavras das colmeias em flor

E escondem-se na minha algibeira

As palmeiras da minha cidade

 

Na tela onde escondo

Cada pigmento de cor

Em cada pigmento de cor

Da minha cidade

Um sorriso de vento me leva até lá…

 

 

 

Alijó, 21/05/2023

Francisco Luís Fontinha


30.04.11

A minha vida sem cor


Sonhos a preto e branco


Pregados nos meus braços


Escorrem até às mãos


 


E alicerçam-se nos meus lábios.


No cantinho da boca sílabas desordenadas


Que mal consigo prenunciar


Escrever… numa simples folha de papel amarrotado


 


Como se a minha vida tivesse ficado suspensa


No dia de ontem


Na tarde de hoje…


A minha vida sem cor.


 


A minha vida uma perfeita merda


Numa manhã de inverno


Chuvosa


E nem o mar me quer dar a mão


 


Nem a maré levar-me para longe


- Quero ir para um campo de trigo


E deitar-me no chão lavrado…


E olhar as espigas em crescimento…


 


A minha vida sem cor


Sonhos a preto e branco


Sonhos cansados e que se desfazem


Com a passagem das horas


 


Ardem como cigarros na minha mão


E o fumo da minha vida voa no silêncio


Despede-se do inverno


Quando o meu corpo rejeita caminhar


 


Nas ruas da cidade


Eu farto dos candeeiros da rua


Eu farto da cidade que me ignora


E quando eu morrer por mim irá chorar…


 


- GRANDES FILHOS DA PUTA!


 


 


Luís Fontinha


30 de Abril de 2011


Alijó

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