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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


12.12.21

Um dia

Regressará o sono,

A luz,

E todos seremos apenas imagens,

Poeira,

E pequenos nadas.

 

Um dia

As palavras serão sombras,

E das imagens que eramos,

Seremos novamente, nadas;

Pequenas migalhas de pão,

 

Pedras,

Calçadas de espuma,

Em guerra na cidade,

Um dia seremos apenas chuva,

E pedacinhos de lágrima.

 

Um dia seremos nadas,

Ou outra coisa semelhante,

Um dia seremos geada,

Luz…

Ou fogueira ardente.

 

Um dia seremos nadas,

No outro dia,

Gente.

Um dia seremos pó,

No outro dia, dor, corpo ausente.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 12/12/2021


16.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


coisas impossíveis que me fazes sentir quando te toco


beijos doirados em lábios despedidos da imensidão do silêncio


não sei quem sou e de onde venho


não percebo onde habito e porque tenho em mim abraços


e correntes em aço


coisas impossíveis...


coisas sem nexo que os olhos absorvem das pálpebras quebradas à dor


e o meu corpo sente


e o meu corpo morre,,,


às palavras cansadas da vida de viver...


sinto-te embrionária nos colchões da insónia


e percebo que és de porcelana amanhecer...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha . Alijó


Sábado, 16 de Novembro de 2013



21.08.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Qualquer coisa estranha


na flor que brinca em tua mão de porcelana


qualquer coisa vã


ínfima


que esconde o teu olhar,


 


Qualquer coisa geometricamente sombra nos teus lábios


estranha


castanha


que de nuvem em nuvem


caminha e sonha e sonha e caminha,


 


E morre estranhamente como um pássaro de asas em papel


qualquer coisa estranha na tua mão branca


silenciosamente só


tristemente sentada numa cadeira sem coração...


que vive em ti e de ti se alimenta.


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 21 de Agosto de 2013



20.06.12

outras coisas


às vezes


(sinto-me um homem sem pátria)


outras vezes


há coisas para as quais...


coisas inexplicáveis


 


(coisas sem pátria)


 


às vezes


outras coisas


 


procuro o meu nome


na parede da sala


onde está suspensa a última ceia de Cristo


(e curiosamente hoje sem fome)


às vezes


outras coisas


sem pátria


 


e quando acordar o jantar


talvez hoje


coisas sem pátria


às vezes


sem fome


outras coisas infinitas.


17.06.12

todas as coisas têm um nome


todos os nomes


coisas com rosas brancas nos lábios


 


todas as coisas


todos os nomes


com olhar transparente na boca


todas as rosas


e todos os loucos


 


todas as coisas têm um nome


e eu sou uma coisa


com uma rosa branca nos lábios


todas as rosas


e todas as coisas


são madrugadas sem acordar


 


Todas as coisas têm um nome


todos os nomes


coisas com rosas brancas nos lábios


todos os nomes e todas as coisas


dentro de ti


mulher infinita que habita no meu jardim...

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