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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


15.10.23

Sinto-me um estrangeiro

Nesta cidade estrangeira

Sinto-me um estranho

Dentro desta cidade estranha

Nesta cidade sem ribeira

Desta cidade de montanha

 

Sinto-me só

Nesta cidade estrageira

Desta cidade sem nome

À beira

Da fome

Sinto-me um estrangeiro

Nesta cidade amuada

Com tudo encerrado

Desde a madrugada

 

Sinto-me um estrageiro

Nesta cidade amaldiçoada

Com tudo encerrado

Desde a madrugada

Sinto-me um estrageiro apupado

Pelo povo e pelo vento

Pelos relógios

Sou um estrageiro

Dentro desta cidade

Estrageira

À beira

De um ataque de nervos

 

Sinto-me só

Só um estrageiro

Sem nome

Sem dono

Um estrageiro redondo

Circular e uniforme

Que marcha

Que come

As palavras

E todos os estrageiros

Desta cidade estrageira

 

(Sinto-me um estrangeiro

Nesta cidade estrangeira

Sinto-me um estranho

Dentro desta cidade estranha

Nesta cidade sem ribeira

Desta cidade de montanha)

 

À beira

Da loucura

 

Sinto-me um estrangeiro

Dentro desta cidade de fantasmas

De marés envenenadas

Um estrageiro diplomado

Com asas

Com cornos

E cabelo encaracolado

Junto ao mar

O poeta enforcado

 

Sinto-me um estrangeiro

Dentro desta cidade estrangeira

Com tudo encerrado

Desde a madrugada

À beira-rio

O estrageiro enforcado

Poeta e vadio.

 

 

15/10/2023


13.08.23

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Escondo-me da cidade

Desta cidade invisível

Que me assassina ao acordar

Escondo-me da cidade

Nesta cidade

Quando aparece a manhã no espelho da insónia.

 

Levanto-me

E escondo-me nesta cidade

Nesta cidade de enganos

Nos enganos de cidade.

 

Escondo-me da cidade

Dentro da máscara da cidade

Escondo-me do rio

Desta cidade

Neste gueto

De cidade

Escondo-me da cidade

Na cidade

Enquanto esta cidade…

Arde no meu peito.

 

 

 

13/08/2023

Francisco

(desenho de Francisco Luís Fontinha)


31.07.23

Lateja a mingua luz da montanha

Abraça-se a mim o vento em nortada

Esta casa em aflição

Que arde

Grita

Lateja a míngua luz do teu olhar

Socalco que se esconde no doiro rio

 

Lateja a míngua luz da montanha

Às árvores de cartolina colorida

O rio em saudade

Que arde

Grita

No centro da cidade

 

Lateja a míngua luz em silêncio

No silêncio que te beija

Deste rio que corre nas tuas veias

Entre lágrimas de chuva

E de estrelas sem brilho

Que também elas latejam

Na cidade luz

Da míngua montanha

Que dorme em desespero

 

Lateja a míngua luz nos teus lábios

Que sofrem

Que procuram a liberdade

Da luz que lateja da minha nortada

Nesta triste e pobre cidade

Que traz o vento

E leva de ti o sofrimento

E a saudade.

 

 

 

31/07/2023

Alijó

Francisco


24.07.23

A cidade come-me

A cidade se alimenta de mim

A cidade inventa outra cidade

Com outro nome

Com outra idade

E outro jardim

 

A cidade mata-me

A cidade crava no meu peito o punhal da ausência

A cidade inventa

A cidade lamenta

A outra cidade da minha infância

 

A cidade come-me

A cidade se alimenta de mim

A cidade dorme

A cidade tem fome

Da cidade sem jardim

 

 

 

24/07/2023


30.05.23

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Desta cidade

Desta cidade em despedida

Submarino dos meus braços

Nos cansaços

Desejados

Nos mares navegados

Ruas em descida

Avenida debaixo do braço

Desta partida

Nesta cidade vendida

Desta cidade

Desta avenida…

 

Desta cidade viciada no meu corpo

Que come o meu cabelo durante a noite

Desta cidade apodrecida

De putas e de marinheiros

De barcos e de cacilheiros

Desta cidade

O meu corpo cidade

Fundeado em cada manhã

Nos teus braços,

 

Nesta cidade

Desta cidade sem idade

Nas minhas mãos

Suspensas na claridade de um novo amanhã

Aprisionada em mim

Da cidade

À cidade…

Desta minha cidade

Uma cidade sem jardim

Onde durmo

Onde me escondo…

Desta cidade

Na cidade de mim

Cidade

Que habitas esta cidade

Do meu corpo cidade

No meu corpo em cidade.

 

 

 

Francisco

30/05/2023


21.05.23

Em cada pigmento de cor

Deita-se um pequeno sorriso na tela

Desenha-se o corpo circunflexo

Em pequenos círculos aerodinâmicos

Em cada pigmento de cor

Acordam as estrelas da minha cidade

E brincam os meninos da minha cidade

 

Em cada pigmento de cor

Oiço as sombras da minha cidade

E levitam em direcção ao céu

As mulheres da minha cidade

 

A cada pigmento de cor

Envio as palavras das colmeias em flor

E escondem-se na minha algibeira

As palmeiras da minha cidade

 

Na tela onde escondo

Cada pigmento de cor

Em cada pigmento de cor

Da minha cidade

Um sorriso de vento me leva até lá…

 

 

 

Alijó, 21/05/2023

Francisco Luís Fontinha


30.04.23

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(quadro: acrílico s/tela – 60cm x 50cm – Francisco Luís Fontinha)

 

Que cidade é esta

Meu amor

Desta cidade onde te procuro…

Nesta cidade onde me sento,

Que cidade é esta

Meu amor

Nesta cidade de encanto

Nesta cidade desconhecida

Que quase sempre se esconde na madrugada.

 

Que cidade

Esta cidade

Meu amor,

Que cidade é esta

Meu amor

Desta cidade onde te procuro…

Enquanto o vento me leva…

Vagarosamente…

Para os teus braços.

 

 

 

30/04/2023

Francisco Luís Fontinha

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