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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.12.19

Habito neste labirinto de lata.


Desta pobre sanzala abandonada.


Habito neste corpo de ossos,


Alicerçado às muralhas dessa pobre calçada.


Habito neste corpo de chapa,


Cansado da tristeza.


Vejo-me no espelho da beleza…


E apenas observo sombras, linhas rectas envergonhadas.


Habito neste poeirento cansaço,


Nas tardes infinitas,


Que os meus lábios vomitam…


Palavras malvadas.


Palavras bonitas.


Habito no teu cabelo desgovernado pela doença,


Entre gemidos e demência,


Habito na tua boca engasgada na madrugada,


Quando o silêncio não é nada,


Quando a vergonha,


Envenenada,


Dorme na tua mão calcinada.


Habito, meu amor, neste palácio assombrado,


Dentro de livros com personagens moribundas,


Entre xisto e calçado,


Nas montanhas fundas.


Habito.


Habito nos duzentos e seis ossos Outono,


Quando as árvores se despem, e o teu corpo, longe do mar,


Enaltece a maré de chorar.


Habito sem parar,


Neste labirinto do sono.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


01/12/2019


05.04.14

lia no teu o olhar o cansado abismo


aquele homem vestido de naftalina com odor a solidão


eras um livro sem palavras, um livro só, descalço... um livro que todos apelidavam de saudade


lia no teu olhar o silêncio da sanzala de prata


meninos que inventavam amanheceres


e meninas que dormiam fingindo o cacimbo da dor


 


lia e não queria acreditar


que havia sofrimento nos teus desejados ombros


lia e não queria acreditar


que existia no teu rosto lágrimas de chorar


 


rochas embalsamadas, pilares de areia, zinco, zinco que embrulhava a tua mágoa


e eu, eu acreditava que eras em porcelana


pintada de rosa adormecida


e eu, eu acreditava que no teu jardim viviam fantasmas..., fantasmas... meu amor


podia lá ser


podia lá ser..., no teu jardim... fantasmas...


 


lia no teu olhar o triângulo equilátero da tua paixão


pegava nos teus ângulos, calculava o seno e o cosseno do teu mesmo olhar


aquele que eu lia


lia... e deixei de ler


fiquei cego, ou... simplesmente voaste em direcção à ponte sem treliças


e deixei de olhar


 


e deixei de viver


lia no teu olhar o poema envenenado pelo ciume


lia e não mais quero ler


ler... o que diz o teu olhar... meu amor


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 5 de Março de 2014

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