Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


08.08.20

Amanhece nos teus lábios

Um corpo de linho.

Suspenso numa cama inventada pelo desejo,

Acaricio-te suavemente e com medo de te acordar

Do sono alicerçado na madrugada.

Oiço-te gemer em pequeníssimas sílabas de silêncio,

E de dentro do vento,

Um lençol de espuma, branco entre soníferos de alegria,

Abraço-te; tenho medo de magoar o teu corpo de porcelana,

Quando desce a montanha, em direcção ao rio…

Uma enxada trabalha arduamente na sombra dos socalcos envenenados

Pelo apito do comboio embriagado,

E, ao fundo, o túnel da solidão escorrendo um líquido viscoso, sem cor,

Derramado nos trilhos dos animais nocturnos

Onde habita o teu sorriso.

Espero. Canso-me de não te ver,

E, quando te vejo, nua como todas as luar nocturnas,

Escrevo-te,

Desenho-te,

Simplesmente te abraço.

Amanhece nos teus lábios

O sorriso de menina adormecida,

Ensonada como todas as vírgulas

No texto impregnado de estórias…

Acorda em nós a insónia.

Madruga o poeta nas ruelas do engate,

Escreve versos,

Prostitui-se nas palavras…

E dorme no teu peito; não sofro, meu amor,

Porque os teus olhos são estrelas de papel…

Dançando no Universo.

Acordas-me.

E todo o sonho não passa de uma mentira

Para me afastar de ti.

Corro.

Beijo-te.

Sabendo que amanhã é Domingo.

E todos os versos serão teus.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 8/08/2020


31.03.20

89233816_318373012454136_6579632371232931840_n.jpg


Os livros dançam na paixão da manhã,


Envidraçada tempestade de areia,


O menino, sorri,


Canta canções de areia,


Grita,


Chateia.


O menino no circo,


De livro na mão,


Escreve um sorriso,


No chão,


Brinca, brinca com o livro de areia,


Não grita,


Agora,


Mas chateia.


O menino dos calções,


Correndo junto ao rio,


Em cio,


Em cio como as lâmpadas de néon.


Vende livros à porta da igreja,


Arrecada uns tostões,


Vai para o mar,


De bandeira na mão,


Deita-se na areia,


Já não chateia,


O menino dos livros,


Enquanto as gaivotas cantam,


E também elas gritam,


Canções de areia.


O menino está calmo,


Sereno com a tempestade,


Brinca, brinca na saudade,


Sem perceber,


Que nos livros,


Onde quer escrever,


Já não sonham;


Apenas brincam em canções de areia…


Nas canções de sofrer.


 


 


Francisco Luís Fontinha


31/03/2020


22.01.14



foto de: A&M ART and Photos


 


As suas siglas perfumadas subindo as escadas do desejo


abraçando as singelas sílabas abandonadas que espreitam a madrugada entre o cortinado e a alvorada


sinto o bater das pérolas negras que caminham corredor abaixo... e na paragem do eléctrico


junto à porta que dá acesso à biblioteca


os teus seios mergulhados na argila manhã de triste neblina


criança ainda


perfumada


a sigla de ti acompanha as outras siglas deles até que acorde o Pôr-do-Sol


que venha a noite e traga muitos amigos


feiticeiros e feiticeiras


janelas e abrigos


bandeiras... portas e luares sem Janeiro...


 


As suas siglas perfumadas subindo... coitadas as derreadas canções de Abril


(Ora aí está... que acorde então a madrugada, que se abram todas as janelas, e que o dia finja ser um belo domingo, sol, muito sol... e ao longe... ao longe a praia, os coqueiros...)


os silêncios de mim entranhados nas tuas mãos


sentia-te saltitar sobre as finas areias da Baía...


os barcos nossos lançavam-se nos teus seios... e sabia-te sentada sobre as mangueiras do amanhecer...


 


O fogo permanece na tua alma inconstante


o fogo alicerça-se nos teus olhos de sincelo... e sem o saberes uma flor quadriculada dança nas pálpebras húmidas da paixão


dormes sem mim porque o infinito acontece todas as noites depois dos dispersos horários se debruçarem no varandim com telhados de prata


a tua pele fervilha e arde


e o fogo em ti é como as palavras em mim


nada de especial


o papel simples e informal...


sem gravata


sem... sem as apaixonadas mulheres nas borboletas de veludo que a luz ilumina


quero gritar não consigo


consigo gatinhar sobre a geada Aurora e não o quero


quero... e não percebo porque morrem todas as siglas perfumadas subindo as escadas do desejo.


 


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014


Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub