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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


09.02.21

Navego no teu corpo inflamado pelo silêncio da noite. Amar o oiro que poisa nos teus lábios, saber que todas as manhãs acordas na infinita insónia, és visitada durante a noite pelas tempestades marítimas dos livros, trazes na boca todas as palavras, as simples, as complicadas e, as órfãs da minha mão.

Escrevo-te, meu amor.

Hoje a manhã estava cansada de ter brincado com o teu corpo durante a noite, sabes, todas as noites são uma passagem secreta para a liberdade, lá fora tínhamos a chuva que iluminava o pequeníssimo quatro onde dois pássaros se abraçavam, sabiam que no final da tarde, por volta das dezassete horas, vinham até nós as garças, os corvos e, todas as correntes marítimas onde ontem à noite deixe o meu veleiro aportado. Tenho pena das brincadeiras junto às mangueiras.

As flores da tua sepultura sabem que a água jorra de dentro do poema, redopia nas rochas inanimadas que só a noite consegue despertar. É proibido tomar café; os livros tornaram-se bens não acessíveis às mãos do homem com o chapéu de palha, o miúdo pelidava-o de “chapelhudo”, tonto.

Os meninos sabiam que no quintal havia sempre um papagaio em papel, a mãe, carinhosamente, desenhava-lhe sombras e pequenas argolas, sabendo que ele, o menino dos calções, quase nunca comia fruta. “Tem bicho”. Pobre miúdo.

Tínhamos um machimbombo que era conduzido pelo avô Domingos e, todos os Domingos, junto à tarde, percorria amorosamente todas as ruas de Luanda; íamos à praia, fazíamos brincadeiras debaixo das mangueiras, às vezes cansadas, outras, distantes das marés de granito que assombrava a casa. Hoje, o machimbombo é apenas uma fotografia em silêncio na parede da sala.

Acordei pensando que te abraçava e, de tantas palavras escrever durante a noite, abraçava-te mesmo, de verdade, como o miúdo dos calções quando se agarrava às pernas da mãe; estás tão grande, meu menino.

Cresci. Vomitei palavras numa Lisboa incandescente, anos oitenta, cidade prometida e das canções, que fabricavam em mim um grandioso livro de poesia. Sentava-me no rio, não imaginava que tantos anos depois te abraçava e dormia na tua cama camuflada pelas sanzalas desconhecidas e, sabes, tenho saudades do cheiro do capim, depois da chuva.

Navego no teu corpo inflamado pelo silêncio da noite. Amar o oiro que poisa nos teus lábios, saborear a tua boca de amêndoa das janelas em flor, quando o jardim acorda e todos os pássaros parem loucos pela simples razão de ser dia. A boca, o beijo do narciso quando junto ao mar, ela e ele, parecem dois corpos suspensos na alvorada. Os corpos incham, ganham forma e crescem como as plantas em papel. Amanhã saberei a razão de hoje não estar triste, mas triste porquê? Se todas as flores são belas e todos os pássaros regressaram de Luanda comigo…

Há café?

Proibido.

Livros, vende?

Simplesmente proibido. Sabe, eles não gostam de livros. Posso comprar um aquecedor para aquecer os tomates. Posso comprar uma torradeira para magoar o pão com o calor; já imaginaram o sofrimento de uma fatia de pão, quando está prisioneira numa torradeira? Um terror, meu amigo, um derradeiro terror.

A cidade fervilha, o restaurante está encerrado, férias, dizem eles, mas desconfio que nunca mais abrirá; viva a literatura.

Visito uma loja de velharias, pequenos objectos de adorno que servem para me recordar que ainda ontem, pela calada da noite, uma livraria foi assaltada; roubaram todos os livros de poesia.

Tem café?

Proibido.

Vendem livros?

É proibido.

E, meus senhores. Apenas um imbecil é capaz de proibir a venda de livros.

Podem comprar um aquecedor para aquecer os tomates. Pois podemos.

Vivam os tomates.

Vivam.

Hoje há sardinha assada, batata cozida e pimentos.

Assim seja.

Proibido.

Proibido, meus senhores. Tudo é proibido.

Tragam as espingardas de papel e os lenços de metal. Tragam as janelas do presídio e o mar que está acantonado junto ao entardecer. Tragam os livros de poesia; os canalhas odeiam poesia.

Proibido.

O mar?

Sabe-se lá, meu amor.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó 09/02/2021


07.02.21

As horas de dormir, pareço que finjo, quando acordo embrulhado nas palavras do adeus, uma pequeníssima gota de silêncio absorve a madrugada, agarro-me ao teu corpo suspenso no cortinado da insónia e, há sempre uma criança que brinca na enxada da tarde.

Soltam-se as amarras de todos os barcos, acordam dos oceanos todas as tormentas e, sabe-se lá, quando vem a terra a solidão de um dia sem memória. Os homens sofrem, quando do granítico silêncio, as palavras do poema, inventam-se, redopiam nas redondezas da cidade, quando um grito silencioso cai sobre todos os jardins.

A fragância das flores adormecidas, as horas de dormir, pareço um fantasma dançando sob a tenda do circo imaginário, há palhaços de calcário, meninos de farrapos, junto ao mar, em cio, o corvo, as pirâmides embebidas em shots de nada e, no final da tarde, começa a descer a noite porta adentro.

Ponho à janela na esperança de olhar o sol, quando a noite está doente, cansada de brincar, quando depois de se evaporar a tarde, o teu corpo docemente se alicerça nas minhas mãos, as horas, os silêncios depois das horas e, dizes-me que a cada fim de tarde há uma janela que se encerra.

Tenho na minha mão o teu perfume, a cânfora manhã do sítio inanimado quando sei que lá fora um pingo de inveja sobeja das multidões em fúria. Discretamente, aos poucos, desenho-te na sombra dos livros ainda não escritos, gatafunhos acomodados às tristes margens deste rio sem nome, uma cabeça transparente, imunda, no nojento corpo das cidades da mendicidade e, imagino-me à procura de uma fina folha de papel onde escrever o meu testamento.

Tenho medo que amanhã não pertenças mais à cidade.

Que amanhã sejas apenas uma estátua de areia junto ao mar, trazes contigo as fotografias, as flores dos livros perdidos e, sabe-se lá porquê, as horas de dormir, são pedacinhos de silêncio nas tuas mãos.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó/07/02/2021


20.08.20

DSCN1350.JPG

Barco do destino, 20 de Agosto de 2020

 

 

Carta aos pássaros,

 

Meus queridos,

 

Chove. Alimento-me dos vossos sorrisos e, sempre que posso, mergulho nos vossos desejos, apesar de ontem, ao meio-dia, um pequeno silêncio de nada, aos poucos, mergulhar no destino,

Apetece-me rir,

Canso-me dos vossos tristes olhares, pela manhã e, um pedaço de nada, como uma nuvem de ninguém, cambalear no deserto da neblina, apetece-me correr para os vossos braços, caminhar sobre as pedras doidas,

Ouvi dizer,

Que uma pequena pedra lilás, dorminhoca, brinca na minha sombra, mas apenas ouvi dizer, como ouvi dizer que o mar um dia virá buscar-me e, talvez vá visitar as montanhas cinzentas, como quando pela noite regressou o vento, e fui visitar a lua,

Apetece-me rir, canso-me dos vossos tristes olhares, pedaços de nuvem são como as sandálias do pescador, pela madrugada, em busca de beijos,

Tudo é fácil,

Meus queridos,

Ontem vi uma flor perdidamente apaixonada pelo mar, um barco em papel veio falar comigo, mas os peixes não gostam de pássaros e, todas as flores são pedaços de algodão, pedrinhas mansas e, vento,

Sopra.

A caverna. O túnel engole o poeta, este, deixa cair todos os versos ao mar, e sinto que todos os peixes sabem na ponta da língua as palavras, mortas, do poeta,

Ontem.

Hoje.

Chove, perdidamente,

Regressa a paixão, caiem nas palavras o salgado silêncio, o pão parece envenenado na boca da tempestade, mas nem todos os pássaros compreendem, ou

Chove,

Ou, nada. Pedras. Barcos.

Nada.

 

Francisco Luís Fontinha

20/08/2020


24.01.20

Jazem na minha mão as palavras da saudade.


O mar alicerça-se no quadriculado caderno da madrugada,


Sílabas loucas,


Corações abandonados, numa esplanada de areia,


Esqueletos vadios,


Cansados de viver,


A luz traz as amoreiras em flor,


Mártir silêncio dos poemas adormecidos,


A paixão dos mortos,


Quando um barco se perde no Oceano,


O marinheiro afoga-se no poema,


Lê em voz alta, para todos ouvirem, os mandamentos das gaivotas,


E, sem regressar, procura o sexo na escuridão.


Salta da maré um pequeno veleiro adormecido,


De lágrimas nos olhos, grita pelas almas que partiram,


Ninguém o ouve; a luz.


Todas as manhãs, antes de acordar, o marinheiro chora pelos que partiram,


Ao longe, uma bandeira em demanda,


Sofre, grita,


Mas… não adianta.


Pelos vistos, os mortos não regressam nunca ao local de partida.


O corpo escurece,


Derrete nas pálidas madrugadas, quando do silêncio, uma criança brinca no convés do navio,


Todos os barcos, loucos,


Internados em Psiquiatria,


Enfermaria azul, cama vinte e cinco,


Drageias para todos os navios,


Não dormem,


Mas… sofrem.


Sofrem de quê?


Do silêncio,


Da solidão que provoca o silêncio.


O amor nasce entre os cortinados do camarote,


Na enfermaria, um dos barcos internado, grita pelo enfermeiro;


SOCORRO!


E, ninguém. Ninguém o ouve.


Apenas o comandante está autorizado nas visitas, poucos minutos, servem para acariciar-lhe as âncoras da tristeza,


QUERO SAIR DAQUI.


Todos o queremos.


Uns, mais, outros, menos.


Mas os barcos são teimosos, e, firmemente, alegremente, fogem…


E, só a paixão dos mortos consegue sobreviver ao destino.


Sofre. Grita.


Zurra nas amêndoas em flor, descendo socalcos,


Subindo rochedos,


E outros demais silêncios.


A loucura pertence aos pássaros,


E, aos barcos.


Torna-se na viagem mais inclinada do Universo,


Quando todos sabemos, que o mar, os pássaros e, os barcos,


Morrem.


Morrem nas clandestinas sanzalas do silêncio.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


24/01/2020


06.05.18

Tinhas nas mãos os ossos enraivecidos da solidão,


Dos teus olhos desciam as palavras que eu escrevo no teu corpo; quando me escondo de ti na madrugada.


Tinhas nas mãos as sangrentas areias do deserto,


Poisavam livros nas tuas coxas, e do Luar regressava a nuvem da lamentação,


Uma lágrima chorada no teu rosto,


A alma desinquieta que atormenta os ventos nocturnos,


Como pequeníssimos papéis perdidos nos teus dedos.


Assim… ao deitar.


 


Sonhava com rugas, pedras e enxadas,


Rasgava a terra bolarenta dos segredos muros de xisto,


E, todas as manhãs, tinhas nas mãos a aurora neblina suspensa na janela do sonho.


 


Tinhas nas mãos a alavanca mecânica, o martelo e a minha dor…


 


Entre as penas dos melros brincando no meu jardim,


A sucata dos dias transformados em madrugada,


E os barcos, lá longe, vomitando âncoras de desassossego.


 


Perdi-me em ti, sabes?


 


Tinhas nas mãos a ânfora caminhada dos trilhos desenhados numa rocha,


Os santos em rebeldia nos altares das capelas,


O silêncio,


As pedras, os sargaços, e outras velharias…


 


Tinhas nas mãos o meu rosto…


 


E nunca percebi a claridade dos teus lábios.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 6 de Maio de 2018


31.07.17

Pergunto aos defuntos cigarros meus onde está o vazio,


Esta simples forma de viver acorrentado à cidade adormecida,


A doença aproxima-se,


Esconde-se no fumo,


E desaparece na madrugada,


 


O corpo range,


Evapora-se na tridimensional poesia da tarde,


O livro morre,


De tanto viver a saudade,


 


Pergunto-me… porquê?


 


Naves espaciais poisadas no meu quintal,


Homens pequenos,


Fumam cigarros emagrecidos pela geada,


Apetece-me fugir com eles,


Libertar-me destas correntes de aço,


E nunca mais regressar aos teus braços.


 


Defuntos cigarros,


Nas mãos calejadas pela caneta…


 


Palavras enroladas no vento…


 


Palavras mortas na noite.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 31 de Julho de 2017


30.07.17

Nos olhos, a penumbra pomba adormecida,


Um raio de luz desce e poisa-lhe na mão amachucada pela alvorada,


O silêncio frio da despedida…


Quando o Tejo se esconde na madrugada,


Os barcos da solidão, cansados de esperar pela partida,


Uma casa abandonada, recheada de flores adormecidas,


Canções de amor, palavras esquecidas…


Não mão do escritor,


Sempre tive sonhos,


Viver sobre o mar da esperança,


Levantar bem alto o levante sofrido da escuridão…


Quando criança,


Pegava num pedaço de papel…


E escrevia-te, não percebendo que não existias…


Amanhã nova caminhada,


Amanhã nova estória…


Ensanguentada,


Liberta da memória,


E dos pilares de areia da saudade,


Nos olhos, a penumbra pomba adormecida,


Vive-se vivendo na tentativa de partir…


E nada deixar sobre a mesa… sobre a mesa sofrida.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 30 de Julho de 2017


23.07.17

Batem à porta,


Não vou abrir…


Nada espero, ninguém me espera…


Neste fim de tarde junto à janela.


Sentado.


Não me levanto,


Olho o relógio e são dezoito horas,


Tempo necessário para ir à doca e abraçar-me ao barco dos teus braços,


Batem à porta.


O silêncio constrói-se em mim com uma cabana na montanha,


Sinto o mar dentro do meu corpo indefeso,


Quando regressa o pôr-do-sol…


Batem à porta,


Não vou abrir…


Nada espero…


A não ser ficar aqui sentado.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 23 de Julho de 2017


11.06.17

O delírio fantasma que a paixão oferece nas noites de melancolia,


Vivo nesta cabana encerrada e sem alegria,


Entre livros e papelada,


Entre copos e corpos sofridos na madrugada,


Tenho nas veias o teu nome,


E na algibeira as réstias da fome…


Do mendigo ancorado às esplanadas de lata,


O Domingo termina na sanzala…


No capim brincam as minhas mãos de fada…


Que um papagaio de papel inventou na alvorada,


Sinto neste meu corpo desajustado da realidade


O vício sintético da falsidade…


O orvalho clandestino,


O sorriso do menino…


Na praia do Mussulo,


Só e abandonado,


Só e amedrontado,


Só nos rochedos pincelados de palavras mortas


Pela caneta do poeta,


Fracassado,


Pateta…


O delírio fantasma


Dos arraiais da felicidade,


Foguetes, e pó de enxofre na claridade nocturna do sentimento,


Sofro, sofro e guardo no sorriso a tua despedida…


Sangrando as avenidas


Desta cidade perdida,


Um diário disperso, um livro desassossegado,


O vazio buraco negro do desgraçado…


Mendigo da multidão,


Haja alegria e pão na eira,


Que no corpo da feiticeira


Argamassam os lábios da solidão,


Não durmo, meu amor, deixei de dormir, meu amor…


E passo a horas a desenhar,


No teu corpo, meu amor,


O delírio fantasma da paixão.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 11 de Junho de 2017


28.05.17

As cordas da saudade são invisíveis nos meus braços,


Oiço o apito dos barcos apedrejados pela maré quando o meu corpo envelhece no teu peito,


Sou fraco, sou fraco como uma simples folha amarrotada de papel encharcado de lágrimas,


E lá longe, os livros entranham-se no meu olhar,


Dançam nas minhas mãos as cansadas palavras da vaidade,


Oiço, oiço a pobreza das ruas em flor,


Me mato, parto em direcção ao rio subterrâneo da solidão.


Desço ao poço do sofrimento como uma gaivota envenenada…


Bebe, bebe sem a noção do tempo embriagado pelo sangue,


E escreve uma carta de despedida,


Sinto o desejo enjoado pela ondulação das nuvens prateadas,


E esqueço-me da tua ausência…


Adormeço em ti,


Adormeço como um sonâmbulo ruivo construído de barro nauseabundo do silêncio,


Ergo-me diante do espelho,


Vejo um cadáver sem nome,


Perdi-me,


Envelheci nos olhos das flores abraçadas pela noite,


Envelheci nos olhos das pedras dos alicerces da penumbra,


Os barcos nas minhas veias encostados ao coração…


Eu criança,


E brinco com as algemas de alvenaria da brincadeira,


Como um puto deambulando pelas ruas, livre como um pássaro,


Lindo como o pôr-do-sol,


Quando os amigos se despedem da minha sombra,


Sinto no meu caixão o mar da saudade invisível nos meus braços…


E caminho sobre a areia adormecida da limpidez dos beijos que um caderno quadriculado guarda na algibeira do remoto silêncio das ruinas…


E o medo envelhece a tristeza da partida,


Sempre se perde nos sonhos escoriados das palavras deitadas na fogueira,


Há na tua morte um sentimento de esquecimento,


Uma palavra estonteante que se alicerça às tuas coxas…


E no caixão dorme o meu olhar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 28 de Maio de 2017

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