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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.08.17

Uma janela com vista para o mar,


O barco da despedida espera-me, e brevemente estarei nos teus braços,


Um livro recheado de imagens a preto-e-branco,


Renasce na tua mão. Posso manuseá-lo, mas perco os desenhos imaginados pelo louco autor das searas imaginárias,


Enquanto o trigo se despede da planície…


 


Eu brinco com o teu olhar escondido na sombra das árvores.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 1 de Agosto de 2017


07.03.15

P1010003.JPG


(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


 


habito dentro deste livro inacabado


existo porque gritam as palavras


e os sonhos amargurados


não tenho tempo para olhar o mar


nem percebo o cheiro deste rio envenenado pelo silêncio


um cigarro


mal-educado


apagado


sessenta anos encurralado nestes socalcos sem nome


habito


dentro


do livro inacabado...


 


os tristes sorrisos das lanternas da solidão


vendo-me


vende-se


tudo


nada


coisas estranhas


esta calçada


viva


vivo


apagado


não tenho


o tempo


 


nem a vida


de marinheiro


sou um barco enferrujado


sou o aço triturado pelas mãos de um sábado...


apenas


outras coisas


como as simples janelas de uma prisão


prisão


a prisão


do meu falar...


habito


habitar no teu peito de livro encalhado.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 7 de Março de 2015


 


 


 


13.07.14

Horrível,


este poema sem marinheiro,


feliz deste barco embrulhado no vento,


desgovernado,


só...


só... e em sofrimento,


faltam-lhe as palavras,


faltam-lhe... faltam-lhe os encantos dos murmúrios de Inverno,


este poema... filho do Inferno,


que arde na lareira do desejo,


horrível...


este poema com o nome de beijo!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 13 de Julho de 2014


02.04.14

Enquanto te absorves na banheira do prazer e te libertas das caricias minhas palavras,


eu, um incipiente nocturno das fábulas sem habitação, construo o teu corpo com a espuma imaginaria que poisa nos teus seios de marfim,


de escultor nada tenho,


e imagino-te pintada no poema cansado da madrugada,


enquanto te banhas e te absorves..., nada em ti eu desejo, porque a ténue luz do silêncio te come, e alimentas o olhar das personagens solitárias da cidade do caos...


a paixão embainha-se no cortinado que nos separa, eu de um lado, e tu... tu... mergulhada, molhada, à espera das minhas mãos sem rumo, como a geada quando esconde o sorriso dos loucos pássaros,


e eu, eu um incipiente nocturno das fábulas sem habitação,


 


Apaixonado?


talvez... talvez não,


porque sou um acorrentado ao cais dos sofridos beijos em noites de tristeza,


eu pregado à insónia?


talvez... talvez não,


porque não estando apaixonado, porque não sendo o perfume dos teus cabelos..., sou, sou um delinquente invisível do amor,


sou uma gaivota que levita quando desapareces do meu olhar e te transformas em rio,


e sei que o teu corpo fundeado na banheira do prazer... é um barco, um barco com nome de mulher...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 2 de Abril de 2014


09.02.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Sinto-me uma gaivota embriagada em busca do barco adormecido,


um livro perdido,


na tua mão,


esquecido,


na tua mão,


cansada de amar,


sinto-me o volátil nocturno inferno das canções ensonadas,


o velho e eterno... triste coração das estrelas apaixonadas,


 


Triste Inverno,


sinto a madrugada construída numa folha em papel,


triste, triste, não amada,


triste, triste... como todas as vozes caladas,


silêncios desertos em bosques de areia,


uma veia de aveia,


uma veia... uma veia sentido-se como eu, uma gaivota embriagada,


à procura de um barco, à procura do céu.


 


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 9 de Fevereiro de 2014



02.08.11

Dom luís de francisco e francisco passeava-se e passeia-se pela rua deserta do burgo quando da sombra surge uma embarcação de mercadorias e com destino ao porto dos confins da alvorada, dom luís estranhou tamanho barco por aquelas bandas e o pior é que num dos mastros tinha pendurado um crocodilo de pau-preto, Estranho, segreda dom luís de francisco e francisco às bananeiras que o olhavam no quintal e governado pelo REX rafeiro e pelo NOQUI são bernardo importado da suíça, dom luís passeava-se de calção de malha preto e justo, ia descalço para poupar nos pneumáticos e na orelha levava uma argola semelhante a uma roda dentada, e no dedo, no dedo um cravo de uma ferradura que tinha trazido quando menino de lisboa,


O mar em aflições nos calhaus e rochas adornadas, e a embarcação derrapava na espuma da carqueja e das mimosas em flor, o chã para emagrecer as nuvens no bule de zinco adquirido a um marroquino que às vezes em visita ao burgo troca bijutarias por garrafas de vinho, e o chã servido em chávenas roubadas na loja do chinês, e as nuvens diminuem de tamanho e desparecem no horizonte, e o sol volta a sorrir nos olhos de ray-ban e soutiens com bolinhas negras e diminutos furos para a refrigeração das mamas,


O capitão da embarcação aproxima-se de dom luís de francisco e francisco, pede-lhe um cigarro e enquanto este efetua buscas sucessivas aos alforges o capitão em voz sossegada faz-lhe a proposta Se dom luís conseguir tirar-me o crocodilo pendurado no mastro dou-lhe toda a mercadoria, e nem hesitou, dom luís salta para a embarcação, aproxima-se do mastro, poisa os calções de malha e os pneumáticos no soalho e começa a trepar o pau ensebado da noite, e vai magicando enquanto vai subindo vagarosamente, milímetro a milímetro,


Isto é canja, ai que não é, é só chegar lá cima, pregar uma bofetada ao crocodilo e descer com ele desmaiado,


E quando dom luís a meio e o bicho já lhe mostrava os dentes de marfim o pau ensebado da noite começa a murchar, e dom luís e o crocodilo em pau-preto estatelados contra os pipos de vinho, pedras preciosas e alicates para os dentes, o bicho em queda livre pelo granito adormecido do cais e dom luís a ver o céu estrelado do burgo,


O capitão cruza os braços e diz para dom luís de francisco e francisco Já me fodeu o barco todo!, e este ainda meio tonto do vinho responde-lhe que não teve culpa, conseguiu tirar o crocodilo do mastro e que tem direito a receber toda a mercadoria, e o capitão aos pontapés aos candeeiros de petróleo,


Você deve é ser maluco, receber toda a mercadoria?, rosnava o capitão às patas do rafeiro e ao rabo do são bernardo, Você devia era indemnizar-me,


E a voz do capitão a entrar por um ouvido de dom luís e a sair pelo outro,


E dentro de dom luís de francisco e francisco erguia-se um queixume nos dentes e uma silaba na língua,


E enquanto procurava no soalho os calções de malha e os pneumáticos começavam-lhe a sair da garganta pequenas frases, Quero lá


Saber


Do


Caralho do barco.


15.05.11

Eu sei


Eu sei que sou um imbecil inadaptado


Um rio que corre ao contrário


Um segundo no relógio parado


 


Eu sei que nas minhas mãos não algas


Nem mar ou areia para me deitar


Eu sei


Eu sei que o meu barco está a afundar


 


Eu sei


Eu sei que na montanha há gaivotas


E que vem aí a tempestade


Eu sei, eu sei que no corredor não portas


 


Não nada onde me esconder


Não cama onde me deitar


Eu sei


Eu sei que sou um imbecil inadaptado à procura de ancorar…


 


 


 


Luís Fontinha


15 de Maio de 2011


Alijó


26.04.11

Sinto-me e sento-me malicioso


Incompreendido


Transeunte sentado no silêncio


Perdido


 


Sentado à espera de me sentir


Transtornado


Cansado em vias de sentar-me


Nos arrais da madrugada


 


E alegro-me ao vê-los passar


Mal vestidos


Sitiados nas calçadas onde adormecem


Bandidos…


 


Pedintes diplomados


Sinto-me e sento-me malicioso


Quando um aldrabão me grita na rua


- hoje temos peixe frito e arroz de feijão


 


Hoje encerrados por falta de clientes


Nem putas nem paneleiros


Barcos a motor


Petroleiros…


 


Hoje sinto-me e sento-me malicioso


Incompreendido


Vagabundo licenciado


Enrabado e fodido…


 


 


Luís Fontinha


26 de Abril de 2011


Alijó

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