Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


31.03.11

Assassinam-me aos poucos


Espadas em mim


Vozes em silêncio


Lábios perdidos no amanhecer


Converso com as sombras do teu olhar


E no meu corpo habita um pesadelo


Um monstro sem cabeça


Com asas mas não sabe voar…


Está na prisão de uma mão


Do meu corpo também ele sem cabeça


 


Assassinam-me aos poucos


Os olhos que se agarram aos malmequeres


As andorinhas que sobrevoam a minha janela


Quando as espadas no meu peito


 


E o meu peito sangra


Geme quando se acende uma luz


Quando espadas em mim


Me assassinam aos poucos


 


Não sinto a dor


Deixei de ter dor


Sinto apenas o frio do aço


A escorregar nos meus braços


 


Amarrados ao cortinado


Assassinam-me aos poucos


Espadas em mim


Espadas com dentes


 


Espadas com olhos


Espadas com uma cabeça


Espadas humanas


Que à minha volta sorriem


 


E saltitam quando caminho na rua


Também ela entupida de espadas


Em mim


Que me assassinam aos poucos.


 


 


FLRF


31 de Março de 2011


Alijó

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub