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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


08.12.14

Não sabia que o teu nome


era apenas um nome


uma solitária palavra


sem alma


sem coração


sem... sem barcos ao anoitecer,


 


não sabia que o teu nome


era apenas um nome


sem corpo


sem sombra...


 


não sabia que o teu nome


era apenas um silêncio


sem imagens


sons


ou... ou fotografias


em constante mutação,


 


não sabia


não sabia que o teu nome


era apenas uma assombração


uma cidade esquelética voando no pôr-do-sol,


 


(Não sabia que o teu nome


era apenas um nome


uma solitária palavra)


 


como as pálpebras do poema antes de ser o poema,


 


não sabia que o teu nome


era apenas um nome


um soluço mastigado nas sílabas do Diabo...


não sabia


que... que o teu nome


é como a areia húmida


e o mar apaga todos os seus desenhos


como a morte... apaga todos os seus corpos...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2014


15.11.13



foto de : A&M ART and Photos


 


sinto-me pincelado com pedaços de solidão


e do meu corpo-tela uma fina imagem encosta-se aos filamentos incandescentes de uma lâmpada de halogéneo


não sou eterno


amado


sou um electrão mergulhado no espelho do nada


sifilítico magala apodrecido na doce paixão das árvores do silêncio


sinto-me uma locomotiva denunciando carris e curvas de nível


sinto-me um bufo engolindo sombras que a noite magoa depois do sexo alimentar a tua boca de sofrimento que as rosas poisaram em ti entes de acordar a poesia


sinto-me um vadio inconfortável


ignorante como pequenas conversas de tic-tac


nos alicerces das mãos de cereja que o papel amarrotado embrulha entes da morte


sinto-me um cadáver profanado


mal-vestido


sinto-me um jardim sem nome procurando as estrelas de cartão


sinto-me um barco fundeado no teu púbis de areia


quando os petroleiros da desgraça se fazem à costa pedinchando pequenas folhas de plátano


embebidas em cerveja de lata


sinto-me sobre ti ficticiamente falando como quando éramos dois bancos de jardim


em busca de ripas em madeira


e madeixas coloridas dos triângulos embriagados


sinto-me um falhado diplomado


um triste vagabundo sentado


nas tuas coxas de orvalho...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013



29.10.13



foto de: A&M ART and Photos


 


movediças areias tuas manhãs cansadas em mim


orvalhos siderais colados na língua do Outono


migalhas dele nas mãos do inferno


o invisível mergulhado das travessias inconstantes das flores empastelares


pareço um viúvo de fotografia ao peito


com suspensórios de tristeza acorrentados à solidão das noites indolores


movediças areias


as tuas coxas


as tuas ideias


os teus pérfidos seios de porcelana no clandestino horário que vive nos meus pulsos de aço


procuras abraços


e eu... ofereço-te palavras sem nexo


desejos vãos


carícias por correspondência a cobrar no destinatário


pareço um viúvo embebido nos arbustos da partida


cândidos odores que provocas nas praças diurnas da cidade dos beijos


transeunte esqueleto sem vida


na minha vida


os lábios dilacerados em pedaços de papel de embrulho


movediças areias


as tuas lágrimas lunares em madrugadas de cio


e lambedoras orgias estrelares


sobre a ponte fina e escura


do cemitério da poesia


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 29 de Outubro de 2013


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