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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


21.04.22

Onde poisam as andorinhas

Do meu país!

Onde brincam os poetas

Do meu País!

Onde habitam

As pedras do meu País!

 

Onde estão os sonhos do meu País!

 

E bebo deste rio

A saudade do meu País,

E alicerço no meu olhar

A revolta do meu País,

 

E sonho com as madrugadas

Do meu País…

 

Todos os dias!

A todas as horas!

 

Onde poisam as andorinhas

Do meu país,

Que no papel amarrotado

Escrevo ao meu País,

E enquanto pinto este rio,

Uma enxada,

Despede-se do meu País;

Com fome. Com sede.

 

E sonho com as madrugadas

Do meu País…

E sonho com os rios

Do meu País.

 

E esta andorinha que não voa,

Porque no meu País

Roubaram as madrugadas,

Porque no meu País,

Roubaram as palavras,

Porque no meu país já somos poucos… ou quase nada.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 21/04/2022


10.03.15

Em farrapos


as palavras desenhadas no teu corpo


entranham-se na tua pele


os cubos e os círculos do desejo


tens no olhar o espelho da saudade


saudade de...


em farrapos


as palavras


e a cidade


que morrem na clandestinidade


as ruas dormem docemente nas tuas pálpebras cinzentas


como pássaros embriagados pela madrugada


 


não oiço o sino da Igreja


porque o teu sorriso


deixa-me surdo


cego...


sem... sem palavras... cansado


em farrapos


de ninguém


ao acordar


o pequeno-almoço dispensa-me


fui despedido pela boca do sono


e alimento-me de cigarros


e palavras... em farrapos... a arder...


 


as migalhas inventadas por um livro de poesia


o livro de poesia poisa sobre a secretária


e o teu corpo nos meus braços


baloiça


dança


e sinto


a Primavera e a esperança


e a esperança


esperança...


esperança...


nos lábios das andorinhas


em flor... em cio... antes de partir o dia.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 10 de Março de 2015


31.01.15

Pintura_55_A1_Nova.jpg


(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


 


Roubaste-me o sorriso nocturno dos beijos em flor


pegaste nas minhas palavras e transformaste-as em solitárias andorinhas


depois


trouxeste a Primavera


e o amor


do poema


de amar o poema


e sentir no peito as equações do destino...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 31 de Janeiro de 2015


 


25.12.14

Os orgasmos poéticos


quando do chão esfomeado


se levanta


a matriz


ouvem-se as vozes disformes das andorinhas em flor...


ouvem-se... as sombras de aço nos lábios de uma abelha!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014


13.10.14

Porque dormem no meu olhar


os traços coloridos de silêncio?


 


Porque existe um veleiro desgovernado


no Oceano meu sofrimento,


se o vento,


se o vento deixou de correr junto às palmeiras...


 


Porque vagueiam na minha mão


as palavras nocturnas da dor,


quando o livro poisado na minha mesa-de-cabeceira...


ardeu,


morreu,


e hoje é apenas cinza como os traços coloridos de silêncio...


 


Porque dormem no meu olhar


os traços coloridos de silêncio?


 


Se nas tuas pálpebras crescem andorinhas sem asas!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014


01.05.14



foto de: A&M ART and Photos


 


não o sei


às vezes desce sobre mim a voz do silêncio


o rio com mãos de porcelana


acorda


deita-se na nossa cama


chora...


olha-se ao espelho e grita


não o sei


e às vezes


pergunto-me porque há barcos em papel com coloridas manhãs de Primavera


e às vezes


não o sei


 


os sonhos sonhados quando a noite deixa de nos pertencer


as palavras escritas amadas e desamadas


e o palheiro da madrugada invadido pelos odores do jardim anónimo


não o sei


acorda


e às vezes


tantas vezes... meu Deus


percebo que há andorinhas com fome


e fome vestida de gaivotas


chora...


não o sei


porque vives escondida no meu peito.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 1 de Maio de 2014



27.04.14






no seu término o dia mistura-se com as sombras do prazer


o teu corpo mergulha sobre o meu peito flácido


quase a adormecer


lá fora há poemas por escrever


palavras vagabundas correndo junto ao Tejo


folheio as pequenas páginas dos teus seios


descubro o significado de “Amor”...


e sinto a paixão a entranhar-se nos meus ombros


 


há silêncios a descer a tua pele de doirado sémen


que acabam por morrer


semeiam-se nos límpidos lençóis de seda


como jangadas esquecidas em Cais do Sodré...


afinal... o sonho são as pequenas páginas dos teus seios


à janela do “Adeus”


simplesmente inventando soníferos de cartão


e livros a arder


 


há em ti um púbis construído de andorinhas


e flores de papel


e no seu término...


o dia... o dia cansado de viver


como se o teu corpo embrulhado nos meus braços de aço laminado


adormecesse vivesse amasse e morresse


e descubro o significado de “Amor”...


e de ser “amado”.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 27 de Abril de 2014



02.03.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Há asas pinceladas nos teus verdes olhos de andorinha,


uma colmeia de palavras emerge da solidão nocturna,


há de ti as marés envergonhadas, tristes, marés... marés dos telhados de vidro,


sinto-te cambaleando sobre as nuvens cinzentas das janelas amarelas,


o jardim deixou de sorrir,


e partiu em direcção ao mar,


o amor de ti em mim... sem mim, uma coisa estranha, amarga, diluindo as ditas palavras castanhas,


há asas pinceladas,


há asas a arder sobre os teus ombros de melancolia,


e sei que no fundo do mar, vives, dormes... e passeias-te nua como ventos de nortada,


acendo a luz da paixão, e ao meu lado apenas uma imagens de néon...


gemendo sílabas e bebendo carícias de madrugada.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 2 de Março de 2014



15.01.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Perceber o fogo do corpo em suspenso


aquele que arde entre a morte e as palavras enraivecidas


escrever no corpo que arde em suspenso quando os lábios do fogo


não morrem... e permanecem inconstantes como um círculo descendo a calçada da Ajuda


perceber que o homem arde


fervilha


e dorme no colo de outro homem...


ergue-se o cansaço argiloso das andorinhas de papel


vem a nós os desejos preguiçosos das saudades de ontem


e fervilhas


como um pedaço de madeira nas mãos de Deus...


porque o rio se despediu de ti e tu permanecerás dentro da lareira da paixão.


 


 


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014



23.06.13



foto: A&M ART and Photos


 


Tão só como as andorinhas em papel


que brincam na tua mão exagerada


as migalhas do xisto mendigo correndo montanha abaixo


e depois


as carícias que a tua pele de neblina inventam no meu corpo de Primavera,


 


Vejo a névoa que os teus olhos alimentam à roldana das horas


voando entre finas esparsas manhãs com chocolate em pó...


dos ponteiros do meu relógio sem pulso


uma deslumbrante doentia pulsação esmorecendo nos finais de tarde


e entra-me o rio no meu corpo de madeira,


 


Encharca-me o peito


e sinto a inundação do meu coração... coitado


… à deriva como uma barcaça perdendo as letras do nome


em cada esquina da cidade com as sombras árvores em silêncios nocturnos


e eram assim os meus dias aprisionado em ti não o sabendo,


 


Em mim perdido como um charco de lama derretido no musseque da lentidão


desce a noite


cobrem-se-me as pálpebras com as palavras de ti


vagueando no cansaço espelho do guarda-fato o meu destino imaginário


….............
tão só,


 


As andorinhas em papel ardendo na lareira dos teus seios


submersos no meu peito


se ainda o tenho


porque não o sinto


porque... também eu transformei-me em homem de papel...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


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