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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


30.05.15

Este sítio está morto


E mortas se sentem as minhas palavras


Este sítio deserto


Amargo


Incerto


Está morto


Cansado


Este sítio está morto


Este sítio é um rochedo de insónia


Estampado no rosto do amanhecer


Este livro


Este sítio


 


Mortos


Mortas


Incertas


Certas


Certas noites me ignora


Certas noites


Não muitas


Chora…


 


Este sítio em constante sofrer


Quando o corpo range como os gonzos da madrugada


Não há sorrisos


Não há gestos


Certos


Incertos


Sítios


Mortos


Vivos


Homens


Esqueletos


De vidro


 


E se partem


E se partem


Todos os sítios mortos


Não mortos


E vivos…


 


Vivos


Mortos-vivos


 


E sítios… sítios amargurados.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 30 de Maio de 2015


24.03.14

Verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,


cintilantes madrugadas com sabor a desejo,


vagabundas manhãs infestadas de corações de mel,


viajo dentro de ti como os pássaros quando regressa a chuva miudinha,


verdes cansados beijos,


verdes lábios,


… boca dispersa na Primavera das flores campestres,


verdes olhos, verdes... verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,


viajante solitário procurando abrigo, e um abraço se levanta do chão,


e dou-me conta que é noite,


cortinados cerrados...


e da tua janela... e da tua janela apenas uma sombra de silêncio.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 24 de Março de 2014


03.06.11

Encantam-me os desencantos da manhã


O abrir da janela e ao fundo da rua


O mar


A manhã despida nua


 


E na espuma da ondas


O silêncio de estar sentado


O desencanto das ruas em construção


A sombra que me aperta o peito amargurado


 


Um peso de escuridão


Dentro do meu corpo suspenso num baloiço


O meu corpo tocado pelo vento


O meu corpo um coração que já não oiço


 


Ferido velho espetado num sorriso de mendigo


E da manhã vejo crescer a tempestade


As nuvens que se deitam na minha boca


A manhã em desencanto sem vaidade


 


A manhã ao fundo da rua


E num candeeiro uma sombra de luz emagrecida


Esqueletos da noite


Esqueletos sem vida.


 


 


Luís Fontinha


3 de Junho de 2011


Alijó

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