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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


05.02.22

Voa…

Liberta-te das palavras

Enquanto dorme o luar.

Voa…

Desenha a tua sombra

Nas lágrimas do mar.

Voa…

Do rio à montanha,

Enquanto a montanha não sabe chorar.

E se queres voar,

Voa…

Voa… sem medo de amar.

 

 

Alijó, 05/02/2022

Francisco Luís Fontinha


11.11.21

Onde habitam os pássaros

Dos teus lábios

Que voavam nas árvores da minha boca,

Meu amor!

O que fazem os pássaros

Dos teus lábios

Quando na minha boca, meu amor,

Habitam as flores do teu sorriso!

Como se sentem, meu amor,

Os pássaros do teu cabelo,

Quando nos meus braços,

Habitam o silêncio e o desejo!

O que sentem os pássaros

Dos teus seios,

Quando nas minhas mãos,

Habitam os pássaros de escrever!

E dos pássaros das tuas coxas,

Quando se abraçam

Aos pássaros da minha noite,

Sabendo que os pássaros

Do meu silêncio,

São os pássaros de amar,

São os pássaros de beijar…

Como serão os pássaros

Do teu olhar,

Quando os pássaros do meu escrever,

Se sentam junto ao mar,

E, se abraçam até que acorde o luar,

E nasçam os pássaros de viver.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 11/11/2021


24.08.21

Quando a saudade habita na montanha do mar,

E o amar,

Desce pela escadaria do vento,

Esconde-se numa mão invisível,

Cresce,

Se liberta e,

Morre na maré da insónia.

Se eu pegar nesse cabelo,

Se eu abraçar a sua boca,

O poema se escreve,

Dança,

E se deita na calçada.

Serão todas as palavras que te escrevo

Pedacinhos do poema

Em formato de beijo?

Pergunto-me enquanto olho o vento

Embrulhado nos seus entrelaçados degraus,

Alvenaria de incenso,

Betão que dorme na tua mão;

Oiço.

Habito em ti

Como se fosse uma criança desenhada no sono da escuridão,

Um panfleto de sono

Suspenso nas paredes da madrugada.

Chamo pelo silêncio,

Pego docemente na esferográfica da alegria e,

Escrevo.

Escrevo-te

Todas as palavras da laranja.

Sei que lá fora uma página obscura

De um livro obeso

Se suicida na tarde junto ao mar;

Amar.

Canso-me das ruelas desta cidade

Prateada,

Pincelada de cigarros e,

Marmelada.

O orvalho;

Palavras, sílabas, páginas doentes…

Deste livro sem nome.

Amanhã,

(Quando a saudade habitar na montanha do mar,

E o amar,

Descer pela escadaria do vento,

Esconder-se-á numa mão invisível,

Crescerá,

Se libertará e,

Morrerá na maré da insónia).

Todos somos esqueletos de vento

Na sombra do silêncio.

vi.

vivi.

Ontem, era uma pedra.

Hoje,

Algures,

Sou um pedaço de rosa,

Deitada sobre a mesa-de-cabeceira da insónia.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 24/08/2021


31.03.18

Amar sem vento, enquanto a Lua adormece o corpo cansado,


A viagem entre parêntesis, distante da sombreada escuridão,


O passo apressado,


Ofegante,


Que caminha na tua mão.


 


Amar sem vento,


Saltar as amarras do sofrimento,


Há gente, com lamento,


Enquanto os ossos fornecem o alimento,


 


A Paz sagrada, imune predicado,


Uns shots no mercado,


Um poema poeirento…


Que poisa no livro sangrento.


 


Amar.


 


Amar sem vento,


Correr as avenidas da tempestade,


Amar,


Amar-te sabendo que a saudade,


Vira gente,


Como o mar,


Ou um barco afundado.


 


Eu sento.


 


Eu sento no amar sem vento…


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 31 de Março de 2018


25.03.18

Podia ser o mar,


Suspenso no teu corpo amanhecer,


Na palavra escrita, o silêncio amar,


Que grita,


Após a partida da alvorada.


O poeta embrulhado no escrever,


Como uma amante,


Que das lágrimas de chorar…


Não consegue ver,


Nem sente,


O silêncio escurecer.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 25 de Março de 2018


23.06.17

Não vou ter tempo para desenhar o tempo no silêncio da noite teu corpo,


Não vou ter tempo para semear nas tuas cochas o mais belo poema de amor…


Porque não sou poeta,


Porque não sou desenhador,


 


Não vou ter tempo para ver o nosso filho escrever no pavimento térreo do quintal,


Porque nem sequer temos um filho,


Porque nem sequer temos um quintal,


 


Não vou ter tempo para acariciar a chuva miudinha que se entranha no teu cabelo,


Não vou ter tempo para ir à lua e trazer-te um beijo…


Porque sendo astronauta não tenho esse desejo,


 


Não, não vou ter tempo!


 


Não vou ter tempo para te desejar,


Não vou ter tempo para no teu corpo brincar…


E juntos, sem tempo, olharmos o mar,


 


Não vou ter tempo para muito viver,


Já muito vi sem querer…


 


Não, não vou ter tempo!


 


Não vou ter tempo para escrever,


Tempo para amar,


Tempo para ver nascer…


Nascer no tempo… no tempo de sofrer.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 23 de Junho de 2017


23.09.16

Não sinto o odor


das pedras onde te deitas


e dormes,


não sinto a dor


quando as tuas mãos melódicas


me tocam e envenenam,


não sinto o amor


que habita no teu peito


rompendo a alegria da madrugada,


não sinto a cor


do teu olhar


quando desce a noite nos teus lábios…


e uma película de mar,


não sinto o suor


das plantas do meu abismo


quando o silêncio envelhece no teu corpo…


e um poema morre no veleiro sem navegar.


 


 


Francisco Luís Fontinha


sexta-feira, 23 de Setembro de 2016


07.05.16

Era forçado pela pressa das coisas. O silêncio imaginário da manhã quando pegavas na minha mão ao desaparecer no meio dos transeuntes da cidade perdida,


Escondia-me das sombras dos aciprestes,


Porque assim, pensava eu, estaria mais protegido das estrelas, mas não estava.


A noite era uma aventura,


Eu preferia ler, e tu, e tu preferias passear, que confesso, que confesso não me apetece nada caminhar apenas por caminhar,


Se ao menos caminhasse em direcção ao Luar… era forçado pela pressa das coisas,


Tens de fazer isto, amanhã tens de fazer aquilo…


Chega. Detesto receber ordens de arbustos e munto menos de ti.


Sou feliz assim, confesso.


Não dou nem recebo ordens,


Sou livre, voo na companhia das gaivotas ao final da tarde junto ao Tejo,


Depois poiso em Belém,


Acorrento-me às amarras invisíveis da maré,


Olho os veleiros em atropelos sem que ninguém lhes valha…


Como a mim,


Nem palavras nem poesia,


Nem os livros me deixam adormecer quando tu, depois de caminhares em círculos, cansada, dormes, eu olho-te e finjo não te ouvir, prefiro ausentar-me na noite, e regressar quando já o dia bate na janela do nosso quarto,


Descerro a lápide do desassossego, não encontro nela o meu nome…


Deixei de pertencer aos humanos visíveis das avenidas laminadas pela escuridão,


Tenho no peito um fantasma, um falso coração que em vez de amar…


Bate, bate sem parar…


E um dia vai parar,


E nesse instante serei o homem mais feliz do Universo,


A minha morte; as coisas cessam, e deixam de ter pressa,


E deixam de ter graça.


E eu, e eu serei apenas eu…


Uma carcaça.


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 7 de Maio de 2016


23.03.16

o relógio nunca cessa de chorar


as lágrimas do mar parecem pálpebras envenenadas


nos socalcos da saudade


o rio esconde-se nas umbreiras do silêncio


como se fosse a fera amestrada do vento


sem sorrisos de vida


nas espalmadas marés do sono


o relógio vive


escuta os meus lamentos


enquanto lá fora alguém sofre


levemente andando pela cidade de algodão


e inventa sonhos


e pede-me pão


nunca se cansa de chorar


este triste relógio de corda


não sente a dor


não sente a morte


daqueles que partem e deixam de ouvir a Primavera…


e levam no coração uma pedra


do infinito abismo de habitar uma calçada


um corpo estranho


imbecil


e velho


o relógio nunca cessa de chorar


alegre


nas noites sem dormir


abre a janela amar


toca no cortinado amor


e envelhece esperando que o tempo o venha buscar


até que uma qualquer tempestade o obriga a parar…


 


Francisco Luís Fontinha


quarta-feira, 23 de Março de 2016


13.03.16

Recordo o sono levado nos teus braços


Quando a manhã terminava de acordar


Recordo o cansaço


E a sinfonia do Adeus


Que escondeste no mar…


Recordo-te sem me recordar


O teu nome


Recordo-me sem me recordar


O teu sorriso


Do amar


Do amor


Enraizado no esplendor altar


As abóbodas do silêncio


Quando prisioneiras dos teus lábios


E um pedacinho de Paz


Leva o teu corpo para o abismo


Entre rochedos de medo


E beijos de nada


Recordo


O sono


Levado


Os teus braços nas trincheiras amarguradas…


Sem tempo para me abraçar


Ou uma fingida despedida.


 


Francisco Luís Fontinha


domingo, 13 de Março de 2016

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