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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


07.04.14

não sei o que te direi amanhã


tão pouco se existe amanhã


palavras deixei de as ter


de as escrever


não sei o que te direi...


e amanhã é já quase hoje


e hoje... nada tenho para te dizer


vou inventar-te uma estória


com... claro que é com palavras


uma estória de um amanhecer


que se recusou a acordar


e amanhã


amanhã talvez tenha alguma coisa para te dizer


não sei o quê


não o sei


porque amanhã


amanhã é amanhã


e amanhã não sei o que te direi


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 7 de Março de 2014


17.03.12

Amanhã vou perceber


O sorriso das árvores


E as lágrimas das pedras sobre a montanha,


Amanhã,


Amanhã vou voar


Como uma finíssima folha de papel sobre o mar,


 


E sei, e sei que ninguém me apanha…


E sei,


E sei que o néon da solidão vai morrer


E que dentro de mim,


E que dentro de mim um rio vai nascer


E correr para o mar.


29.06.11

Hoje se eu sou


Ontem não o era


Hoje um miserável dia do calendário


Um número sem importância pregado na parede,


 


E onde se esconde a parede


Que deixou de existir?


Hoje apenas um silêncio


Que separa a cozinha da sala,


 


Durante a noite a parede consumida


Pelas estrelas de papel


Hoje se eu sou


Ontem não o era,


 


E amanhã certamente não sou


O eu de hoje


O ontem de eu…


O amanhã que não existe.


18.05.11

Em mim não amanhã, não a certeza se chegarei a logo e olhar o fim de tarde junto aos barcos, sentar-me no silêncio e esperar…


Esperar o quê?


O que posso eu esperar do amanhã se nem a certeza tenho de conseguir ver o logo, e depois, e depois ainda tenho o tormento da noite.


Em mim não amanhã, não nada que me construa um sorriso, em mim apenas os meus braços enrolados aos cortinados do agora, olhar-me pela janela da solidão e esperar, esperar sentado junto aos barcos.


 


 


Luís Fontinha


18 de Maio de 2011


Alijó


31.03.11

Amanhã as tuas mãos hoje de seda


São húmus dilacerado


São sonhos de infância


Amanhã.


 


Amanhã as tuas mãos hoje de seda


São o meu cansaço


A Galáxia onde nasci


E hoje


Tão distante estou…


Amanhã


São o infinito


São electrões, positrões, e tudo que termine em ões…


 


Amanhã.


 


Amanhã as tuas mãos hoje de seda


São o Outono


Triste


Cansado…


 


E será que amanhã


Estarei vivo


Para ver as tuas mão hoje de seda


Serem húmus dilacerado?


 


Possivelmente, não…


 


 


Luís Fontinha


Alijó


30.03.11


 


 


Pego num livro de A. Lobo Antunes e suspendo a minha revolta nos cachimbos estacionados na estante dos livros. Pensando melhor, ninguém, nada, têm culpa da minha fúria, pego num livro e converso com as personagens, e enquanto me alimento de páginas deliciosas, esqueço-me das necessidades à minha volta.


Talvez amanhã seja outro dia, talvez amanhã o sol me ilumine, talvez amanhã o mar entre pela janela e se deite na minha cama.


Talvez amanhã, hoje, hoje não…


 


 


FLRF


30 de Março de 2011


Alijó

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