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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


22.11.21

Quando o beijo

Se abraça à derivada

Da saudade,

Integra-se o desejo,

Liberta-se a madrugada…

E acorda a verdade.

Depois de integrado,

O desejo voa em direcção ao mar,

Senta-se no chão molhado,

Senta-se, senta-se para conversar.

E conversa com o menino,

E brinca com a sombra desse menino,

Depois, aparece a equação do silêncio desesperado,

Triste,

Triste e cansado;

Triste, triste como o sino.

Na igreja deitado,

Entre parêntesis e vossemecês e excelências…

Menino traquino,

Menino das ciências.

Quando o beijo

Se abraça à derivada

Da saudade,

E da saudade,

Ouvem-se as palavras da despedida.

São versos, são prosas, são pedaços sem medida…

São beijos, são esqueletos de lata,

Que correm, correm, correm para o mar;

Para o mar que mata.

E esta equação

É tão preguiçosa,

Senta-se junto ao mar,

Lê AL Berto, Pachecadas e afins…

Afins de matar.

Puxa da espingarda,

Fuma um cigarro envenenado,

Escreve na ardósia: abaixo a guarda,

Abaixo o enforcado.

Somos corpos enlatados,

Somos papeis descartáveis nesta pobre cidade,

Abaixo os enforcados,

Abaixo a maldade.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 22/11/2021


23.04.19

As rosas são como o amor.


As de papel, claro,


Secam,


Folheio cada pétala,


E em pedacinhos de nada,


Fumo-as.


O amor arde,


Será que depois fico apaixonado?


Ou louco?


Será a loucura clonagem da saudade?


Ou será a saudade apenas o fingir que se ama…


Fico estonteante,


As rosas, em papel, depois de fumadas… enlouquecem as mãos do poeta.


A caneta de tinta permanente começa a lançar borrões sobre as palavras,


O resto das pétalas das rosas, como-as…


Como se fossem uvas,


Ou laranjas,


Ou tâmaras…


(fofam-se as tâmaras)


O amor é fumo, pedaços de cinza, morrão, papel queimado.


E no fim do dia, acabará o amor?


E se eu fumar o poema?


A cidade comer-me-á?


As rosas são como o amor.


As de papel, claro,


Secam,


Emagrecem,


E morrem.


Se as rosas morrem! O que acontecerá ao amor que é uma rosa em papel?


Os cromossomas,


As células loucas no pulmão da minha mãe…


Mas o amor… esse… vive… está lá…


Sentado sobre a mesa-de-cabeceira.


Ao lado tenho um livro de AL Berto…


Que mais poderia ser…


AL Berto.


O Pacheco é mais livro de secretária, de café,


Adoro tomar café com o Pacheco.


Sabes… puta que os pariu.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


23/04/2019


25.07.15

Digam-me o que é o amor?


Este corredor de esqueletos em papel,


Por favor… AL Berto!


Ama-me como amaste as palavras,


A cidade,


O silêncio em falsas telas,


As cores,


Enigmáticas,


Fantasmas sombras nos meus lábios embrulhados nas ruelas sem saída,


O teu corpo adormecido nas minhas mãos,


O amor,


A morte do amor,


Os tristes dias do amor…


Que eu perdi na infância,


Desenha-me meu amor


Nas tuas coxas nocturnas das fotografias embalsamadas,


Perdi o nome,


Sou um pedaço de cartão em fogueiras madrugadas,


Um falhado engate…


Que só tu consegues suicidar-me.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


25-07-2015


19.07.15

Nunca soube quem eras, pertencias às tardes de espuma que brincavam no meu imaginado Oceano, a planície recheada de sombras e infindáveis gritos de geada contra os pinheiros em cartão, os corpos suspensos numa corda invisível, triste, nunca soube porque pertencias às fotografias poeirentas quando regressava o sonho, embrulhavas-te nos finos silêncios da vida, desenhavas a dor no esquecimento da alegria,


- A vida é uma corrente em aço sonolento, dizias-me enquanto eu lia AL Berto, pensava que me mentias apenas para me confortares, admiro a força das tuas palavras, as esplanadas junto ao Tejo, e eu


Mentia-te como te minto neste momento, sei que não acreditas em mim nem nos meus barcos embalsamados, querias a noite, e eu


- Desenhava a noite no teu peito,


Fugias de mim,


Acreditavas nas cidades incógnitas, não dormias porque não sabias se eu acordaria mais, acordei, chorei, amei, e caguei nas tuas mãos,


Fugias de mim, meu amor,


A noite levava-te para outro continente, vestias-te de chuva, na cabeça o sorriso da pura inocência que a madrugada deixava em ti, desenhavas a noite no meu peito, saltitavas nos meus lábios cerâmicos, enquanto te escrevo oiço o poema de AL Berto dedicado a Cesariny, “tão triste,


Mário!”,


- Tão triste esta alvorada sem identificação, e novamente, tu, a vida é uma corrente em aço sonolento, uma gaivota, um pedaço de maré assassinada pela ausência, a partida, sempre sem regresso, sempre tão simpática…


Boa noite…


- A vida…


Pode ser, qualquer coisa que me faça esquecer os dias, as noites e as máscaras do meu rosto.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 19 de Julho de 2015


05.04.15

Desce a noite pelos teus ombros de silício


Percebo na tua voz


O silêncio poema da paixão


O falso livro


Embrulhando-se nos teus seios


Em prata


A sombra


O prateado fugitivo


Descansando o olhar numa livraria


Livros


AL Berto


Lobo Antunes


 


Saramago


Pacheco


Livros


Estórias


Cesariny


A sombra


Lapidando o teu corpo


Oceano de palavras


Mergulhadas no teu púbis


A madrugada


Livros


Perdidos


 


E achados


O amor


Meu amor


O significado verdadeiro da saudade


Nos dardos envenenados da solidão


A fala


Não


A sanzala mergulhada em lágrimas de cartão


O vento trazendo as coxas do capim


Oiço-a enquanto durmo


Os seios minúsculos


Masturbados na poesia nocturna da alegria


 


A noite


Não


A fala


Os lábios incinerados na lareira do prazer


O suor alicerçado à tua pele


A húmida vagina em imagens tridimensionais


O PET


O maldito PET


O juízo


A mentira


A insónia


Novamente


 


Triste



As ruas do teu sofrimento


A lotaria da vida


Morres


Não morres


Vives


Em mim


Meu amor


Vives nas minhas veias semeadas de tempestade


A saudade


Novamente


 


No meu corpo


O pénis encarcerado numa estrofe


O enjoo da solidão


Quando à nossa volta gravitam


Sombras…!


A penumbra tarde de Novembro


Nas janelas do Hotel da Torre


Belém


A vagina procurando cacilheiros de luz


Um cigarro


Dentro de mim


Aso beijos


 


E eu sabia que a carta


Sem destino


Morreu


O amor das sílabas encarnadas…


Travestis amigos numa mesa


A vertigem do amanhecer


Acariciando pássaros e cavernas de medo


Não tenho morada


Cidade


Casa


Rua…


Mas tenho um poema para ti meu amor.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 5 de Abril de 2015

...


20.03.15

Não, não amanhã, amanhã vou à cidade, deixar o meu cadáver para ser enviado para a Metrópole, uma ardósia no peito, 123768979/66,


Só isso, pai?


Só isso, quando chegamos,nada tínhamos, apenas um caixote de nada, um rio nas veias... e tu


O mar, pai?


Morreu, disseram-me..., não percebi, morte!!!!!


O que é a morte, pai?


Voar, 123768979/66... em combate, o silêncio do Grafanil, os sorrisos das mangueiras nos meus lábios,


E...


Pai?


Sim, filho, Margarida reaparece da escuridão, tinha como hábito brincar na areia branca da praia dos sonhos,


Mãe, o pai?


Ficção, tudo isto, nada, a dor, acordava de madrugada a gritar por granadas, G3 e literatura, literatura, mãe?


Poesia, textos, trazia na algibeira da farda...


Farda, mãe?


Poesia, textos, trazia na algibeira da farda... toda a sua estória, as canções de menino, os primeiros beijos,


Margarida?


Sim António...


Viste os meus livros de “AL Berto”?


Talvez no chão, a carta, o sorteio


Três milhões de mortos,


Mortos?


Não, mortos não, Euros


Três milhões de Euros, meu filho?


Sim, mãe, sim...


 


 


(Ficção)


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 20 de Março de 2015


03.06.14

Eras o meu poema,


vestias calças negras,


sorrias enquanto eu te olhava,


silenciavas-te enquanto eu sonhava,


 


Cerravas as pálpebras, e voavas,


 


Trazias na algibeira das calças negras apenas algumas vogais e umas tristes sílabas,


conversávamos e não conversávamos...


e éramos absorvidos pelo Luar,


 


Regressava o vazio,


a dor,


e do sofrimento havia sempre luz com braços de Várzea,


acenavas-me, e eu nada fazia, e deixa-me adormecer,


gritavas pela noite, e tínhamos a noite,


nas tuas calças negras,


a penumbra,


e sombrias palavras,


como o coração de um condenado à poesia,


queria ser astronauta, e fiquei-me por um simples aprendiz de feitiçaria,


que hoje recorda os barcos do Tejo e uma Lisboa adormecida,


e um magala procurando engate...


 


O comboio soluçava quando ouvíamos (Belém!!!!!!!!!!!!!!)


acordávamos,


e sonolentos... aportávamos no primeiro bar do amanhecer,


 


(Eras o meu poema,


vestias calças negras,


sorrias enquanto eu te olhava,


silenciavas-te enquanto eu sonhava),


 


Eras o meu poema,


a sinfonia abstracta que invadia a nossa janela de cristal...


Líamos AL Berto, Cesariny e abraçávamos-nos como duas gaivotas loucas,


encalhadas num velho Cacilheiro,


eras o meu poema,


eras a minha viagem,


balançava o cortinado de papel,


víamos o mar a dançar no tecto da alvorada,


respirávamos, não respirávamos...


(O comboio soluçava quando ouvíamos (Belém!!!!!!!!!!!!!!)


acordávamos,


e sonolentos... aportávamos no primeiro bar do amanhecer),


e havia sempre um velho esqueleto à minha espera,


descia a velha escadaria, e,


- Tem um cigarrinho? E fumávamos até deixar de ser manhã...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 3 de Junho de 2014


09.04.14

A correspondência pesadíssima balançava no meu braço esquerdo, de mão amachucada dentro da algibeira, procurava cigarros com sabor a saudade, o carteiro nem tinha começado o giro e já se encontrava cansado, sonolento, e o carteiro... eu mesmo, disfarçado de andaime ambulante e despropositadamente peguei num subscrito, apenas porque chamou-me a atenção a quantidade de selos e os desenhos dos mesmos, deslumbrantes como as planícies iluminadas das ruas embriagadas de uma cidade em construção,


Deve vir de longe, pensei,


E eu, eu ali, suspenso entre o olhar obtuso e a penumbra neblina do fumo do meu pobre cigarro, comecei a manuseá-lo como se fosse o rosto de alguém desconhecido, alguém que pela primeira vez tocava nas minhas mãos, senti um leve arrepio e sou embrulhado em palavras, confesso, palavras que nunca na minha vida de carteiro tinha encontrado, tocado..., ou, tocar toquei..., mas apenas nos selos, e por alguns minutos,


Acariciado?


Isso, acariciado, isso, acariciei,


E repentinamente sou invadido por pequeníssimos sons metálicos, e





“Canadá, 09/04/2014


Meu querido,


Devido às circunstâncias que tu já conheces, fui obrigado a ausentar-me desse País e da tua vida, não sei se o fiz de livre vontade, não sei se o devia ter feito, mas..., e fi-lo acreditando que me libertava da tua voz, não o consegui e ela permanece entranhada no meu corpo esguio de árvore caduca, e não estou arrependido, não, não estou arrependido,”


Entre o silêncio sinto a dor que o meu cigarro provocava nos meus dedos e o cheiro a pele queimada, sentia-me tão embalsamado pelas palavras que me embrulhavam que acabei por esquecer-me que estava a fumar e que o diabo do cigarro tinha acabado de morrer, a morte, sempre a morte dos cigarros, essa sim, o medo que me atormenta, quando vejo e sinto a morte de um, seja um só ou vinte, ou trinta...,


E voltava a sentir no meu esqueleto as tais palavras que eu nunca duvidei que vinham do subscrito que poisava na minha mão,


“Ontem estive a reler as nossas cartas, tanto tempo passou entre as equações dos nossos corpos na ardósia de um velho divã e o sentido poético dos teus dedos, lembras-te quando lias para mim AL Berto?, lembras-te quando lias para mim Cesariny?, ontem percebi que as Acácias deixaram de sorrir quando entraste naquela ruela sem janelas, e tu, e tu nunca mais regressaste, e tu”


Possa... que não entendo nada disto!,


“E tu começaste a ter asas, a sair de casa manhã cedo, e às vezes, nem regressavas no final da tarde, e eu sentia que te perdia como o marinheiro sabe quando a sua embarcação está prestes a afundar-se... e pluf, novamente silêncio, e pluf, novamente Primavera,


E pluf, entravas casa adentro e com o teu sorriso de solidão dizias-me


Olá amor!,


E hoje enquanto relei-o as nossas cartas, algumas delas parecem os cigarros do carteiro aí da tua rua, cartas mortas, descoloridas, e os corações desenhos por mim..., não corações, desapareceram como desapareceu o cinzeiro de prata que levaste para vender e em troca


Pluf,


Mais um regresso adiado, e eu, eu acreditava sempre, sempre,”


Procuro outro cigarro, sinto frio e percebo que alguma coisa não está correcta, aquelas palavras e aqueles sons metálicos deixavam-me totalmente desnorteado, tremia, ressacava, e no entanto, e no entanto conhecia aquela voz que vinha da escuridão,


“Meu querido, espero que entendas a minha ausência, espero...”


Deixei de ouvir a voz e cada vez menos chegavam a mim os metálicos sons, até que


“Despeço-me com saudade,


Sempre,


Alberto”


Volto a colocar o subscrito na sacola e começo a caminhar para a primeira casa da rua, a Dona Joana esperava a carta da filha que tinha partido para Lisboa, ainda menina, ainda inocente,


E uma luz preenche as minhas pálpebras de verniz, os meus olhos pareciam cortinados negros sem vontade de correrem em direcção ao cais dos cigarros mortos, aos poucos, muito devagar... vou-os abrindo como quem abre pela primeira vez uma porta de entrada de uma casa descolorida e percebi, e percebi que tinha sonhado,


E percebi que não havia carteiro nenhum e percebi que nunca existiu subscrito nenhum, e tão pouco conheço alguém que viva no Canadá...


Corro para o banho e depois de alguns minutos a sacudir as palavras do subscrito..., percebi que nem da cama ainda tinha saído.








Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 9 de Março de 2014


09.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Quem imaginava que a uma mesa de café, recheada de senhoras donzelas... uma delas me observava, uma delas me desenhava nas sombras alegres dos jardins invisíveis do Outono em construção, oiço o PLANETA 3, e imagino-a sentada num granítico banco de jardim, em frente ao café da esquina e ela


Ela olha-me como se eu fosse o espelho da criação ingénua dos livros ainda não escritos, percebo agora que não estou só, percebo agora que me guiam, que me


Desenham nas paredes do vizinho AL Berto? E ela? Ela vagueia entre as searas imagináveis dos campos em papel de parede, há chávenas de café com pequenas migalhas de sílabas que sobejaram das conversas, algumas delas, das conversas


Sem sentido?


Os olhos, os lábios, as vogais impregnadas nos versos escritos nas mãos do desejo, imagino-me vestido de branco e correndo junto às amoreiras em flor, e chorando junto aos candeeiros das noites com conservas em lata, quem


Quem imaginava?


Que a uma mesa de café, os óculos superficiais nas testa dele... e aos poucos deslizavam até aterrarem nos olhos das flores com pétalas de paixão, sou eu, a minha fotografia sofre, a minha fotografia... morre? Não, não percebo


Sem sentido? Desenham nas paredes do vizinho AL Berto? E ela? Ela vagueia nas pálpebras dos telhados em colmo, havia nuvens de prata e sonhos de plátano, havia um recreio onde habitava um pinheiro ranhoso, doente, com bicos mínimos que depois de poisarem nos nossos corpos...


A paixão das palavras submersas nos seios dela, havia vidros e dos vidros espelhos e dos espelhos


Cacos?


Eu, um imbecil que para o futebol parecia uma formiga correndo dentro de um corredor de açúcar, sem jeito, e de pontaria desafinada, e claro


Os vidros escacados, e claro


A paixão?


À mesa do café, a saudade da presença das conversas em melodias com parecerias ínfimas e das sandes de queijo o molho de tomate a olhar os óculos de sol dele, atrofiados, incrédulo, redondo como uma bola de cacos e folheados em pedaços de xisto com cebola, havia também uma mão onde brincavam beijos afogados em berços de porcelana, eu também acreditava nas mesas de café, nos cinzeiros e nos cigarros, e


Os vidros escacados, e claro


A paixão?


Os cacos da vizinha do vizinho


AL Berto?


Os poemas dele quando se entranham nos corpos nossos, somo vampiros vestidos de esqueletos, uns de vidro, outros de saudade, e outros


Paixão?


E outros vestidos de paixão com pequenos adornos de suor às línguas tímidas dos silêncios em sôfregos olhos quando descem-lhe os óculos de sol, cerram-se as pálpebras, cerram-se as manhãs sem cortinados na janela e cerram-se os pedaços em madeira da lareira da sala


Fazíamos amor à mesa do café e tomávamos café sobre um divã de complexos orgasmos, sou assim, sou um


Desalinhado?


Não, não vizinho...


AL Berto?


Os vidros escacados, e claro


A paixão?


Os cacos da vizinha do vizinho


AL Berto?


Os teus livros em mim como as minhas palavras nela,


Sabendo eu que amanhã todas as ruas da tua cidade ficarão ofendidas com os meus olhos, e daqui em diante


Nunca mais agrestes guindastes sobre barcos de papel,


Sabendo que tu


À mesa do café embrulhada em coisas, e coisas das coisas com sabor a coisas... as coisas de ti e escritas no teu corpo.


 


 


(não revisto – ficção)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 9 de Novembro de 2013



27.09.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Acredito que o Sol voltará a brilhar nas íngremes encostas mergulhadas nos seios mendigos do rio mais belo do Universo, acredito que a chuva das vindimas transformar-se-á em pequenos balões de hélio sobrevoando as lâmpadas do silêncio como xistos em revolta, acredito que todas as grades em aço que cercam as prisões brevemente acordarão vestidas de botão de rosa, de muitas cores, e em pétalas poeira cintilando nas mãos tuas madrugada


Liberdade?


Liberdade...


Viver como um pássaro e voar como um barco cambaleando sobre as ondas sonoras dos poemas de AL Berto, do cimo da montanha e em pétalas poeira cintilando nas mãos tuas madrugada, ele revestido a prata, ele sorrindo, poisando o desejo sobre a mão dela,


Acredito que as nuvens vão ser de algodão, leves, leves como os círios da Igreja onde me esperas quando eu morrer, e sem lágrimas, e sem demandas... acreditarás que eu vou voar e que mais tarde... mais tarde nos encontraremos junto a uma mangueira, e sobre nós sombras de cacimbo e o latejo dos mabecos felizes por


Acreditares,


No futuro, na liberdade, nas grades em aço que transformar-se-ão em rosas, rosas, rosas com lábios encarnados,


Perfumadas pois então,


Nós


Felizes


E viveremos nas encastradas encostas da chuva em vindimas de pergaminho, ouvem-se os pais beijarem os filhos, vêem-se as mães acreditarem nas alegrias dos filhos, ouvem-se os arbustos despedirem-se do ferrugento barco em suspiros profundos


Fundeando há vinte anos..., afundam-se e gritam


Os outros,


Liberdade, acredito que as flores vão ser de papel, e que dos meus livros, e que dos meus livros acordarão todas as personagens que vivem em mim, estas há mais de vinte anos, e no entanto, não tão ferozes como as outras,


Tudo servia para comer,


O quê?


Tudo, tudo... e até as pedras acreditavam no medo...


O medo?


Em capa dura, do amarelo sobressai o peso de um corpo em ziguezague, sonolento, o título é em oiro futuro, e ele


Embrulhado em plumas de cetim


Acreditava que “O medo” não tinha medo,


Acredito que com a trovoada vêm as sílabas palavras com pele sedosa, e das caricias de uma gaivota, ele


Acredita,


Acredita que o mar é de todos, que o Sol iá nascer para todos


(enquanto hoje, apenas alguns dementes têm o prazer de o ver)


Nunca vi o Sol, não sei como é o Sol...


Mas acredito que existe, que vive, sorri...


(Perfumadas pois então,


Nós


Felizes


E viveremos nas encastradas encostas da chuva em vindimas de pergaminho, ouvem-se os pais beijarem os filhos, vêem-se as mães acreditarem nas alegrias dos filhos, ouvem-se os arbustos despedirem-se do ferrugento barco em suspiros profundos


Fundeando há vinte anos..., afundam-se e gritam


Os outros),


Não sabem que a chuva das vindimas é uma mulher nua abraçada a cachos de uva, em seu redor, um louco grita,


Acreditar,


E eu, que apaixonei-me pela chuva...


Acredito.


 


(Não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013


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