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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


28.10.23

Encosta o teu olhar

Ao meu olhar,

Abraça-me, abraça-me clandestinamente

Como se eu fosse um foragido,

Um condenado por um qualquer pequeno delito,

Enquanto me sacio com esta lareira,

Que me ilumina, que nos ilumina…

Quando mais logo, quando mais logo regressar a noite…

E a noite nos beija,

Nos beija sibilinamente,

 

Abraça-me, encosta o teu olhar

Ao meu olhar,

Abraça-me clandestinamente,

Enquanto todos os pássaros dormem,

E a noite se veste de poema.

Abraça-me e encosta o teu olhar

Ao meu olhar,

Abraça-me enquanto a lua poisa nos teus seios…

E o luar,

E o luar escreve em ti… amo-te,

Dos teus olhos de mar,

Como eu,

Clandestinamente.

 

 

28/10/2023


29.09.23

Abraça-me enquanto esta equação

Se resolve na contraluz do desejo

Abraça-me no limite inferior da paixão

Quando da integral do silêncio… recebo um beijo

 

Abraça-me enquanto Deus não me vem buscar

Abraça-me antes que esta equação deixe de ter sentido

Que esta equação se transforme em mar

E depois num qualquer sorriso sofrido

 

Abraça-me na lentidão da noite escura

Das flores envenenadas

E das palavras e da solidão que dura

 

Eternidades de permanente desassossego

Abraça-me em todas as madrugadas

E sem medo

 

 

29/09/2023


23.09.23

Vieram as primeiras chuvas

E levaram-no para o mar

E levaram-no num abraço

Vieram as primeiras chuvas

Veio o cansaço

E o abraçaram

E o levaram

Para o mar

 

Vieram as primeiras chuvas

E levaram-no para o mar

E levaram-no para os teus olhos de mar

Perdidos nas primeiras chuvas

À procura do mar

 

Vieram as primeiras chuvas

E levaram-no para o mar

E levaram-no para os teus braços de embalar

Vieram as primeiras chuvas

As primeiras lágrimas de amar

 

 

23/09/2023


08.07.23

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Desenho um abraço

Em silêncio abraço

Nos olhos da Lua

Dos olhos do mar,

Escrevo um sorriso

Nos lábios do Sol,

Em silêncio sorriso…

O abraço desenhado,

Nos olhos da Lua…

 

Desenho o tempo

Em perfeito juízo

O abraço desejado

Do abraço prometido

Sentido…

Na fimbria madrugada,

 

Desenho o poema

Do sofrido poema

Nos olhos do mar

Em silenciado sorriso…

Deste poema amargurado

Triste…

Neste poema sem sentido

Quando da noite…

O silenciado abraço,

Morre…

Nas mãos do Luar.

 

 

 

08/07/2023

Francisco


07.07.23

Enviei o meu currículo a Deus

Talvez

Talvez ele me queira como assessor

Talvez como chefe de Gabinete

Secretário de Estado

Ou mesmo Ministro…

Olha

Ministro da Poesia,

Não andei de bandeira na mão…

Mas prometo que vou andar.

 

E se Deus quiser

Eu também quero

Que o dia acorda sempre depois do um outro dia terminar a sua árdua tarefa de ser dia,

Quem diria que ele conseguia…

Subir à copa das árvores

Sentar-se à sua direita

Depois puxar de um cigarro

Inventar um abraço no perfume das flores…

E lançar-se sobre o mar,

 

A morte é o seu destino

Pois claro

Nem poderia ser uma outra coisas,

As lâmpadas

Todas fundidas

Se é mais barato trocá-las agora ou para a semana…

Tanto me faz

Quero lá eu saber das lâmpadas

Quando sobre mim

Tenho uma lâmina de insónia

Quase a desfalecer

E que nem Médico de Família tem

Coitada da lâmina de sono

Coitada,

 

Talvez logo

Muito mais logo

Ainda eu acordado

Deus responda ao meu currículo…

E me abrace…

Como se abraçam os rabiscos das minhas telas…

 

 

 

07/07/2023

Francisco


07.07.23

Abraço-me a este corpo rejeitado

A este corpo não tocado,

Abraço-me e imagino o mar

No meu corpo cansado,

Imagino o mar

Que me toca

Que me acaricia…

Que me segreda que me ama,

 

Abraço-me a este corpo desajeitado,

Pedaço de silêncio perdido nesta floresta…

Abraço-me a este mar invisível,

Que conversa,

E me faz sorrir,

 

Abraço-me a este mar…

Que fala comigo sobre poesia,

Que brinca comigo dentro da insónia…

E me faz acreditar,

Que a cada dia…

Há um sonho para sonhar,

 

Abraço-me a este pedaço de sono invisível,

Que procura dentro deste labirinto…

Um outro labirinto,

Abraço-me a este mar salgado,

A este mar…

Sem perceber,

O que tem o meu corpo…

Para não ser tocado.

 

 

 

07/07/2023

Francisco


10.06.23

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Entre os parêntesis da manhã

Peço a Deus que me abrace

E desenhe no meu simplório olhar

Uma pequena lápide de sono

Uma lápide quase invisível

Com letras negras

Negras e muito pequeninas

Bem negras e bem pequeninas…

Nasceu a…

Faleceu a…

 

Depois

Depois peço a Deus que escreva nos meus lábios

O silêncio da noite envenenada…

Peço a Deus que não me traga a madrugada

Não

Hoje não me apetece ter a madrugada,

 

Entre os parêntesis da manhã

Peço a Deus que me abrace

Nem que seja um fictício abraço

Quase invisível

Quase… quase nada,

 

Depois de pedir a Deus tanta coisa

Das poucas coisas que tenho

E de ele saber que eu não acredito em Deus…

Ele ri-se…

Ri-se da minha ignorância

Do gajo nada

Pedir tudo

Quando o tudo não existe

E é apenas uma equação

Na espuma dos dias

Quando os dias… são o nada

E o nada…

São estes pequenos dias.

 

 

 

Francisco

10/06/2023

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