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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


15.03.15

Árvore


que cai no lamacento pavimento do sorriso


se deita


e fica


imóvel


tranquila


na árvore


a conquista não conquistada


o fervoroso sono da alquimia


o centro


o ponto imaginado pela mão do regresso


e fica


 


árvore


caída na circunferência do amor


e a paixão


imóvel


corre


corre...


porque a terra é um poço invisível


porque há nas palavras pequenos silêncios


a humidade


dos corpos


no chão


o cheiro


 


que parte


e não volta


o teu perfume secreto


nas pálpebras da manhã


e fica


árvore


sofrida


perdida nas pedras da calçada


desce e sobe


e senta-se...


no chão


dos narcisos em putrefacto esqueleto da escuridão nocturna...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 15 de Março de 2015


17.08.14

Há nesta árvore nua e ensonada,


uma vida sem alma,


um corpo fusco com odor a embriaguez,


há nesta árvore um sorriso,


uma varanda com fotografia para o mar,


o silêncio é contagioso,


doença que invade o alicerçado enforcado...


o homem que inventa tristezas,


o homem que escreve insónias,


há nesta árvore estórias,


madrugadas sem nome,


o homem...


o homem das asas negras,


esperando o regresso da jangada de granito,


ele não resiste,


e insiste...


desenhar na tempestade o infestado grito,


há...


há nesta árvore nua e ensonada,


um poeta em chamas..., um poeta que arde na fogueira...!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 17 de Agosto de 2014


25.05.12

ao longe


a eterna morte vestida de árvore


com pássaros azuis


e nuvens encarnadas


 


ao longe


a eterna morte na fogueira da literatura


com poemas de fogo


e palavras de néon


 


ao longe


a morte vestida de branco no espelho de árvore


com lápis de cor


com lábios cinzentos


 


ao longe


eu


eu vestido de morte


com um livro de poemas na mão...


27.06.11

Os teus braços fraquejam


Vergam como os ramos de uma árvore


Mergulhados na tempestade,


E enquanto vergam


E não partem


Os teus braços suspensos no meu pescoço,


Um sorriso no teu rosto permanecerá


Vivo


No cansaço dos dias…


A tempestade cessa


E os teus ramos de árvore


Alicerçados no meu corpo junto ao mar,


 


E não me importo de esperar


E não me importo de te amar,


Porque enquanto fores árvore


Porque enquanto eu tiver forças para te segurar…


 


Os teus braços fraquejam


Vergam como os ramos de uma árvore,


 


Mas eu não os deixarei partir


 


Eu não os deixarei tombar.

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