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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


15.06.14



foto de: Stéphane Spatafora Photographe


 


O vazio,


e falsas esperanças mergulhadas no buraco da solidão,


o vazio que se traveste de dor, o silêncio que embrulha o sofrimento,


este rio que são as tuas mãos, perdidas no musseque anónimo da paixão,


as crianças saltam até agarrarem as flores que habitam o tecto da noite,


vazio, sisudo... sentido proibido de amar,


o vazio imprevisto, descontínuo... o vazio agreste dos olhos da estátua de granito,


há sombras que embriagam os teus seios de porcelana e eles, eles a construir sorrisos desde...


 


(desde o último luar)


 


O amor,


também ele, vazio,


pobre,


ângulo obtuso quando alimentado pelo púbis da madrugada,


 


(hoje não corações, hoje não beijos – a esplanada recheada de vampiros)


 


O vazio,


homem rude, homem dos sete ofícios, o homem mendigo que descobriu a falsa esperança,


o fantasma,


o vazio dos telhados que a cidade ignora, despreza, que a cidade... não quer,


 


Que cidade é esta?


 


Vazia,


sem pessoas, sem imagens, sem..., sem nuvens,


o sombreiro carnívoro que devora todas as palavras que a tua pele transpira,


gotículas de poesia descendo o teu corpo, até que a falsa esperança ilumina o teu cabelo,


e sei que deixou de viver,


hoje... nada, a cidade provocadora, a cidade dos teus suspiros,


uma porta que se encerra, e morre, e levita,


a lanterna do Adeus, sempre acesa, sempre pronta a suicidar-te com os beijos de alvenaria cansada,


 


(hoje, hoje não)


 


Que cidade é esta?


 


(desde o último luar)


 


Que deixei de amar a espuma dos espelhos de amanhecer,


e sem o perceber,


descobri que a falsa esperança... que deixei de amar, não existe mais,


o vazio, o vazio corpo da sílaba encarnada...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 15 de Junho de 2014


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