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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

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05.04.15

Não sei a quem pertencem os teus olhos


Esboçando sombreadas canções nos meus braços


A luz incendeia a noite em despedida


Não sei a quem pertencem


Os olhos


As cidades


E os distantes lugares


Dos teus lábios


Lábios


Em chamas


Sinto as nuvens nos meus ombros


E tenho nas pálpebras


As húmidas manhãs de Primavera


Os olhos


Não sei


Como às palavras roubadas


Enquanto os pigmentos da paixão


Alicerçavam as cordas da prisão


O cais


O teu corpo fundeado em mim


Respirando as sílabas do primeiro encontro


O cruzamento


A estrada da vida congestionada


E os olhos


E as palavras


Lábios


Em chamas


Esboçando…


Clarabóias de medo


Nas frestas do silêncio


O amor


A solidão vestida de amor


Lá fora


Os olhos


Numa fotografia de família


Os pais


Os irmãos


E


E os olhos


Lá fora


Nas palavras


Sempre as palavras dos teus seios


Nas rodas dentadas do desejo


A claridade das tuas coxas


Os olhos


A boca


O sémen estampado numa tela


Branca


Negra


A noite


Vens


Desces os socalcos do prazer


Despes-te e danças para o espelho da melancolia


E o amor


Vens


Despes-te


Nos olhos


Dos olhos


O poema brincando na tua pele de madrugada


Acabada de nascer


Apagam-se as personagens dos versos


Ficam na tua roupa


Como cadáveres de espuma


Fingindo orgasmos


E Domingos num parque infantil


Brincando


Nos olhos


Os olhos


Nas palavras


E nos destinos mais escondidos da tua mão…


As cidades respiram


Meu amor?


As cidades sentem no corpo


As melódicas canções do poema


Meu amor?


O papel inanimado sobre a secretária do pensamento


Os fósforos pontapeando pedaços de lágrimas


Contra o copo de uísque


Sem nome


O corpo da cidade


Dói-lhe


Menina?


Os livros acorrentados ao teu cabelo


E as serpentes do luar


Dentro de quatro paredes


As janelas onde poisas o queixo


No meu colo


A tua cabeça de diamante


Não lapidado


O sorriso


O sorriso apaixonado de uma vogal


E da cidade


As tristes âncoras da morte


És


Meu amor…


O triste silêncio das âncoras de prata…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 5 de Abril de 2015

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