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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

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30.11.19

O sono traz o sonho.


O sonho, o meu, alimenta-se das teias de aranha da madrugada.


O sonho, encarcerado.


Menino.


Drogado.


O sono dentro de um cubo de vidro.


Quando o sonho, da parte de fora, fode o xisto cansado da viagem.


O sonho é um travesti.


Travestido de sono.


Deita-se na calçada.


Come cigarros de vento.


O sono é um veneno.


Como o sonho.


Um engano.


O sono traz o sonho.


O sonho, meu amigo, é o prazer das prostitutas em delírio…


Zangam-se.


Comem-se.


E nada faz querer que a noite tenha culpa da constipação dos proxenetas da alvorada.


O sono.


No sonho.


O relógio das pedras enamoradas.


Cansadas.


Das tuas garras.


O sonho encarcerado.


Dentro da casa abandonada.


Fria.


Cansada.


O sono é um filho da puta.


Às vezes, aparece.


Outras,


Muitas,


De mim se esquece.


Não o si.


Quando sonho, quando avida, se aquece.


O sonho, no sono, embriagada mulher.


A tristeza, do sono, quando o sonho, emagrece.


Pum. morre o sonho.


Morre a saudade.


De sonhar.


Da vaidade.


Da verdade.


De cansar.


O sonho.


O sono.


Dentro de quarto incompleto.


Entre lágrimas.


Entre linhas.


Entre ossos.


Esqueletos vendidos na feira.


O sonho.


O sono.


Não regressam além-fronteira.


Triste, aquele que sonha.


Alegre, aquele, que desiste.


De dormir.


De se vestir.


E resiste.


Ao temporal do sonho.


Não ao sonho.


Sim ao sono.


Sim ao sono.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


30/11/2019

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