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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

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01.08.11

O caos entra-lhe pela janela e os objetos levitam no compasso de espera entre o cortinado e a sombra na parede, uma abelha poisa-lhe na mão e avisa-o que notícia grave está para chegar, ele encolhe os ombros, dá uma palmada na abelha e esta some-se pela claridade da casa de banho, da sanita começam a emergir moedas de cinco cêntimos e ele na espectativa que brevemente surjam notas de quinhentos euros, diamantes e chã da pérsia, ou quem sabe um poço de petróleo,


Sonhou que dentro do crocodilo em pau-preto existia um fundo falso onde habitavam diamantes, pega no bicho, deita-o sobre a mesa de pernas para o ar e de martelo e formão começa a esquartejar o animal em pedacinhos, a autopsia a meio quando o animal subtrai-se em ais, um pano embebido em clorofórmio resolve-lhe o problema e o bicho volta a deitar a cabeça sobre a mesa da sala e fica em silêncio, e ele pensava onde diabo estará o fundo falso com os diamantes, e quanto mais procurava mais buraquinhos o bicho ficava e quando percebe o bicho desfeito em faúlha e cinza, os dentes de marfim poisados no cinzeiro e quanto a diamantes, quanto a diamantes nem de fantasia,


Mas eu sonhei, lamentava-se ele, espera aí, não seriam as conchas que trouxemos de S. Tomé e príncipe?, a tentar trazer o sonho à realidade, mas aos poucos desistia porque dentro de conchas não se podem esconder diamantes e estas só servem para ouvir o mar,


Vai à cozinha, procura a piaçaba e a pá do lixo e num abrir e fechar de olhos esconde os restos mortais do animal, embrulha-os em flanela cor de uva apodrecida e lança-os ao mar onde se passeiam barcos com remela nos olhos e pingos no nariz, e queria a deus que eles não descubram que esquartejei o bicho com mais de sessenta anos, segredava ele aos barcos,


Entra em casa e corre para a casa de banho, monta guarda à sanita não vá aparecer alguma nota de quinhentos euros e ninguém para a receber, e depois de tanto refletir muda-se de armas e bagagem para a casa de banho; onde come, onde dorme, e onde passa o dia.


Uma semana depois ainda nenhuma deu à costa, e os barcos continuam a passear de remela nos olhos e pingo no nariz, e de vez em quando um submarino sai da sanita, vai à janela e deita um sorriso às nuvens estacionadas sobre o mar,


O caos entra-lhe pela janela e os objetos levitam no compasso de espera entre o cortinado e a sombra na parede,


E das notas nem sinal.

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