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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


30.07.11

A força cansa-se no finíssimo cacimbo


De luanda


E os meus braços começam a evaporar-se na avenida


Nua e crua junto à baía


O vento sopra e com ele vem o invisível perfume da madrugada


E uma manga desprende-se do céu,


 


O mar vem até mim e entra-me pela algibeira


O velhote barco enferrujado ancora nas poucas moedas


E o sol prende-se ao infinito


Um miúdo grita-me,


 


Uma gaivota alicerça-se nos meus lábios


E na chuva miudinha da tarde


A terra em mergulhos no capim


E some-se-me dos dedos…


 


Procuro os cigarros agachados entre as madeixas do meu cabelo


E no meu corpo ergue-se uma nuvem e das lagrimas de cera


Acende-se a manhã


E quando os ponteiros do relógio caminham para a noite


O musseque que brilha no zinco do amanhecer


Funde-se nos meus olhos,


 


E percebo que o meu destino…


Ver o dia caminhar na solidão das minhas mãos


Viver miseravelmente miserável…


E ser covarde.

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