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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

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06.12.19

Francisco Luís Fontinha


 


Lisboa, 87/88


Alijó / S. Pedro do Sul – Carvalhais, 89


Parte I


Pensamentos de um homem morto


 1


Hoje pude olhar o nascer do sol!


Seus raios são luz que iluminam a esperança,


Não de viver, mas de sonhar.


Tudo o que me rodeia, acorda de um sonho adormecido,


A Primavera finalmente encontrou o renascer


De um amor incompreendido.


Tenho medo…, não de morrer, mas… de sonhar!


2


Estou só e todo o silêncio é pouco.


Entre estas paredes de quem sou prisioneiro,


Recordo-me dos mais loucos e distantes pensamentos,


As pedras que me escutam, olham o transformar


Da minha sombra na escuridão, e que é testemunha


Do meu processo de destruição…


O insignificante a que pertence o meu pensamento,


De nada compreende o meu passado…


3


Em cada segundo de silêncio, o meu pobre corpo


Descansa entre o sonho adormecido,


E todo o meu sofrimento é constante,


Vertical, horizontal, é dor,


E tu nunca compreendeste o que me espera,


Eles dizem-me que o fim está próximo,


Não da morte,


Mas de tudo aquilo que não compreendo…


4


As palavras,


Gritam-me constantemente o silêncio da morte.


A alegria que existe dentro de mim


Não é real, é apenas uma vontade sem vontade


De viver um futuro denegrido, hipotecado ao diabo.


A tua sombra faz com que o meu caminho


Seja projectado num passado distante da minha verdade,


E o teu futuro encalha no meu presente.


Ao longe, olho a tua sombra, e o teu sorriso é lindo!


5


Adeus liberdade solitária!


Tu compreendes-me?


É essa a razão que faz o meu destino


Parecer e ser incompreendido.


Há momentos e não momentos que imagino a separação,


E outros, fico só e o meu corpo adormece.


Em breve vou morrer…, e então serei feliz!


6


Tudo parece impossível!


Viver, sonhar e amar…


Até adormecer é impossível.


Serei diferente?


Olho na luz que me ilumina, e duvido da sua presença,


E da minha existência.


Não compreendo a verdade,


E permaneço rebelde além da destruição…, fico contente.


7


A alma que chora no meu infinito,


Faz de mim solitário,


E o meu coração esconde-se no desconhecido.


No presente, não penso o futuro,


E..., momentaneamente esqueço o passado,


Mas tudo parece impossível…


Não me preocupo quem sou,


E gostava de saber quem serei mais tarde…


 


Parte II


O acordar de uma mulher


1


Vou caminhando rua acima


Fugindo do meu ideal,


Ao longe recordo o mar,


E compreendo não ser eu real.


 


Seu olhar olha-me constantemente


E recordo minha sombra,


E um dia…, se voltares a ser minha amante,


Certamente não serei feliz como a pomba.


 


Maldita escuridão!


Serei eu um sonhador?


E pergunto ao meu coração


A razão de tanta dor…


2


Estou perdido


Numa canção onde posso recordar-te,


E não imaginas o que tenho sofrido


Não ser eu capaz de amar-te.


 


Gostava de dizer-te alguma coisa…


E por minha culpa


O sol no horizonte pousa,


E transporta-me para tão grande luta.


 


Conquistei o teu sofrimento


Numa noite em Setembro,


Com os teus cabelos soltos no vento,


Que já esqueci e não me lembro.


3


As folhas caídas


Repousam eternamente neste lugar,


Olho ao longe, as árvores despidas


À espera de um novo luar.


Sozinho e triste


Caminho sobre casas ruídas,


Mas…, o meu amor não resiste


Às folhas caídas.


4


Alem recordo o teu rosto


Repartido pelos movimentos vividos,


Brilhante como Sol-Posto


Imagino horizontes denegridos…


Alem ouço a tua voz


Que me tira as forças para continuar;


E alguém chama por nós


Na razão de amar.


Alem recordo o teu sorriso


Tal como se tratasse de uma estrela cintilante,


Alguém perde o juízo,


E eu, eternamente,


Adormeço no mar…


5


As flores acordam ao amanhecer


Caminhando em distantes mágoas,


Em pensamentos que me fazem reviver


A pureza de suas águas.


 


Recordarei sempre o teu olhar


Tal como o teu corpo,


Sabendo que não te posso amar


Porque brevemente estarei morto.


 


Sofro por tua causa


E desconheço se vou resistir;


Em mim apodera-se uma pausa


E logo me leva a partir.


6


As estrelas deixaram de brilhar


E o mar fica distante!


A noite, transparente, parece reconhecer


Sombras encalhadas na ruela,


E ao fundo, a luz cansada de acender,


Apresenta-me uma mulher muito bela.


As estrelas deixaram de brilhar


E o mar fica distante!


Olhei o meu amor


Escondido na cabana,


Escondia sua voz no tambor


E iluminava objectos de porcelana.


As estrelas deixaram de brilhar


E o mar fica distante!


O caos do meu pensamento


Transporta-me para o final,


E todo o meu sofrimento


Esconde-se como um animal.


As estrelas deixaram de brilhar


E o mar fica distante!


 


 


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