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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

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24.06.12

ao longe


longe muito longe


longínquo


vivem as palavras “acreditar” e “ter esperança”


ao longe


corro


corro desalmadamente


e não lhes consigo tocar


 


ao longe


longe na ardósia da saudade


e deixei de acreditar


e deixo de ter esperança


 


ao longe muito muito longe


longe vivem as palavras


longe dormem as sílabas


de longe longínquo vai o meu corpo à fornalha da solidão


do dia e da noite


as luzes suicidam-se no precipício do oceano


 


ao longe


choro e chora e choro


e mingua e minguo e mingua a charada da vida


na cidade pobre


da cidade perdida


e deixei de acreditar


e deixo de ter esperança


da solidariedade


 


(palavra filha da puta)


 


e deixei de acreditar


e deixo de ter esperança


que um dia


acorde o sol dentro de mim


que um dia


seja sempre dia


debaixo dos plátanos do jardim


que um dia que um dia as estrelas sejam de papel.

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