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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


20.05.17

Nas asas do teu ventre construi caminhos incertos,


Percursos amestrados suspensos na solidão de um bar,


Um copo explode, e morre nos meus lábios…


Ai como eu gostava de pernoitar nos teus olhos verdes!


Escrevia cartas sem remetente,


Palavras sem significado,


Abstractas cidades nos rochedos da morte,


Quando as ruas absorvem as pontes da liberdade,


Amar-te-ei?


Não o sei…


Regressa a noite ao teu sexo,


Funde-se no luar a escuridão das tuas coxas,


E o poeta desalentado, morre, parte para o infinito,


Sinto no teu perfume a fragância da manhã,


Levanto-me tardíssimo, ao pôr-do-sol…


A voz levita nos planaltos da inocência,


Vive-se caminhando na tua sombra doirada,


Uma varanda de néon com vista para o jardim,


Vive-se no insignificante sorriso da distância,


Lá longe, aí vem o levante sonolento homem da infâmia…


E esconde-se na tua pele.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 20 de Maio de 2017


19.03.17

Imagino os teus olhos lacrimejantes nas paisagens do Congo,


Transportavas no corpo as serigrafias do sono…


Que apenas um rio te separava da inocência,


Tinhas na algibeira os cigarros e a fotografia da tua mãe…


Inventavas poemas com palavras esquecidas no capim,


Que o cacimbo apergaminhava na aventura da escuridão,


Lá longe ficava a barcaça imaginária de um dançarino obsoleto,


Sentavas-te nas montanhas da tristeza e rezavas,


Rezavas pela melancolia dos destinos transparentes do olhar de uma serpente,


E nunca percebeste que eu um dia eu te recordaria como um sonâmbulo obscuro,


Que transporta os alicerces de uma cidade em pó…


E em pó te transformaste.


 


 


Francisco Luís Fontinha


19/03/17


18.03.17

Um beijo que o silêncio madrugada


Afaga na escuridão da ausência,


As silabas estonteantes do sono


Que adormecem nas velhas esplanadas junto aos rochedos,


Vive-se acreditando na miséria do sonho


Quando lá fora, uma árvore se despede da manhã,


Um beijo simples,


Simplificado livro na mão de uma criança,


Um beijo,


No desejo,


Sempre que a alvorada se aprisiona às metáforas da paixão,


Sinto,


Sinto este peso obscuro no meu coração,


Sinto o alimento supérfluo da memória


Quando as ardósias do amanhecer acordam junto ao rio…


E na fogueira,


Debaixo das mangueiras…


Os teus lábios me acorrentam ao cacimbo,


Sou um esqueleto tríptico,


Um ausente sem memória nas montanhas do adeus,


Um beijo que o silêncio madrugada


Afaga na escuridão da ausência,


A uniformidade das palavras


Que escrevo na tua boca,


Sempre que nasce o sol


Sempre que acordam as nuvens dos teus seios…


E um barco se afunda nas tuas coxas,


Oiço o mar,


Oiço os teus gemidos na noite de Lisboa…


Sem perceber que és construída em papel navegante…


Que embrulham os livros da aflição,


Um beijo, meu amor,


Um beijo em silêncio


Galgando os socalcos da insónia…


Vivo,


Vive-se…


Encostado a uma parede de vidro


Como leguminosas no prato do cárcere…


Alimento desperdiçado por mim.


Desamo.


Fujo.


Alcanço o inalcançado…


E morro.


 


 


Francisco Luís Fontinha


18/03/17


12.03.17

Há sempre uma porta encerrada


Nos fragosos lábios da madrugada


Uma canção desesperada


Ou um poema envenenado pela alvorada…


 


Sinto o peso do corpo nas lápides do xisto amanhecer


Que uma enxada revoltada consegue levantar


E nas palavras ficam o ser


O ser amaldiçoado do mar


E o amar?


Uma jangada que levita sobre as montanhas de brincar


E só uma criança sabe desenhar


Sobre a fina areia do sonho despertar


Depois o sono que aparece na janela do sofrimento


Como palmadinhas secretas de vento


Contra o meu olhar desonesto e profano


Há sempre uma porta encerrada


Ou um veneno…


Há sempre nos fragosos lábios de incenso


Uma porcelana palavra em lágrimas


Que morrem no livro sagrado


Amado


Desamado…


Alimento-me do teu sorriso leviano


Que numa qualquer página de jornal adormece


E esquece


O significado alterno do amor secreto…


O dia que não morre mais nas minhas mãos de silício


E do silêncio o suicídio anunciado


Uma faca apontada à minha sombra enfeitada de farrapos


Trapos


E velharias tantas… que esqueço o lençol do luar


Nas avenidas nuas desta cidade endiabrada.


 


 


Francisco Luís Fontinha


12/03/17


18.12.16

O som melódico da noite


Misturado nas imagens a preto e branco do sono


O poema alicerça-se no teu olhar


E ancora-se aos braços da paixão


A sorte absorve-me como os rochedos absorvem o teu sorriso


Deitado na solidão


Há delícias do mar voando no teu cabelo…


E as marés da insónia


Poisam vagarosamente no teu peito


Vendi o sono a um transeunte infinito


Que se passeava junto ao cais da despedida…


E penso na morte


Meu amor


E penso na partida


Meu amor…


 


 


Francisco Luís Fontinha


18/12/16


22.10.16

Regressam os barcos das manhãs utópicas do sono


inventando marés de tristeza


nas profundezas da solidão.


Sinto-me tão pequenino nas mãos do sofrimento


como um fio de luz quando acorda o anoitecer…


mar adentro,


o meu olhar desaparece nos braços da lua,


e finjo não pertencer a esta cidade,


a esta rua.


 


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 22 de Outubro de 2016


20.09.16

São falsas as palavras


que escreves na minha boca,


da inocência de um sorriso amargo


constrói-se a cidade louca,


quando no embargo…


o meu corpo morre junto ao rio,


uma gaivota em cio,


um olhar fundido na neblina


subindo montanha acima…


são falsas todas as palavras,


as esbeltas


e as parvas,


tuas palavras,


conjugadas na escuridão do dia…


desces a calçada,


encostas-te ao silêncio da tristeza,


e um barco sentia


o tremor da madrugada…


o tremor da beleza,


 


São falsas as palavras


ditas e não ditas,


escritas


e não escritas…


 


Na minha boca,


 


Tudo em ti é falso


como sentir da noite a construção do luar,


a cidade dilacera-se em constantes equações de sono


que o prazer alimenta,


envenena…


e faz voar…


as palavras locas


que escreves na minha boca,


 


Sinto nos esqueletos de xisto


as migalhas prometidas


por um falso homem…


às vezes


desisto,


às vezes preciso das nuvens aborrecidas,


 


São falsas as palavras


que escreves na minha boca,


e eu sem saber que a loucura


é uma parvoíce ensonada,


vive desajeitada,


na minha cama…


na minha cama amada,


na minha cama cansada…


 


 


Francisco Luís Fontinha


terça-feira, 20 de Setembro de 2016


24.05.16

todos as noites me sento nesta cadeira sem dono


enquanto não regressa o sono


vou rabiscando qualquer coisa na mão


uma leve brisa guia os barcos até aos meus sonhos


onde poisam lentamente noite adentro


hoje sei que não vou sair daqui


hoje… hoje vou dançar ao som das tormentas


e dos castiçais de prata


que brincam dentro deste velho casebre


iluminado pela paixão


incendiado pelo teu perfume invisível


que a madrugada há-de comer


o derradeiro pequeno-almoço do amanhecer


até que vem o sono


me deito sobre a cama


e invento apitos


e invento gaivotas em papel…


aos gritos


 


Francisco Luís Fontinha


terça-feira, 24 de Maio de 2016


17.05.16

A paisagem despede-se de mim.


Sinto as estrelas poisarem em cada gotícula de suor do teu corpo,


Deito sobre ele a minha desnorteada cabeça,


E regressa o sono do Oriente…


Sonho com pássaros,


Sonho com barcos,


Ínfimas imagens travestidas de loucura absorvem-me,


E sou forçado a fugir para outras paragens sem escuridão.


 


 


Francisco Luís Fontinha


terça-feira, 17 de Maio de 2016


16.04.16

túbia dos lábios em cromados beijos


a fúria da tempestade alimentando o desejo


que se perde num olhar


não vejo o silêncio


não sinto o mar,


túbia do cansaço alicerçado à escuridão


um simples gesto


um simples poema


túbia do deserto quando a noite morta


invade a solidão dos musseques floridos


túbia da morte em circunferências loucas


finge-se a sorte


das planícies do medo


arrebata-se a sombra sobre os cadáveres do degredo


entre rochedos


e penedos


que apenas a ondulação da insónia sabe abraçar,


túbia meu do alimento proibido


que travestido de Inverno viaja de cidade em cidade


túbia sentido as pálpebras quebradas


do triste sino


das lamentáveis madrugadas.


 


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 16 de Abril de 2016

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