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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


19.09.13



foto de: A&M ART and Photos


 


trazias nas mãos uma jangada com olhos castanhos


cansavas-te com o olhar das crianças


e dos pequenos botões de rosa


 


trazias dentro de ti um cubo de faces rosadas


dos pobres lábios ensanguentados pelo bâton uma lâmina de tristeza


absorvia a tua boca enlatada


como uma conserva


esquecida numa qualquer prateleira da despensa


 


sentia-te vociferar debaixo do sombreado fantasma


agarrado a uma pétala fotográfica


e a preto-e-branco


o fotografo vestido com sais de prata


alicerçava os pobres desejos da madrugada


 


(trazias nas mãos uma jangada com olhos castanhos


cansavas-te com o olhar das crianças


e dos pequenos botões de rosa)


 


e sabia-te enlouquecida quando te embrulhavas nas marés de areia


e corrias


e brincavas num corredor longo e estreito e alto


choravas parecendo a chuva desencadeada pelos sorrisos adormecidos


dos tristes minguados sonhos que a infância assassinou


 


trazias nas mãos a jangada da paixão


escrevias nos absolutos números complexos as amêndoas com chocolate


que o vento imaginava


e não sabendo que o cacimbo lhe pertencia...


ela adoptou como filha a doce menina equação diferencial


 


ela é a integral tripla dos seios loucos com voz de rascunho


sente no corpo o aparo da caneta de tinta permanente


acaricia-lhe as coxas como quando se folheia um livros de poesia...


e as palavras saltitam como gotinhas de suor na face alegre da Lua


ela é a integral que transporta na mão a jangada com olhos castanhos


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013



25.08.13



foto de: A&M ART and Photos


 


hoje és um mendigo igual a mim


uma pérfida folha de papel não correspondida


hoje és um cadáver envergonhado deitado na minha sombra


uma triste e cansada sombra debaixo dos lábios do púbis incenso


hoje és um sexo amargurado


triste como as sílabas empapadas dos livros de nada dizer


como as noites a arder


dentro de ti o comestível prazer


 


hoje finges que não te pertenço


que sou um muro em xisto


balançando sobre a encosta


atiro-me e encontro o rio


hoje és um mendigo igual a mim


fugindo da claridade


e dos beijos zangados em cinzentos fios de sémen...


e dizes-me que sou um palhaço


 


um voador corpo com asas em papel


hoje desperdicei os abraços sobre a lua em fúria


que deus deixou na mão da madrugada


hoje não sou nada


como ontem


como amanhã


hoje és...


apenas uma defeituosa maré de linho com coloridos olhos em verniz...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 25 de Agosto de 2013



06.07.13



foto: A&M ART and Photos


 


Vivíamos perto da fronteira com a loucura, havia flores que nunca acordavam, e quando o faziam, sonolentas, pareciam vadios homens deambulando as paredes frias, finas e escuras, do corredor com acesso a lado nenhum, um postigo embriagado, todas as manhãs se abria como os olhos das borboletas quando as pálpebras do silêncio se dilatam, aumentam de volume e começam a chorar, o dia clareava em duodécimos, e pouco depois, digamos que


Tempo de mais,


Elas apareciam vestidas com roupas leves, de cor branca, com o aqui e além, dispersas em sacrifícios de momentos devastados pela chegada da tempestade e partida da solidão, dizia eu, algumas rosas em puro linho, que ao longe mais pareciam janelas, ainda mergulhei-me em pensamentos parvos


Será que ela tem janelas no peito?


Claro que não, claro que não, e pitosga como sou, facilmente confundiria uma palmeira com um beijo, ou


Será que ela ainda pensa em mim?


Ou


Claro que não, claro


Que esperavas, tu?


Eu?


Sou um tipo porreiro, tenho amigos em todo o lado e ainda ontem


Claro que não, Alice, claro que não,


E ainda ontem recebi uma carta (mesmo carta, em papel, com letras desenhadas a caneta e perfumada) cujo remetente era algures da Lua..., como vês, minha filha, o teu pai começa a ficar famoso,


Se eu penso em ti, Alice?


Claro que sim, claro que sim, não, não é engano, o remetente é mesmo da Lua...,


E ainda ontem, Sábado, vi pela ultima vez o teu corpo nu e estranhamente escrito com as minhas palavras, estranho não é? Se eu penso em ti, querida Alice? Claro


Mas ontem foi Sexta-feira..., então foi hoje,


Claro que penso, claro que penso nas palmeiras esperando o regresso do final do dia, o velho Francisco desce cuidadosamente os cortinados do desejo sobre as labaredas do teu corpo a transpirar poesia e pequena literatura, diga-se


(de merda)


Diga-se que sim, que tenho saudades das palmeiras, e da tua voz quando disfarçada me melancolia, quando timidamente me dizias


Amo-te João,


Me dizias que as palmeiras inventavam fotografias, e que ainda hoje, Claro que sim, querida Alice!, que ainda hoje espero pela chegada da tenda do circo onde vivem as tuas mãos, aquelas, Recordas-te, querida Alice?


Sim, aquelas que te afagavam o cabelos...


E depois de me cerrares as pálpebras... eu adormecia no teu débil peito de seios minúsculos, como o vento, aturando limões contra os vidros das janelas, aquelas que eu pensava serem janelas, e que nunca passaram de rosas bordadas pela tua avó...


O que será feito da tua avó, Alice?


Um dia, como nós, simples partículas de poeira viajando pelo espaço escuro e frio, e responder-te-ei...


Claro que sim, Alice, claro que sim, as palmeiras.


 


(ficção não revisto)


@Francisco Luís Fontinha



17.02.13

Me encantam as luas noites


que desenhávamos na areia húmida do segredo nocturno


me encantam os sonhos circulares com olhos de vidro


que tínhamos sobre a mesa-de-cabeceira


me encantam as tuas doces mãos tórridas


que ancoravas no meu pescoço


trémulo


frio


longe do sol


me encantam as labaredas dos teus lábios


incinerais como as algas que procuravas no mar da ausência


me encantam as sílabas encarnadas dos teus seios minúsculos,


 


Me encantam as lagoas azuis do teu púbis metamorfoseado pelas tempestades de xisto


como as cinco palavras secretas do abismo


me encantam as flores que se suspendem nos ambíguos olhos da solidão


amorfos


embebidos nos transeuntes de pano que habitam a cidade


me encantam as sebentas que a floresta esconde nas algibeiras da madrugada


sem saber que o frio engorda as asas dos pessegueiros


e o calor emagrece os ramos dos pássaros


me encantam as laranjas que transformas em sumo


néctar de oiro com pulseiras de plátano adormecido


me encantam as tuas tristes lágrimas de sabão


quando descem dos telhados de vidro as salmonelas embalsamadas.


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


18.01.13

Nunca percebi o que eles queriam, mas nunca mais a nossa vida pacata foi a mesma, nunca mais tivemos noites com estrelas, e nunca mais vimos a lua


Com olhos de papel e boca de jasmim quando os últimos pedaços de tarde sobem a calçada e da Calçada galgam os muros vestidos de amarelo, pareciam moscardos complexos nas mãos de homens apaixonados, eles e eles, e elas e elas com eles,


E nunca mais vimos a lua transparente nas paredes indomáveis dos desejos escondidos


O que quero ser quando for grande?


Gostava de ser uma abelha sem colmeia, ou, ou uma roda dentada sem veios de aço ou correias transmissíveis, livre, voando como as nuvens quando o vento as leva para lá da janela do sótão e das traseiras do velhíssimo edifício de arame as escadas que levitam como os corpos das almas depois de despregadas dos telhados de vidro, às vezes, gostava


Dos desejos escondidos nas flores de areia que tu guardavas nas algibeiras de tecido aos quadradinhos como as grades das prisões, ou como as calças de um pescador quando saboreia docemente o seu cachimbo de algodão, e outras vezes


Gostava


Que as árvores carrancudas, sisudas, e de poucas falas, brincassem comigo, conversassem comigo, e no entanto, abraço-me a elas, e elas


E outras vezes, gostava, que o jantar fosse uma pintura numa tela com muitos beijos de acrílico e bocas de pastel e lábios de chocolate pincelados ao de leve com o bâton vendido pelo cigano da rua do Alecrim Doirado, gostava, e elas acreditavam que do céu vinham as notas de vinte euros que eu lhes dava,


Gostava


Não sei, gostava,


Que as visíveis asas de prata que as moscas utilizam nas festividades que simbolizam a Primavera fossem como os carroceis que invadem as vilas e as aldeias preenchendo os sonhos das crianças, e que os carroceis com olhos de papel e boca de jasmim quando os últimos pedaços de tarde sobem a calçada e da Calçada galgam os muros vestidos de amarelo, fossem moscardos complexos nas mãos de homens apaixonados, eles e eles, e elas e elas com eles, e à sobremesa via láctea uma sanduíche de néon com pedacinhos de solidão à lareira dos sonhos, abria o livro das palavras guardadas em segredo, folheava as páginas de prazer como se fossem um corpo em desassossego semeado numa seara planetária longínqua da saliva em gotículas encarnadas, viam-se dificilmente os barcos em regresso da planície dos fantasmas de alcatrão


Gostava


Dos desejos escondidos nas flores de areia que tu guardavas nas algibeiras de tecido aos quadradinhos como as grades das prisões, ou como as calças de um pescador quando saboreia docemente o seu cachimbo de algodão, e outras vezes


Gostava,


Gostava e outras vezes não percebia o que eles queriam, mas nunca mais a nossa vida pacata foi a mesma, nunca mais tivemos noites com estrelas, e nunca mais vimos a lua dançando e dançando com os lençóis de sémen no leito do amor, gostava que fosses um livro recheado de poemas, gostava que das tuas leves brancas mãos nascessem palavras sem morte e com a alegria desejada, gostava


O que quero ser quando for grande?


Nada,


Que a loucura prateada descesse de cima das árvores e brincassem as jardineiras azuis que suspensas no arame da tristeza deixam o quintal encharcado de lágrimas, nada, nunca quis ser nada, nunca gostei do mar, nunca gostei de sonhar, e às vezes, outras vezes


Gostava


Que as árvores carrancudas, sisudas, e de poucas falas, brincassem comigo, conversassem comigo, e no entanto, abraço-me a elas, e elas, gostava, gostava que as imagens a preto e branco da minha infância se entranhassem nas frestas que o gesso transporta desde que regressamos do outro lado da via láctea, ainda eras tu uma criança docemente inscrita numa ardósia de linho bordado com fios de oiro, e gostava


E outras vezes, gostava, que o jantar fosse uma pintura numa tela com muitos beijos de acrílico e bocas de pastel e lábios de chocolate pincelados ao de leve com o bâton vendido pelo cigano da rua do Alecrim Doirado, gostava, e elas acreditavam que do céu vinham as notas de vinte euros que eu lhes dava,


Gostava


Não sei, gostava.


 


(texto de ficção não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


Alijó


15.01.13

Vivíamos encostados aos muros do medo, e não sabíamos que do outro lado do muro crescia livremente o sol, e não sabíamos que do outro lado do muro brincava livremente a lua, e não sabíamos que do outro lado do muro havia nuvens de todas as cores, do outro lado do muro, não sabíamos


Que vivíamos como serpentes envenenadas pelas enxadas silenciosas das tardes de xisto, quando, que nunca soubemos que do outro lado do muro havia livros com palavras, que nunca soubemos que do outro lado do muro havia triciclos enferrujados com assentos de madeira apodrecida pelas chuvas que amansavam o rancor raivoso do capim livremente do


Outro lado do muro,


Faltava-nos a comida líquida, sólida ou gasosa, faltavam-nos os alicerces que não deixavam cair os edifícios que do outro lado do muro chegavam ao céu, e os pássaros determinados na coragem esquecida no terminal ferroviário ocupavam apenas os andares próximos do chão, pavimento encardido pela saliva dos habitantes com cabeça de serpente e espírito de dobradiça complicada, as portas de acesso pesadíssimas até dizer chega, ouvíamos as plataformas petrolíferas que meia dúzia de gajos inventaram fazendo-nos acreditar que tínhamos petróleo, e petróleo nenhum


Fome,


Raramente havia sol e os nossos corpos pareciam fachadas em ruínas, brancas, mortas, lilases às vezes, muita


Fome,


Raramente vivíamos, deixamos de viver, deixamos de comer, deixamos de dormir, deixamos de amar, deixamos


Outro lado do muro


Fome,


Deixamos de perceber quando era dia, deixamos de perceber quando era noite, deixamos de perceber que dentro da nossa carne existiam duzentos e seis ossos a que não sei a razão, porque nunca percebi, chamavam de


Esqueleto,


E perguntava-me,


E perguntava-lhes,


A fome sabes o que é, o que são esqueletos, o que são árvores, o que são pedras, flores sabes dizer-me o que é uma flor? Define-me o que é o amor


Um rio que corre em direcção à fome,


Outro lado do muro,


Ama-se, vive-se, chora-se de alegria, e grita-se de tristeza, do outro lado do muro sabem o que é o amor, do outro lado do muro sabem explicar-me porque voam os pássaros, ou


Porque amam as mulheres, os homens, os homens e as mulheres, as mulheres, e todas as nuvens de todas as cores, esqueleto,


E perguntava-me,


E perguntava-lhes,


“Vivíamos encostados aos muros do medo, e não sabíamos que do outro lado do muro crescia livremente o sol, e não sabíamos que do outro lado do muro brincava livremente a lua, e não sabíamos que do outro lado do muro havia nuvens de todas as cores, do outro lado do muro, não sabíamos”, e perguntava-lhes


Hoje, hoje vi uma luz cinzenta com um pontinho encarnado, sabes o que é?


Do outro lado do muro


É a paixão disfarçada de lanterna,


Dispo-te docemente silêncio de luz enquanto as jarras com as flores murchas que deixaste ontem sobre a mesa da sala respiram, pouco, mas respiram, dormem, soluçam publicamente como dois raios circunflexos que o amor traça na ardósia do teu corpo esquelético, apaixonado, os teus lábios com amêndoas em chocolate e café, as tuas mãos de plátano acariciam-me os ombros de linho que a avó Silvina fez propositadamente para mim, disfarçada de olhos verdes complicadas as montanhas do teu peito, dispo-te


Outro lado do muro


Fome,


E via, do outro lado do muro, um esqueleto de vidro abraçado a uma árvore de papel, que vivíamos como serpentes envenenadas pelas enxadas silenciosas das tardes de xisto, quando, que nunca soubemos que do outro lado do muro havia livros com palavras, que nunca soubemos que do outro lado do muro havia triciclos enferrujados com assentos de madeira apodrecida pelas chuvas que amansavam o rancor raivoso do capim livremente do


Outro lado do muro,


Havia amor livremente com havia árvores, como havia flores, pássaros, como havia lábios de desejo, havia, como havia nuvens de todas as cores, e havia


Livremente


O sol e a lua.


 


(texto de ficção não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


Alijó


01.01.13

Roubas-me o sono, os sonhos, a vida de um miserável caminheiro, roubas-me as mãos e as palavras de pergaminho que o meu querido avô deixou ficar em cima da mesa na sala de jantar, gritavas comigo, roubaste-me as sanduíches de atum que estavam embrulhadas em papel de alumínio, a nota de cem escudos transformada em tubo com acesso ao centro da terra, roubaste-me


Roubas-me a clareza das imagens a preto e branco, pego nos óculos, abro-o e cessa em mim a transpiração, deixo de ter voz, deixo de ter cabeça com cabelos castanhos, deixo de ter olhos verdes, roubaste-me o sono, os sonhos, as imagens,


Um livro de atum,


E começava a pingar um líquido castanho, espesso,


Ouvia as tuas garras de aranha nos meus braços de arame quando o esqueleto da morte rondava a janela da sala de jantar, pegava nas sanduíches de atum, retirava-lhes religiosamente o papel de alumínio, e começava a pingar um líquido castanho, espesso, frio, vómitos, cansaços muitos, poucos, espesso


As imagens de ti,


Roubaste-me e roubas-me o sono, os sonhos, a vida, roubaste-me o jardim onde ela ao final da tarde se sentava, pegava num livro, folheava-o e estava ali até que caísse a noite, acordassem as estrelas, e todos os sorrisos da aldeia,


O nosso querido avô deixou ficar em cima da mesa na sala de jantar, gritavam connosco, roubaram-nos as sanduíches de atum que estavam embrulhadas em papel de alumínio, a nota de cem escudos transformada em tubo com acesso ao centro da terra, roubaram-nos


Os livros com sabor a uvas Moscatel,


As imagens de ti,


Espesso, áspero, cinzento, e notava-se uma saliência esquelética


Um livro de atum,


Nas pálpebras da lua, roubaste-me e roubas-me o sono, os sonhos, a vida, roubaste-me o jardim onde ele ao final da tarde se sentava, pegava num cigarro, acendia-o e estava ali até que caísse a noite, acordassem as estrelas, e todos os sorrisos da aldeia,


Amo-te sabes?


E nunca soube que os livros de atum eram embrulhados em papel de alumínio, espesso, castanho, pingava, ao cair a noite sobre nós, abríamos todas as janelas do jardim, sentíamos os plátanos de braços abertos à procura dos tentáculos de xisto com pequenas rosas encarnadas, roubei rosas para ti, escondeste-as


Dentro do livro de atum, era tarde, descias as escadas do sonhos, e tinhas acabado de perder o sono nos rochedos junto aos correios, pegavas-me na mão e


Gosto de ti sabes?


Nunca soube, espesso, castanho, a nota de cem escudos transformada em periscópio, e percebi que era isto o verdadeiro amor, transformada em tubo com acesso ao centro da terra, roubaste-me


Os livros com sabor a uvas Moscatel,


As imagens de ti,


Espesso, áspero, cinzento, e notava-se uma saliência esquelética


Um livro de atum, que deus o tenha, Amo-te sabes? Gosto de ti sabes?


Um livro de atum,


E começava a pingar um líquido castanho, espesso, e juro que não sabia, e juro que deixei de acreditar nas palavras embriagadas, deixei de acreditar nas sanduíches de atum que o nosso avô deixava ficar na sala de jantar em cima da mesa de vidro, um homem gordo dentro de uma caixa de madeira sorria-nos, tu


Tenho medo,


Amo-te sabias?


Nas pálpebras da lua, roubaste-me e roubas-me o sono, os sonhos, a vida, roubaste-me o jardim onde ele ao final da tarde se sentava, pegava num cigarro, acendia-o e estava ali até que caísse a noite, acordassem as estrelas, e todos os sorrisos da aldeia,


Amo-te sabes?


Espesso, áspero, cinzento, e notava-se uma saliência esquelética


Nas faces da lua.


 


(texto de ficção não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


Alijó


05.12.12

Inventas beijos


nos lençóis da lua


há cigarros perfeitamente inocentes


nos lábios da noite,


 


há uma janela com grandes de vidro


que transforma o fumo dos teus cigarros perfeitamente inocentes


em sílabas de iodo


inventas beijos


desejos


abraços


e a lua tão bela


e a lua


enrolada nos teus braços


nua


ela


toda tua,


 


inventas o amor


e desenhas no soalho de inverno o sabor da paixão


ela


nua


à lareira


há uma lareira na tua mão


que aquece a lua


a tua lua


o teu coração


havia


nua


uma janela com grades de vidro e sonhos de solidão.


 


(poema não revisto)


 


@Francisco Luís Fontinha


12.10.12

A lua


tua


minha apaixonada lua


nua


 


a lua dos silêncios que habita nas profundezas da tua dor


despede-se a noite


com beijos curvilíneos


ou não


as ardósias das esplanadas junto ao rio


 


o sol incandescente alimenta a tua voz cintilante


apaixonada


lua


a tua


janela acorrentada às luzes fictícias do orvalho


nua às vezes habilmente só


 


e tão bela


 


connosco o mar é enorme


enormemente infinito


o amor às palavras


com as tuas palavras


nua


a lua


tua


dentro do poema adormecido.


 


(poema não revisto)


26.09.12

Há uma lua de papel


dentro de ti


redondinha


quadrada


à espera de ser amada


há uma lua


sem ti


senti


nas paixões do homem de prata


uma lua dentro de ti


que afaga a cidade


e ilumina a calçada


 


há uma lua endiabrada


dentro do teu ventre de mar


uma lua


uma lua de nada


nos braços de uma flor


 



há uma lua dentro de ti


vestida


embrulhada em finíssimos sorrisos de pérola adormecida


 


há uma lua de papel


dentro de ti


uma lua com sabor a mel


dentro de ti


há uma lua


com portas e janelas e olhos de vidro


 


há uma lua de papel


nos lábios


dentro de ti


o desejo verso da solidão ausente


feliz


nos lábios


contente porque nas acácias vêem-se os pássaros do silêncio tua dor


uma lua de papel nos braços de uma flor.


 


(poema não revisto)

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