Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


04.04.19

Os teus olhos são o mais belo livro de poesia,


Uma canção,


Uma melodia.


Os teus olhos são a escuridão,


Nocturna das almas perdidas,


As palavras prometidas.


Os teus olhos são a mais bela pintura, do teu corpo,


Nua…


Na despedida.


Os teus olhos são a geada,


A cidade endiabrada,


Quando me olhas debaixo do luar,


E, ao longe, sei que habita o mar,


E o jardim das flores apaixonadas.


Os teus olhos, meu amor, são as tardes de brincadeira,


O baloiço de uma criança,


Quando desce a ribeira,


E o meu olhar te alcança.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


04/04/2019

...


22.03.19

O sorriso. O silêncio que habita o sorriso, camuflado na montanha da solidão, o abismo da tristeza embainhada no clitóris da paixão, quatro paredes em suspenso, o sofá com o desenho do meu corpo, ele, dorme,


Hoje é um dia triste, diz ele em frente ao espelho do sofrimento, da horta regressam os pássaros moribundos, capazes de fazer amizades em qualquer situação,


Não.


Não o encontro, abro as janelas, abro todas as portas e todos os telhados da minha pobre casa, mas ele não está, dorme


Hoje há tripas.


Dorme como o silêncio que habita o sorriso, e as estátuas parecem o meu corpo antes de acordar, mórbido, cansado de sonhar, triste, também ele,


Hoje,


Não.


Pego num livro, folheio-o e encontro finalmente a amizade, três palhaços, uma pequena tenda de circo e uma contorcionista escreve poesia nos lábios dos espectadores impávidos, ciumentos, capazes de gritos histéricos ao cair a noite,


Hoje?


Hoje, não, meu amor…


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


22/03/2019

...


21.03.19

Sabia que a noite trazia o perfume da luminosidade das praias em flor, sobre a secretária, uma simples folha de papel, uma caneta de tinta permanente e um copo inventado, com uísque, também inventado, e duas pedras de gelo,


Posso?


Detesto que batam à porta do escritório, aborrece-me, não me dá prazer, enquanto brinco com as pedras de gelo, e me interrompem,


Posso?


Porra.


Entre.


Sempre a mesma coisa, que os pássaros, durante a tarde, não poisaram no nosso jardim…


Mulher chata!


Enquanto derretia o gelo, no uísque inventado, dentro do copo inventado, semeava palavras sobre a folha de papel, alguns livros, não muitos, olhavam-me e pareciam que queriam comer-me,


Já imaginaram alguém ser comido por um livro?


Posso?


Porra.


Entre.


O sono cansado, a cama ainda por fazer, o jantar ficou em cima da mesa-de-cabeceira, como alguns livros que dormem por lá… e, tinha entre os dedos, finíssimos tons de cinza, resultado dos dias sem dormir,


Detesto,


Jardim,


Posso?


Não. Não podes…


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 21/03/2019


15.03.19

A navalha com que assassinaste os meus límpidos lábios,


É a mesma com que acaricio as veias das palavras,


Um narciso, chora,


E, cresce a tarde na tua boca.


O peso do corpo na balança da solidão,


Regressa a morte,


E, levantam-se do chão calcinado, as andorinhas em flor.


Um narciso, chora.


O meu jardim está de luto,


Morreram todos os meus livros, todos.


Meu grande amigo, amanhã, Sábado, a navalha da solidão vai alicerçar-se no meu peito,


Sinto os cigarros que me assombram ao cair da noite,


E vou morrer…


 


A água da paixão, no tanque da saudade.


 


Deixa as árvores voarem sobre a aldeia,


Como pássaros em cio,


Vadios,


Em liberdade.


 


Nunca me ouves.


Nunca me abraçaste como abraças o meu silêncio,


Uma carta fica suspensa na mão do carteiro; Amas-me?


Não.


Claro que não.


 


O amor é uma merda.


 


Como eu,


E, as palavras minhas,


Poucas e apaixonadas,


Procuram, embriagadas,


As noites cansadas…


 


Como eu,


 


No amor teu.


 


Só.


Só.


 


E sinto o mar dentro de mim.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 15/03/2019


29.04.18

Em redor dos teus cabelos,


A fragrância alvorada da tristeza; como é feio o meu jardim!


As flores de papel que alimentam o teu desejo,


Quando um caquéctico relógio de pulso se suicida na madrugada,


Fico triste, pois claro,


Aborrecido,


Cansado das canções dos teus lábios apaixonados,


Quem me dera que fossem por mim!


Quem me dera…


Quem me dera ser o teu jardim!


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 29 de Abril de 2018


30.06.17

Que sobre o amor nada tenho a dizer,
Saboreio a vida com prazer,
Todos os dias ao acordar,
Danço, escrevo e consigo navegar
Nos teus braços de manteiga,
Aceito,
Amo,
Percorro caminhos obscuros da maternidade…
Tenho em mim a saudade,
Da verdade,
Da sabedoria de nada saber…
A não ser…
Que a morte existe,
Persiste…
Persiste em me atormentar,
Navego no teu colo nascer do sol,
Quando o tempo se esquece de mim,
Tenho o teu jardim,
Desenhado,
Desenhado num caderninho…
Num caderninho dentro de mim,
Que sobre o amor nada tenho a escrever,
A não ser,
Viver.


Francisco Luís Fontinha


17.11.15

Tudo ou nada


Nada de tudo


Tudo de mim


Desde a árvore indefesa que me protege


E habita o meu jardim


Até ao rochedo invisível que caminha comigo


Quando cresce a noite


E adormece o dia nos teus olhos


Tudo ou nada


E nada tenho


De mim


Nada de tudo


Assim, como as flores que choram junto à minha lápide


E nunca perceberam o significado da palavra “chorar”


Tudo


Avassalador


Triste


Tudo consumido na fogueira da paixão


De nada ter


E de tudo perder


Tudo ou nada


Nada de tudo


Assim


De mim


Sem o saber.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


terça-feira, 17 de Novembro de 2015


07.01.15

habitas no jardim descolorido da paixão


gritas às lágrimas envergonhadas de um pequeno sorriso


palavras


entrelaçadas


nas sombras clandestinas dos plátanos caducos


miosótis


minha flor


meu poema... minha canção de amor!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2015


09.12.14

As manhãs são límpidas tristezas
Que só o vento consegue abraçar,
Parar no semáforo e olhar a rosa mais bela
Do jardim de transeuntes em movimento,
Tem no sorriso a bandeira da paixão
E nos lábios…
A doçura inseminada das palavras,
Do vermelho…
O verde verdade
Da esperança…
As manhãs são límpidas tristezas
Que vergam o frágil esqueleto da cidade,


Não tenho tempo para desenhar
A saudade na mão de quem me espera,
Não tenho vontade de abrir a janela
Deste quatro latas cansado,
As manhãs são límpidas tristezas
Que só o vento consegue abraçar,
São rosas transeuntes suspensas no mar…
São palavras ignoradas,
Sombras deitadas na estrada,
As manhãs
São… límpidas tristezas
Sem tempo para amar…








Francisco Luís Fontinha – Alijó
Terça-feira, 9 de Dezembro de 2014


16.11.14

as migalhas são pedaços de inveja


da miserabilidade dos enlatados caixões de porcelana


há sempre uma janela não encerrada...


há sempre uma porta sem saída


não iluminada


há sempre uma rua finíssima


tão fina como as fatias de poesia


que o poeta deixa num banco de jardim.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 16 de Novembro de 2014

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub