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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


02.02.20

E, agora? O que será de nós depois da saudade;


Pertenciam-lhe as palavras invisíveis das marés de prata.


A boca mergulhava na ínfima madrugada do silêncio,


Descia à cidade, quando acordava a noite,


Pegava num pedaço de sombra,


Agachava-se no pavimento húmido da solidão…


E, gritava palavras de amor.


E, agora? Que a tempestade regressou de ontem,


Traz consigo os dois cansados cadáveres da única memória que lhe restava,


Os homens entre guerras e coisas simples, banais,


Percorriam as ruelas sem saída, suspendiam pinturas nas janelas do horror,


Para que as crianças conseguissem adormecer,


Nesta cidade de “merda”, sem dormitórios, sem palavras abstractas,


Que pertencem aos livros de poesia.


O corpo arrefece sobre a lápide fria da manhã,


O silêncio vem em direcção ao peito,


Como uma flecha, e, o sangue corre para os canaviais…


Tinha medo da saudade,


E, agora?


O que será de nós, depois da saudade, quando alguém procura o corpo amachucado pela violência dos gritos do homem de chapéu negro,


Seu nome Chapelhudo, vestido de pássaro nocturno,


Quando as palavras emergem e, tudo à volta morre, extingue-se em finíssimos pedaços de carvão,


O desenho acorda,


Mergulha na tela da saudade,


Sempre ela, a saudade dos dias, da noite, dos candeeiros a petróleo…


E, agora? Nada.


Apenas um sorriso,


Flácido,


Triste,


Porque sim;


Cansado da vida.


Chapelhudo, morre. E todas as palavras do menino branco.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


02/02/2020


03.12.19

Não o sei.


Foram pedras da calçada que arranquei.


Foram lágrimas que chorei.


Não o sei.


Esta terra que semeei,


E depois me cansei,


E depois me sentei,


Não. Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque morrem, aos poucos, as palavras que plantei,


Na folha de papel que rasguei.


 


Não.


Não o sei.


 


Não o sei.


Porque brotam lágrimas esta lareira que amei.


Esta fogueira que incendiei,


Na madrugada que pintei.


 


 


Não.


Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque sinto os combóis que nunca sonhei.


Não o sei,


Porque brincam meninos na seara que pisei…


 


 


Mas uma coisa eu sei.


 


Que o Sol que bilha, não fui eu que o pintei.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


03/12/2019


18.06.18

Aqueço-me nos teus olhos, disfarço as rugas, pego num livro proibido sem tu o dares conta, e imagino-te sentada junto ao lago desconhecido; nunca soube o seu nome, raça, credo ou sexo, mas é o lago mais lindo do Universo.


Aqueço-me nos teus olhos, banho-me na tua tristeza de um dia acordar a Primavera sem mim, tu, descalça, caminhando em volta do lago, danças, saltitas e chamas por mim; e nunca percebeste qual era o livro proibido…


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 18/06/2018


 


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