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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


13.10.14

Porque dormem no meu olhar


os traços coloridos de silêncio?


 


Porque existe um veleiro desgovernado


no Oceano meu sofrimento,


se o vento,


se o vento deixou de correr junto às palmeiras...


 


Porque vagueiam na minha mão


as palavras nocturnas da dor,


quando o livro poisado na minha mesa-de-cabeceira...


ardeu,


morreu,


e hoje é apenas cinza como os traços coloridos de silêncio...


 


Porque dormem no meu olhar


os traços coloridos de silêncio?


 


Se nas tuas pálpebras crescem andorinhas sem asas!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014


01.05.14



foto de: A&M ART and Photos


 


não o sei


às vezes desce sobre mim a voz do silêncio


o rio com mãos de porcelana


acorda


deita-se na nossa cama


chora...


olha-se ao espelho e grita


não o sei


e às vezes


pergunto-me porque há barcos em papel com coloridas manhãs de Primavera


e às vezes


não o sei


 


os sonhos sonhados quando a noite deixa de nos pertencer


as palavras escritas amadas e desamadas


e o palheiro da madrugada invadido pelos odores do jardim anónimo


não o sei


acorda


e às vezes


tantas vezes... meu Deus


percebo que há andorinhas com fome


e fome vestida de gaivotas


chora...


não o sei


porque vives escondida no meu peito.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 1 de Maio de 2014



27.04.14






no seu término o dia mistura-se com as sombras do prazer


o teu corpo mergulha sobre o meu peito flácido


quase a adormecer


lá fora há poemas por escrever


palavras vagabundas correndo junto ao Tejo


folheio as pequenas páginas dos teus seios


descubro o significado de “Amor”...


e sinto a paixão a entranhar-se nos meus ombros


 


há silêncios a descer a tua pele de doirado sémen


que acabam por morrer


semeiam-se nos límpidos lençóis de seda


como jangadas esquecidas em Cais do Sodré...


afinal... o sonho são as pequenas páginas dos teus seios


à janela do “Adeus”


simplesmente inventando soníferos de cartão


e livros a arder


 


há em ti um púbis construído de andorinhas


e flores de papel


e no seu término...


o dia... o dia cansado de viver


como se o teu corpo embrulhado nos meus braços de aço laminado


adormecesse vivesse amasse e morresse


e descubro o significado de “Amor”...


e de ser “amado”.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 27 de Abril de 2014



02.03.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Há asas pinceladas nos teus verdes olhos de andorinha,


uma colmeia de palavras emerge da solidão nocturna,


há de ti as marés envergonhadas, tristes, marés... marés dos telhados de vidro,


sinto-te cambaleando sobre as nuvens cinzentas das janelas amarelas,


o jardim deixou de sorrir,


e partiu em direcção ao mar,


o amor de ti em mim... sem mim, uma coisa estranha, amarga, diluindo as ditas palavras castanhas,


há asas pinceladas,


há asas a arder sobre os teus ombros de melancolia,


e sei que no fundo do mar, vives, dormes... e passeias-te nua como ventos de nortada,


acendo a luz da paixão, e ao meu lado apenas uma imagens de néon...


gemendo sílabas e bebendo carícias de madrugada.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 2 de Março de 2014



15.01.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Perceber o fogo do corpo em suspenso


aquele que arde entre a morte e as palavras enraivecidas


escrever no corpo que arde em suspenso quando os lábios do fogo


não morrem... e permanecem inconstantes como um círculo descendo a calçada da Ajuda


perceber que o homem arde


fervilha


e dorme no colo de outro homem...


ergue-se o cansaço argiloso das andorinhas de papel


vem a nós os desejos preguiçosos das saudades de ontem


e fervilhas


como um pedaço de madeira nas mãos de Deus...


porque o rio se despediu de ti e tu permanecerás dentro da lareira da paixão.


 


 


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014



23.06.13



foto: A&M ART and Photos


 


Tão só como as andorinhas em papel


que brincam na tua mão exagerada


as migalhas do xisto mendigo correndo montanha abaixo


e depois


as carícias que a tua pele de neblina inventam no meu corpo de Primavera,


 


Vejo a névoa que os teus olhos alimentam à roldana das horas


voando entre finas esparsas manhãs com chocolate em pó...


dos ponteiros do meu relógio sem pulso


uma deslumbrante doentia pulsação esmorecendo nos finais de tarde


e entra-me o rio no meu corpo de madeira,


 


Encharca-me o peito


e sinto a inundação do meu coração... coitado


… à deriva como uma barcaça perdendo as letras do nome


em cada esquina da cidade com as sombras árvores em silêncios nocturnos


e eram assim os meus dias aprisionado em ti não o sabendo,


 


Em mim perdido como um charco de lama derretido no musseque da lentidão


desce a noite


cobrem-se-me as pálpebras com as palavras de ti


vagueando no cansaço espelho do guarda-fato o meu destino imaginário


….............
tão só,


 


As andorinhas em papel ardendo na lareira dos teus seios


submersos no meu peito


se ainda o tenho


porque não o sinto


porque... também eu transformei-me em homem de papel...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha



28.05.13



foto: A&M ART and Photos


 


Queria ser como tu não sorrido como eu


queria ser um veneno que habitasse no teu peito


um construtor de insónias


um transeunte faminto combinando encontros nas paragens do eléctrico


sem bilhete e despido e ausente deprimido,


 


Queria ter-te e ser como tu não sabendo que lá fora choram as garças


que amanhã é quarta-feira e as nuvens deixaram de ser em algodão


e as horas não são não


mais torrões de açúcar deitados na tua mão


queria ser como tu e não saber que existem noites em noites como noites...


 


Assim nuas despidas contínuas e semeadas entre planícies e almas desesperadas


como tu eu um esqueleto de vento saboreando pipocas


numa cadeira junto ao rio


sonhando não sonhando com frio em cio


como tu quando acordas e dás-te conta que eu nunca existi em ti,


 


Porque sou um banco simples de jardim


como tu em ripas do jejum anunciado


queria voar como voavam os teus cabelos no silêncio dos paquetes em movimento


como tu eu assim... deambulando na ponte para o amanhã não sabendo dizendo


como tu que as rosas têm espinhos de porcelana e lábios de andorinha,


 


Porque sou um camelo desorganizado


não como tu porque tu és sossego e plenitude prometida


palavras em degraus de escada


contra o corrimão assim como tu deitada


à espera que regresse a madrugada dos ilustres corredores da paixão...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


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