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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


20.12.14



(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


 


O peso do sono quando a noite se suicida no olhar das palavras,


a metáfora inventada


que as imagens alicerçam à construção da fantasia,


regressar... nunca,


o peso do sono suspenso nos oiros plátanos da ínfima melancolia,


o sono morre como morrem as ervas daninhas das minhas veias,


em silêncio,


o peso do sono voando sobre as esplanadas de vidro,


o cansaço das fotografias entre quatro paredes de xisto,


cintilam as calamidades do infinito orgasmo de papel...


e ninguém percebe que na tua mão...


que na tua mão habitam os finíssimos cabelos do poema,


o corpo vacila no pêndulo da saudade como um círculo de luz,


esquecido nas masmorras da infância,


o peso do sono mensurável nas avenidas acabadas de projectar,


sem automóveis para conversar,


pessoas,


sombras...


casas em sonolência despedida,


eu,


transeunte iluminado pelos vapores de iodo,


mergulhado em vulcões de alegria


e... e alguns pedaços de fogo,


e o peso do sono em constante tortura... quando me visto de noite inseminada.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 20 de Dezembro de 2014



01.04.14

Percebo a insónia tua quando abres a janela do desejo, e voas, e evaporas-te como uma gaivota clandestina, sem nome, apenas... só,


percebo nos teus olhos a tristeza das tuas lágrimas, livres como a Primavera, e voas, e só...


sinto em ti o cansaço do corpo que espera o clarear da madrugada,


oiço a tua voz de cristal... e sei, e sei que habitas na minha mão,


escrevo no teu rosto as palavras não escritas, as palavras invisíveis... e só, só...


percebo que na tua voz existe melancolia, amargura, livros, livros em pedaços de lume,


percebo que há pétalas coloridas, e que há outras tão negras, negras... tão negras como a noite,


tão negras como os teus cabelos em silêncio... e só, e só, que tudo percebo.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 1 de Abril de 2014


12.02.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Parecemos esplanadas de vento correndo nos algerozes das montanhas abandonadas,


penso se não existirá dentro de nós a melancolia dos barcos apodrecidos, como ossos molhados, como corpos cansados, como eu, e como tu, dois ventres desventrados, amorfos, humildes como sanzalas de granito, vadios...


parecemos dois loucos escondidos na sombra da madrugada ainda não nascida,


perdidos nas palavras ainda por escrever...


olhamos as estrelas que deixaram de brilhar,


comemos o pão como quem come a sombra de uma árvore...


indolor, infestados de giz depois do recreio escolar,


tu, e eu, debaixo de um busto sem nome,


 


Correndo, brincando... enganando a fome...


correndo, correndo calçada abaixo, até que acordava o dia, até que da tua bocas eu sentia a tristeza dos perdidos calendários de Fevereiro,


o medo,


o medo das clandestinas vozes da escuridão,


e no entanto,


sem o sabermos,


inventávamos estórias de adormecer,


sem o sabermos... estávamos mortos numa janela de esqueletos.


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014



26.05.13



foto: A&M ART and Photos


 


Estás tão triste querida melancolia tarde de Domingo


o vento levanta-se dos teus anseios cabelos


como o mar se acorrenta nos teus abraços


dos belos castanhos beijos


e os medos vaiados pelos poemas teus olhos


que alimentam a tua boca em desejo,


 


Tão tristes as paredes ruínas que encobrem as tuas melodiosas canções de amar


sabendo tu que o amor é um Sábado disperso e cansado


comendo amêndoas recheadas com chocolate e pequenos versos


e grandes nadas


tão triste querida palavra que não sou capaz de pronunciar...


porque hoje é Domingo,


 


Porque hoje é melancolia adormecida


luz em pequenas lâminas de silêncio


sobejantes janelas sem os cortinados do dia...


uma ardósia encolhe-se-te no centro dos teus seios


e todas as palavras de amor


choram como crianças arrependidas...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


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