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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


08.10.15

Estes cacos incendiados nas escarpas do silêncio,


O teu corpo permitindo-me adormecer,


Sobre ele,


Uma rocha cor de cinza,


Faz fumo,


Incendeia-te como se fosses pedacinhos de papel…


Voando sobre a noite,


Na janela um cortinado negro com lábios de luar,


Entra o rio nos ombros flácidos das palavras embriagadas na sombra da morte,


A voz alimenta-nos,


Beija-nos,


Abraça-nos como se fossemos duas pedras em queda livre,


O abismo que habita o teu olhar,


O marinheiro sentado numa esplanada de esperma…


Sentas-te,


Foges-me,


Como a água,


Os barcos…


E todas as flores do Adeus.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015


24.04.15

Enquanto escrevo


Acredito no esboço do beijo


Deitado


Sobre o esquiço do cansaço


As palavras entre lábios de esperança


E bocas de amargura


Deitado


Submerso


Ele


Enquanto dorme


Submersa ela


Enquanto deambula na cidade


E vê nas sombras


A verdade


A mentira disfarçada de verdade


As lágrimas


No esconderijo do silêncio


Caminho desesperadamente sobre as pedras inanimadas da solidão


Não percebo o sofrimento


Nem… nem o reencontro de alguém


Com o espelho da madrugada


Não acredito


Em nada


Nada


Na


Da


Amanhã


As sílabas magoadas dentro de um livro escuro


A capa em cor de noite


Com pedacinhos de algodão


Lá dentro


Habitam pessoas


Casas


Ruas


Nuas


Nu


As


E amanhã


Caminho


O livro escuro


Encerrado


Para descanso do pessoal


Reabrimos…


Nunca


Nun


Ca


Os cigarros espalmados nos alicerces do passado


Não


Não sei


Talvez


O dia seja desejado


Ou…


Ou…


Deitado


Sobre o esquiço do cansaço


As palavras entre lábios de esperança


E bocas de amargura


E não consigo olhar o envidraçado olhar


Das gaivotas de espuma…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 24 de Abril de 2015


20.04.15

Sentíamos os alicerces da noite


Nos tormentosos desejos de luz


Que ao acordar


Nos abraçavam


O teu corpo


Era um ponto equidistante


No espaço silencioso


Sentia-te dentro de mim


Como se fosses um intruso vulto


Para me apunhalar


Não morri


Sabes disso


Ouvíamos as marés de granito


Contra os beijos de xisto


Beijar-te… o impossível marinheiro enforcado nos teus seios


Eras uma estátua de vidro


Que dançava em Cais do Sodré



Tu eu e ele


O triângulo da vaidade


Sobre a clarabóia dos desnudos corpos


Nossos


O eléctrico avançava


Éramos prisioneiros


Eu de ti


Tu de mim


E ele


Ele dele


À janela


As quatro paredes da infância


Fotografadas pelas nossas línguas


Entrelaçávamos os dedos de arame fino


E nunca soubeste o meu nome


Repartias a tua cama


Com o meu cadáver de veludo


Enferrujado


Sentias o peso da areia nos teus ombros


E descias o poço da saudade


A nossa cidade


Um perfume envenenado


Pela paixão das palavras


E nem tive tempo de perguntar-te


Se…


Se me amavas


Ou se a noite nos pertencia


Ou... ou nós é que pertencíamos à noite


Devagar


Beijava-te enquanto dormiam os nossos relógios


Que alimentava a nossa pele


Uma parede de insónia


Separava os nossos corpos


Luanda entrava na tua vagina


E tínhamos a Baía só para nós


As palmeiras


E os tristes rostos de alumínio


Esperando o regresso da tarde


Tinha medo de ti


Meu amor


Tinha medo do caderno onde escrevo


E via o meu corpo franzino


Soluçar nos teus braços


E hoje


Vejo o meu corpo de cinza


Soluçar nas tuas lágrimas de prata…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 20 de Abril de 2015


04.04.15

Sinto o teu olhar


Nas madrastas canções de amar


O silêncio beijo escondido na tua boca


As palavras minhas


Percorrendo o teu corpo


A tua imagem melancólica


Nas vidraças dos rochedos


O segredo


O amor em segredo


Nas pálpebras do fugitivo


Amanhã não venho


Aos teus braços


Cansei-me das tuas alegres noites


Quando a sinfonia do orgasmo tricolor


Poisa docemente no Tejo


O amor


O amor sem compreensão


Que os orgasmos de lata


Cintilam


Nas árvores da saudade


Eu só


Esperando-te sem perceber quem és


Uma conversa em triângulos soníferos


Os fósforos


E os cigarros


Na aldeia da paixão


Mergulhar o teu corpo nos lençóis da tristeza


Acreditas?


Sempre


Amanhã


Outro dia


Outros homens


E outros barcos


O teu corpo polvorizado pelas pálpebras de cinza


O amor


Os beijos


As metáforas embriagadas nos cortinados da cama


Nua


Desfeita


Calibrada nos imperfeitos botões de rosa


Amo-te…


Como?


O sonolento poeta


Nas coxas da literatura


As canções


Os poemas


O teu corpo na minha cama


Sofrendo


Insónias e vapor de medo


Ao deitar


A fotografia da noite


Vivíamos debaixo de um cortinado de sémen


As cartas


E os telegramas


Infestados de viagens


E alegrias ruas do Rossio


Cais do Sodré


Putas à vez


Da cidade dos imbecis currículos de areia


Perco-me


Finjo


Nada


Morto


Nas palavras.


“Foder-te contra o espelho do infinito”


A vastidão das estrelas


Camufladas rosas de ensurdecer


Coloridas


No amanhecer


Voando


As gaivotas


No teu ventre…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 4 de Abril de 2015


25.12.14

Havia um emaranhado de fios eléctricos dentro da sala de jantar, todos eles eram providos de rosto, voz... e esqueleto, sentia a cada desperdício de cerveja o regresso do Oceano meu coração, ouvíamos alguns sons melódicos que o Rui tinha adquirido em cinco suaves prestações, e a Madalena saciava-se com um livro de poemas,


Amo-te sem saber porquê...


Os poemas dançavam no ventre de Madalena, sentia cada palavra como se de um desejo se tratasse, ou de um orgasmo em despedida,


Amanhã vou caminhar depois do jantar, olhar as estrelas amantes da trigonometria, desenhar círculos de papel nas clarabóias da inocência..., e olhar-te, e olhar-te como se existisses, como se fosses um texto de ficção dentro da fogueira,


A lareira sonolenta abraçava-se aos teus seios,


Amo-te sem saber porquê...


E eu sabia que nos teus seios apenas habitavam as minhas mãos de porcelana,


A morte em pequenos assobios,


As horas em agonia num relógio de parede,


E eu sabia que nos teus seios...


Texto de ficção?


Em quadriculas, os números agoniados e agachados junto ao capim do quintal, nunca tinha olhado o Sol depois das cinco da tarde,


E eu sabia que nos teus seios...


Texto de ficção?


E mesmo assim, deitado debaixo das mangueiras... imaginava petroleiros a entrarem dentro de mim,


tive medo, senti o primeiro beijo, a primeira carícia, o primeiro e derradeiro contacto, os lábios deixaram-se apelidar de Amor,


Amas-me?


O amor, os poemas dançavam no ventre de Madalena, sentia cada palavra como se de um desejo se tratasse, um orgasmo em despedida, os gemidos dos poemas inseminados nas páginas abandonadas de uma velha folha de papel, a caneta de tinta permanente... pesadíssima, as correntes do teu olhar acorrentavam-me, deixei de sentir os braços, as pernas, o... o amor,


Amas-me?


Deixaram-se apelidar de Amor,


Havia um emaranhado de fios eléctricos dentro da sala de jantar, os fusíveis dos meus sentimentos... ardiam, e percebi que nunca mais conseguiria perceber o Amor,


Amas-me?


E eu sabia que nos teus seios...


Texto de ficção?


Não revisto, não lido, não...


Não percebo as palavras que escrevi na tua pele de marginal semeada de palmeiras, barcos encalhados e... e gaivotas.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2014


14.08.14

Uma casinha habitada por pequeníssimas lâminas de papel,


um coração de cacimbo voando sobre as sanzalas com telhados de insónia,


um homem, um poeta..., e a amante do poeta,


um corpo pendurado na preia-mar,


que espera o regresso do sonâmbulo cansaço da madrugada,


o silêncio disfarçado de mendigo passeando-se pelas ruas da cidade,


uma janela que nunca, que nunca se abre,


um poema nas mãos da clarabóia com braços de luar,


uma casinha,


e lâminas de papel,


um sorriso, um desejo... e três círculos de luz nos lábios do pôr-do-sol,


o sonho...


 


As paisagens pigmentadas nas paredes da casinha,


as palavras acorrentadas no estendal poético,


uma eira deserta, uma eira de vinil girando na noite...


e o sonho,


e o lugar que me falta alcançar antes de morrer,


a escola morta, a escola um amontoado de escombros,


cadernos apodrecidos,


quadriculados momentos que ficaram sob a árvore de sisal,


um menino brincando com um velho “chapelhudo”...


e um triciclo com o assento em madeira,


o mar, o mar do Mussulo em tracejadas rotações de amar,


no sonho, no sonho de voar...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

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