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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


07.12.14

Oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,


sinto o círculo das tuas coxas alicerçado ao centro geométrico do meu corpo,


somos apenas um ponto perdido no espaço...


traçamos parábolas na cintilante areia do Mussulo,


e há na tua pele de neblina adormecida... flores,


gaivotas,


revoltas,


palavras gritadas em vão...


e gemidos rochedos ao pôr-do-sol,


não habito em ti... mas há barcos nas nossas veias,


cansados de amar...


marinheiros sem pátria,


toda a gente nos apedreja com silêncios


e medos desgovernados,


somos um ponto em movimento,


temos coordenadas,


e... massa,


a luz que nos ilumina esconde-se entre a chuva miudinha do fim de tarde,


e toda a gente,


em delírio...


chicoteando as nossas sombras,


em pedaços de fotografias embriagadas pelo suicídio...


oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,


nesta cidade em ruínas...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 7 de Dezembro de 2014


31.10.14

Olho-te como se fosses um falso espelho


semeado no centro da cidade


olho-te e no teu silêncio há um poema embrulhado em tristeza


sofres


sofres sem dizeres nada


olho-te e não sei a cor do teu sorriso


se tens dores


se...


se preferes sentir o mar


como fazíamos no Mussulo


davas-me a mão e eu sonhava...


hoje... hoje sentes a minha mão e tu constróis lágrimas em papel...


lá fora dança o vento e tu voas como voam os suspiros invisíveis


geme uma árvore


ouve-se o rosnar fervoroso dos automóveis embalsamados


ouvem-se as migalhas de dor correndo montanha abaixo...


lá fora as minhas veias são cinza de cigarro


após cigarro


olho-te... olho-te e não me canso de te olhar


como nunca me cansei dos teus lamentos


olho-te e percebo como eram lindas as sanzalas de Luanda...


e os barcos acorrentados a braços de gesso


sofres


sofres sem dizeres nada...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014


14.08.14

Uma casinha habitada por pequeníssimas lâminas de papel,


um coração de cacimbo voando sobre as sanzalas com telhados de insónia,


um homem, um poeta..., e a amante do poeta,


um corpo pendurado na preia-mar,


que espera o regresso do sonâmbulo cansaço da madrugada,


o silêncio disfarçado de mendigo passeando-se pelas ruas da cidade,


uma janela que nunca, que nunca se abre,


um poema nas mãos da clarabóia com braços de luar,


uma casinha,


e lâminas de papel,


um sorriso, um desejo... e três círculos de luz nos lábios do pôr-do-sol,


o sonho...


 


As paisagens pigmentadas nas paredes da casinha,


as palavras acorrentadas no estendal poético,


uma eira deserta, uma eira de vinil girando na noite...


e o sonho,


e o lugar que me falta alcançar antes de morrer,


a escola morta, a escola um amontoado de escombros,


cadernos apodrecidos,


quadriculados momentos que ficaram sob a árvore de sisal,


um menino brincando com um velho “chapelhudo”...


e um triciclo com o assento em madeira,


o mar, o mar do Mussulo em tracejadas rotações de amar,


no sonho, no sonho de voar...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014


01.08.14

Tenho no meu peito um fóssil,


uma lâmina de aço laminado,


tenho no meu peito uma cidade, uma mulher que habita nessa cidade, uma lâmina...


que me estrangula, que me absorve,


e engole,


nas noites de Sexta-feira...


 


Há um triste olhar que me acompanha desde as ruas de Luanda,


olhava as sanzalas, inventava grãos de areia no Mussulo,


desenhava peixes nos machimbombos com coração de granito,


ouvia, às vezes, um grito...


e engole,


nas noites de Sexta-feira,


 


Há um apito quando oiço a voz do silêncio,


uma criança com mãos de sisal,


deitada na eira de Carvalhais,


tenho no meu peito um fóssil,


um lâmina de aço laminado,


uma luz esculpida na calçada do abismo...


havia entre nós um muro amarelo,


havia ao longe um rio embriagado,


eu, eu sorria,


eu, eu descia... até que os tentáculos do desejo me levavam,


e quando regressava,


o apito... apitava...


 


O vício vomitava sílabas com sabor a alumínio,


e eu, eu dançava sobre uma nuvem de nada,


que me estrangulava, que me absorvia,


e engolia,


nas noites de Sexta-feira...


… e percebia o significado de liberdade.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014


11.06.14

Deixei de sonhar,


a vida entranha-se nos meus ossos tridimensionalmente aos soluços,


e eu, às vezes, percebia que havia uma parábola no meu olhar,


comecei a despedaçar imagens, comecei a desperdiçar curvas, quadrados e triângulos,


os sonhos iam desaparecendo, como a chuva, aos poucos, misturada com finíssimos raios de sol,


e em vez de sonhar,


comprava num quiosque das redondezas algumas gramas de noite,


pensava eu que era o esqueleto de verniz mais feliz da minha cidade,


não o era,


e... e nunca o fui,


depois regressaram aqueles malditos pássaros de aço,


tão esfomeados que, que comecei a trocar os poucos beijos que me sobejaram por andorinhas de papel,


 


(batem à porta)


 


É o meu vizinho a queixar-se que os meus sonhos não o deixam adormecer,


respondo-lhe que..., que eu não sonho,


que... que há muito deixei de sonhar,


escrever,


e amar,


 


(o tipo ateima que sim, que são os meus sonhos,


canso-me...


e mando-o foder com todas as letras...)


 


São tristes os candeeiros da minha rua,


não respondem às minhas questões e anseios,


ignoram-me...


e quantas vezes... nem servem para me iluminarem,


abaixo os candeeiros da minha rua,


a minha rua...


e esta estonteante cidade,


a que pertenço e que me engole a cada milímetro de solidão,


 


(batem à porta)


 


(o tipo ateima que sim, que são os meus sonhos,


canso-me...


e mando-o foder com todas as letras...)


 


Deixei de sonhar,


deixei de ver as sanzalas iluminadas pelo doce luar,


deixei de ouvir o melódico som dos mabecos,


e da espuma brilhante do mar do Mussulo,


dois ou três caixotes em madeira apodrecida,


e apenas uma pequena caixa de sapatos com um, com... com dois, talvez três sonhos,


um avião telecomandado,


e livros do meu pai,


um par de calções,


e... e alguns tarecos,


e os sonhos?


Deixei de sonhar e voava, e voava quando calçava as minhas sandálias de couro...


 


(batem à porta)


 


É o carteiro!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 11 de Junho de 2014


12.03.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Há no teu sangue a paixão do amanhecer, penso eu,


vives como se fosses uma árvore suspensa na solidão,


choras, sonhas? Há em ti as insígnias da madrugada,


como lisas paredes ente a montanha e o mar,


há no teu sangue a saudade da vida, dos telhados em zinco perdidos nos velhos musseques...


há no teu peito uma rosa dentada, uma Bedford amarela prisioneira a um cordel imaginário, sem folgas, sem ruas, esplanadas, ou... ou simples palavras,


 


Há no teu corpo uma âncora em papel que te fundeia ao cais da dor,


âncora salgada e filha do barco marinheiro em combustão,


vives no teu sangue como serpentes envenenadas, tristes... e ausentes,


há no teu sangue a noite onde escreves poemas,


inventas rios e dos rios... recordas-te do rio Congo? E das bananeiras pedindo-te perdão...


… ou... ou quando te deitavas na areia límpida do Mussulo,


 


Há nas tuas veias o sangue da paixão, penso eu,


aquele que te alimenta, o penhasco bravio dos pinheiros mansos,


há em ti cortinados que encerram as janelas do teu olhar,


meigo como as gaivotas, colorido... sensato, há no teu sangue o meu sangue,


o sangue dos livros que leste e depois... apenas lá,


lá... no longínquo Oceano de lata.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 12 de Março de 2014



16.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


porque me procuram nas incendiadas sanzalas do prazer


não sendo eu um homem como os homens das bandeiras embriagadas


porque me procuram nas entranhas manhãs de cacimbo


eu escondido no zinco telhado do musseque alvorado


porque sou assim


um casebre sem esqueleto e ignorado


um imbecil que em tudo acredita


e que procuram como se fosse um objecto para reciclagem


usa-se


deita-se fora


e nasce em ti o dia ensanguentado das tristezas noites junto ao Mussulo


porque sou um um monstro vestido de negro


 


(como o dizem quando me chamam


e acordam


em todos os silêncios do medo...)


 


porque finjo que sou amado


porque acredito eu no amor


quando o amor é uma caravela à deriva no triste Oceano


porque me procuram nas incendiadas sanzalas do prazer


porque sou um canino disfarçado de desenho animado


porque me dizem que sou um poema odiado


palavras da merda escritas por um gajo de merda


porque acredito


se nunca deveria acreditar nas manhãs sem nuvens


porque são falsas


e logo em seguida


ejaculam as gotinhas amargas da chuvinha colorida...


 


(como o dizem quando me chamam


e acordam


em todos os silêncios do medo...)


 


sou um gajo porreiro como o são todos os cadáveres da morgue do púbis amanhecer


porque sou um imbecil sentado num banco de jardim


espero as ripas madres em madeira apodrecida


finjo que sou amado


e todos o sabemos que não o sou


porque apenas pertenço aos corpos dilacerados


dos musseques adormecidos


doridos


mórbidos entre as espadas dos livros em poesia


e as palavras semeadas nas tuas coxas de terra fértil...


esperam as sementes da alegria


como se fossemos apenas vozes entrelaçadas como dedos em vaginas acorrentadas às sílabas inanimadas...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 16 de Novembro de 2013



28.07.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Esquilos, nozes em vozes, mamilos denegridos, absortos, lábios lânguidos, corpos absolutamente sós, como eles, e como nós, os vizinhos quando lhe batiam à porta em maciça madeira, ele, ainda embriagado pela poesia não escrita, escondia-se, fazia-se... morria, não percebendo depois, que tudo era a fingir, acordava, voltava a dormir, deixou de sorrir, deixou de viver, não queria passear-se pelas cansadas margens de um doente rio, vivia-se, e ia-se vivendo, não sabendo, nunca, o horário penumbro das amendoeiras em flor,


Descia-se,


Subia-se,


E chorava-se,


Esquilos vaidosos roendo nozes de brincar, fantasia, histórias ao almoçar, sobre uma pequena mesa, de pedra, no quintal, uma árvore e um pássaro, preto, bico amarelo,


Melro?


Melro, talvez, porque não?


Inchados, os pilares de areia que seguram as amarras das tristes varandas com murchas flores, ao longe, a praia, o silêncio, o corredio de machimbombos vomitando sonhos adormecidos entre o Baleizão e o Mussulo, batiam-me à maciça madeira porta, eu, eu escondia-me, ou simplesmente berrava


Não estou em casa, hoje,


E eles, elas, acreditavam..., tão parvos, e continuava fingindo dormir, quando na verdade, eu, eu estava morto, desde criança, morri, recordo-me vagamente, tinha alguns poucos, não muitos, seis anos de vida, lembro-me como se fosse hoje, era Setembro, brevemente começavam as vindimas


O que são vindimas, pai?


É o apanhar das uvas...


Uvas, o que vão uvas, pai?


Não percebia que as videiras


Pai, sim filho, o que são videiras?


Não percebia que as videiras davam uvas, que existiam cachos, e lembro-me como se fosse hoje, era Setembro, quase, quase começavam as vindimas, e lembro-me, morri, depois, embrulharam-me num lençol de água salgada, permaneci assim cerca de vinte e oito dias, era Outubro, caiam as folhas das árvores, e eu, eu perguntava-me porque caiam as folhas das árvores,


O que são vindimas, pai?


É o apanhar das uvas...


Uvas, o que vão uvas, pai?


Não percebia que as videiras


Pai, sim filho, o que são videiras?


E pela primeira e última vez, eu, eu tive vergonha de perguntar ao meu pai


Pai, porque caem as folhas das árvores?


Eu tive vergonha de perguntar ao meu pai se esta terra era para sempre ou apenas para eu brincar, e começaram as chuvas, e o frio, a geada e a neve, e eu, eu morto, fui ficando, fui ficando... embrulhado num lençol de água salgada.


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó



27.06.13



foto de : A&M ART and Photos


 


São... oiço-a no fino pano de espuma, que nos separa, oiço-a do esconderijo com folhas de azedume e janelas de neblina


São nove e qualquer coisa...


Antes das dez, presumo eu, nunca tive um relógio, não por difíceis condições económicas, mas porque sempre achei ser um utensílio, Objecto? Quase, recordo-o agora


(Objecto quase – José Saramago)


Desnecessário, pergunto-me para que me serve um relógio se eu nunca, nunca lhe obedecia, ou minto, fui um servo escravo dele, mas hoje, hoje não o sou, deixei de o usar, tenho-o poisado sobre a cómoda, passo por ele, logo de manhã, indiferente, sublime a luminosidade que consigo observar-lhe quando a luz incide sobre o mostrador com números brilhantes, a princípio, a princípio fiquei na expectativa se aguentaria viver sem ele, e consegui, e sinto-me feliz, muito feliz...


Claro que minto, caro que o tive e deixei de o usar,


O amor?


Entre dois pontos com coordenadas tridimensionais, algures no espaço, com apenas três coordenadas, e um referencial, percebo, que ele, o amor, vive, respira, habita nos corpos mais lentos da cidade, movimenta-se com dificuldade, é mutante, e raras vezes aparece depois de encerrarmos as luzes dos candeeiros a petróleo espalhados pelos silêncios dela,


Oiço-a


São nove e qualquer coisa...


Ainda não dez, brevemente, depois como uma louca corrida em direcção ao fim do corredor, ele, desaparece pelas sombras submersas nos cobertores dos divãs do amor, as escadas em madeira, barulhentas, rabugentas, doces, elas, as nádegas do relógio de pulso submergido no rio de suor da pele ausente que tu me prometeste, e que nunca


São quase dez,


Nunca cumpriste, nunca, escrever para quê?


(Objecto quase),


Em saltos de prateleira em prateleira, em risos, como os móveis teus cobertos por um velho lençol, deixaste de entrar em mim, deixaste todos os móveis do meu corpo protegidos por um branco pano, ausência de pó, vida medíocre, ausência de oxigénio, sempre com as minhas janelas fechadas como uma cancela em suspenso por dois pilares de cansaço, a embaixada


São nove e qualquer coisa...


Você não é Angolano,


Percebo que não sou, percebo que nunca o fui, percebo que a certidão de nascimento onde consta que nasci em Luanda, lamento informá-lo mas a sua certidão de nascimento é falsa, é falsa, como são falsas a respectiva cédula pessoal, como são falsas as fotografias, como é falso o cartão de vacinas contra a febre amarela


O quê? Qual febre amarela, rapaz... enlouqueceu,


Tudo é falso, eu sou falso, a embaixada


Você não nasceu em Luanda, você é um mentiroso, compulsivo, sou, pois sou, e garanto-lhe que nunca brinquei no Mussulo, e garanto-lhes que nunca vi, juro pela minha honra que nunca vi, não sei o que são, machimbombos, juro que não tenho terra, juro-o...


São quase dez,


Nunca cumpriste, nunca, escrever para quê?


(Objecto quase),


Em saltos de prateleira, dentro de um falso paquete, enganaram-me, disseram-me que nasci num local que não existe, falsos, disseram-me que vim num paquete, lindo, enorme, atraente como as meninas que passeavam junto ao Tejo, e não vim, e descubro que esse paquete nunca existiu, falsos, mentirosos, falsas infâncias, como os jardins da escola


Será que ela existiu?


São quase dez, diz-me ela, oiço-a..., em Portugal continental, e no entanto descubro que toda a minha infância foi uma mentira inventada por um menino que andava de calções e sandálias de couro, sentava-me debaixo das mangueiras e inventava histórias,


E inventou esta história, que nasci, vivi, e vim...


E eu, acreditei,


Como acredito nela que me diz que são quase dez horas, da noite?


(Objecto quase)


E eu, acreditei.


 


(ficção não revisto)


@Francisco Luís Fontinha



04.06.13



foto: A&M ART and Photos


 


Ouves as mãos de chocolate vagueando sobre a tempestade de cereal em forma de palavra


escreves-me dos tentáculos silêncios dos vulcões entranhados na montanha teus seios


e um arbusto chora a tua ausência


como se o vento adormecesse nas melancólicas mesas de granito


que um buraco de minhoca alimenta em pedaços de paixão


e tristes casas de areia com vista para a cidade dos barcos amargurados,


 


Ouves tuas minhas cansadas desilusões que o mar engole como Sereias de papel


e nada fica eterno


oiço-os fingindo escadas de acesso ao tecto da insónia história


não existo


desisto


de procurar palavras numa calçada sem nome num bairro esquecido no altímetro do Mussulo,


 


Vagabundeio semi-nu procurando terrenos para aportar


meus alicerces de tristezas manhãs de Primavera


a astronomia minha amiga inventa-me estrelas com pequenos torrões de açúcar


goiabada e mandioca


habitávamos em corpos sonâmbulos pela infinita distância sem que o universo nos informasse


dos projectos para ultrapassarmos as difíceis tardes abraçados a um rio imaginário,


 


Doente


sem nome dizendo-se filho das grandes palavras esquecidas nas cúbicas coxas cinzentas


que deixam os pássaros embriagados em penumbras cristas de azoto


finíssimas peles bronzeadas como noites escurecidas num qualquer confim de África...


e invento a felicidade com pedaços de capim e uivos de mabecos


enquanto um velho papagaio de papel circula no céu como uma ventosa em busca da saudade...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


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