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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


29.11.23

Esqueci o teu rosto, esqueci a tua boca,

Esqueci o teu cabelo, do loiro amanhecer,

Esqueci as tuas mãos,

E a vontade de te querer.

 

Esqueci o teu sorrir, esqueci o teu olhar,

Esqueci a solidão que a noite abraça,

Que a noite contempla,

Esqueci o mar,

 

E as limitações do meu viver.

Esqueci o teu corpo, dócil tronco de árvore,

Esqueci o luar,

E a razão de escrever.

 

Esqueci a vida.

Esqueci a rua onde vivia, esqueci o silêncio,

Esqueci o que devia esquecer e aquilo que não devia…

Nunca o ser.

 

 

29/11/2023


28.11.23

Naquele dia, eu tinha descoberto o beijo. Naquele dia eu tinha descoberto que o meu corpo podia ser amado, podia ser desejado, podia ser um dia

Poema

Ao outro dia

Poesia

Em melodia,

Podia ser a manhã.

 

Naquele dia, eu tinha descoberto os teus lábios. Naquele dia, eu podia ter sido pai, sem raiva, de o não ser

Naquele dia.

 

Naquele dia, eu podia ter olhado as tuas mãos de frágil mãe, mas não sei como são as tuas mãos, eu nunca vi as tuas mãos, meu amor

Daquele dia.

Naquele dia, eu tinha descoberto que o meu corpo é um poema, que se escreve, sem que eu queira que ele se escrevesse,

Preferia ser eu a escrevê-lo

Mas ele é que manda.

 

Naquele dia, eu percebi que o dia, é uma canção de amor

 

Que o dia é um pedacinho de ti.

 

 

28/11/2023


28.11.23

Não posso pedir à manhã, perdão. Que perdoe todos os meus pecados, mas que pecados, quando o meu único pecado é escrever poesia,

É morrer esperando que regresse o mar,

Que nasça o dia,

Não posso pedir perdão à manhã, e se pudesse, nunca o faria.

Não posso pedir à manhã, perdão, clemência, que me seja reduzida a pena a que fui condenado (escrever poesia)

Que me façam uma estátua…

E um parvalhão de um pássaro me cague em cima.

 

Que diria eu, à manhã!

Olá, bom dia, estás bem, pareces triste, hoje

Sabendo eu que a tristeza é apenas um pedacinho de insónia nos lábios do luar, e graças a Deus, amar-te parece a coisa mais estranha de todas as coisas estranhas,

Nasce o dia,

Morre a noite,

E tu, manhã que implora por perdão, foges de mim

Escondes-te de mim.

 

Não posso pedir à manhã, perdão.

Não posso pedir à manhã perdão, mas posso pedir-lhe um livro de poesia, torradas e um pouco de café

Daqui a pouco, acordas

E eu, por aqui…

À procura de um cigarro.

 

 

Na algibeira.

 

 

28/11/2023

...


28.11.23

Odeio os teus olhos, odeio a tua boca, odeio os teus lábios,

Odeio o teu cabelo,

Odeio as tuas mãos e odeio o teu sorriso…

Odeio-te tanto, que te amo de uma forma estranha,

De te odiar.

De te olhar.

 

 

28/11/2023


27.11.23

Serei pó, serei lápide, tanta coisa, que eu posso ser.

Serei pão, porque não,

Serei bebida alcoólica, e poema ao mesmo tempo, serei moca,

Pedra

E cólica

Sem sentimento.

Serei pó, serei a palavra, a minha e a de Deus,

Serei janela, serei o mar vestido de janela, quando olha a lua travestida de névoa-azul.

 

Serei gaja, gajo vestido de gaja, serei pássaro, poeta e afins, serei o pedreiro trabalhando o granito, escrevendo no granito as lágrimas de sua amada,

Sonâmbula,

Exige-se respeito, na solidão do dia

As cabras, perderam-se no monte, as pedras fitam as cabras depois dos filhos das pedras, morrerem de tédio a coçar os tomates, olhando as cabras.

 

Serei angustia no teu peito, fragância na tua mão, serei poema disfarçado de aldabrão, e de tudo ou nada, a sinfonia entra na sala, os músicos sentam-se junto à lareira, e um muro de pedra desata em lágrimas,

Aldrabão…!

Serei piolho, porque não, tão espertinho, e tão aldrabão, a cidade em chamas, as mulheres desta cidade, em lágrimas, que não chegam para apagar as chamas desta cidade.

 

Serei um livro. Um livro de poesia.

Serei casa, com muitas janelas, com muitas crianças, com muitos… barcos

De brincar

E alegria

Serei pó, serei sem-abrigo, serei canção,

Melodia

Sem amigo.

Serei uma pedra, uma laje, serei um telhado preparado para o vento,

Serei

Equação,

Número primo,

Serei pedra,

Serei menino…

 

Serei alimento.

 

Serei tudo o que tu quiseres, meu amor, fascista é que não.

 

 

27/11/2023


27.11.23

A tua pele é feita de lâminas de luz,

A tua pele é poesia, é canção-melodia, a tua pele é a sílaba perdida da canção-melodia.

A tua pele é a paisagem longínqua das noites de Luanda, é o cheiro a terra queimada e

Não reclamada,

A tua pele é o caderno secreto do poeta,

Do poeta que escreve na tua pele,

Que é feita de lâminas de luz.

 

A tua pele aquece-me como me aquece esta lareira, que nunca tem sono, que não tem sonhos, e que come os sonhos,

De escrever na tua pele.

A tua pele é pauta musical, é tela suspensa numa parede invisível, numa parede sofrida, sem janela para o mar.

A tua pele é o luar,

A tua pele são as estrelas da noite

E que nunca dormem,

E que até parecem imortais.

 

A tua pele é perfumada, veste-se a rigor, sai à rua e vai às compras, a tua pele finge, finge que não me vê, finge que não sabe ler, de ler as palavras que escrevo nela.

A tua pele é silêncio, é equação sem solução, a tua pele

(sei lá eu, sei lá eu)

De que é feita a tua pele além de lâminas de luz,

 

E de pétalas em sorriso.

 

 

27/11/2023

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