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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.07.23

Ainda ontem era noite

Nos teus doces olhos em pedacinhos de vergonha

Ainda ontem era noite

Nos teus lábios de insónia

Ainda ontem era noite…

No teu sorriso de madrugada,

 

Ainda ontem era noite

Nas tuas mãos em desejo

Nos teus braços

Os doces beijos,

 

Ainda ontem era noite

Quando da noite de ontem

Uma outra noite

Se despediu de mim…

Ainda ontem era noite

Noite estrelada…

Da noite do teu corpo

Na noite…

Sem mais nada,

 

Ainda ontem era noite

No sorriso da alvorada

Da pouca noite que resta…

Uma nova noite

Da noite apaixonada.

 

 

 

01/07/2023

Francisco


01.07.23

Habito,

Habito dentro deste cadáver emprestado,

Fingindo que este cadáver emprestado,

Me pertence,

Não,

Este cadáver emprestado,

Nunca,

Nunca me pertencerá,

 

Habito neste planeta de enganos,

De estrelas mortas

E de mortas

Palavras,

Não,

Este cadáver não me pertence…

E terei de o devolver…

E terei de desenhar na minha mão

Um outro cadáver

Com um outro nome,

 

Habito,

Habito dentro deste pequeno círculo,

Que me rouba o sono,

Que não me dá fome…

Habito,

Habito dentro deste livro que escrevo em segredo,

Sem palavras,

Sem medo…

Apenas desenhando silêncios…

E rochedos,

 

Habito,

Habito dentro deste cadáver,

Que não me pertence,

Que nunca me pertenceu…

E sofro,

Muito…

Porque preciso de o devolver…

E não sei a quem pertence.

 

 

 

01/07/2023

Francisco


01.07.23

20230701_120417.jpg

A cada traço que acorda da minha mão

Há uma estrela que morre

Uma criança em fome

Um parvalhão de um rico

Rico

Que não se cansa de humilhar

Um silenciado pobre

Pobre,

 

A cada traço que acorda em mim

Há uma jangada de solidão

Um planeta maldisposto

Em ressaca

Há um segundo neste meu relógio sem dono

Que se mata

A cada traço

… nada,

 

Em cada traço de mim

Há uma auto-estrada

Onde na faixa da esquerda…

Circulam as palavras proibidas…

E na faixa da direita…

A cada traço

Nada,

 

Em cada traço de mim

Em mim

Desta mão

Um pequeno traço que se ergue

A lua com febre

De mim

Aquele traço

Naquele triste jardim,

 

A cada traço…

Que desta mão se ergue

E reza

Reza sem razão

As palavras proibidas

Que o poeta coitadinho…

Esconde

A cada traço de sua mão.

 

 

01/07/2023

Francisco


01.07.23

Conto as estrelas, são tantas, meu amor, são tantas as estrelas e cada uma com um desejo nos lábios, conto as estrelas e depois penso…, quantas estrelas tem o teu olhar,

Muitas, poucas, assim-assim, tanto me faz…

Conto as estrelas que brincam nesta misera folha em papel, conto o silêncio destas paredes, destes pequenos nadas que existem dentro de mim,

No fundo, sou um nada…

Um nada que escreve…

Versos ao nada.

Conto as estrelas da minha infância, conto as estrelas das primeiras paixões, conto as estrelas que existem nos teus lábios, tal como existem nos lábios das estrelas,

O desejo,

Conto as estrelas e perco-me no teu sorriso de perfume adormecido, embrulhado nas minhas palavras, quando das tuas lágrimas…

Acorda um pedacinho de sorriso.

Conto as estrelas da tua mão, conto as estrelas do teu cabelo, conto as estrelas…, as infinitas estrelas do perfume dos teus lábios.

Conto as estrelas que me afligem, mais as estrelas que não me desejam, e percebo que este pequeno nada, que sou, esconde-se dentro de uma pedra cinzenta, com olhos verdes, e cabelo pigmentado de beijos.

Conto as estrelas que há em mim, e sabes, meus amor…

Dou conta que em mim não existem estrelas.

Conto novamente as estrelas do silêncio e da solidão, abro a janele, fecho a janela…

E pergunto-me se estarei realmente…

Louco.

Conto as estrelas das amarras e do medo, conto as estrelas de todas as prisões invisíveis…, e de todas as flores comestíveis,

Conto as estrelas da paixão,

E dos pequenos e simples guardanapos de papel,

Conto as estrelas do meu fracasso…, e tantas, meu amor, tantas estrelas…

Onde posso escrever…

Quase anda.

Conto as estrelas destes livros espalhados pelo chão, que odeio, que me odeiam…, que se diga, meu amor, começo a ficar farto de livros e de livros dos livros…, com poemas, espalhados pelo chão…

Conto as estrelas de todas estas paixões e não paixões destes mesmos livros, e percebo,

Que tal como eu…

São apenas uns coitados,

Dos tristes coitadinhos.

Conto as estrelas… sei lá, meu amor…

Já nem sei o que são estrelas.

Conto as estrelas das minhas palavras, e deixei de ter palavras…, quanto mais estrelas…, conto as estrelas desta melodia que oiço, e perco-me nas estrelas do teu silêncio, antes que que acorde a manhã…, e me roube todas as estrelas da noite.

Se eu fosse um louco, um pequeno louco de nada, um triste louco, um louco…, de louco, queria ser uma estrela, na estrela do teu olhar.


01.07.23

Querem lá saber do coitadinho

Do triste coitado

Do louco

Que de tudo

Tem pouco,

 

Querem lá saber das estrelas

Quando o tolo

Do coitadinho

Desenha sorrisos de lama

Nas mãos da madrugada,

 

Coitado dele…

Coitado

Do triste coitadinho

Do coitadinho

Coitado

Aqui… aqui deitado,

 

Coitado

Do triste coitadinho

Do poeta da desgraça

Que espera o comboio no apeadeiro

Que não passa

Com rumo a Santa Apolónia,

 

Coitado

Dele

Do coitadinho

Do minguo poeta sem destino

Coitadinho

Do coitado

Deste pobre menino…

 

 

 

1/7/2023


01.07.23

Se te escrevesse

Morria

Se te escrevesse morria dentro do silêncio dos teus lábios

Transformava-me em pó…

Nas estrelas do teu olhar,

Se te escrevesse

Morria

E seria o homem mais feliz do Planeta…

 

Se te escrevesse

Morria

E não me cansava

De olhar a tua voz

No luar nocturno do desejo,

 

Se te escrevesse

Morria

E sentia

Nos meus braços…

A simplicidade das tuas mãos…

 

 

 

1/7/2023

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