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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


05.12.21

Sete sílabas de sono,

Dormem no meu peito ofegante,

Contaminado pelo silêncio cigarro,

Sete sílabas de sono,

Cansadas da lua brilhante,

Pensam em ter-me agarrado,

Mas eu,

Com as sete sílabas de sono,

Corri para o mar…

Sete sílabas de sono,

Filhas do amargo cigarro,

Dormem no meu peito amargurado,

Sete sílabas de sono,

Sete silabas de amar,

Dormem no meu peito ofegante,

Sete sílabas de sono,

Prontas para zarpar,

Deste rio sem nome…

Sete sílabas de sono,

Que amam,

Que dormem…

Que têm fome,

Fome das palavras que como.

Sete sílabas de sono,

Três janelas para a escuridão,

Sete sílabas de fome

Dentro de sete sílabas sem nome,

Sete sílabas de fome,

Que abraçam e amam…

As sete de sílabas de sono,

Que habitam o meu coração.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 5/12/2021


05.12.21

Conheci uma lágrima de luz, de cor esverdeada,

Que brincava na minha mão,

Depois, regressava a madrugada,

E a lágrima de luz, partia e parecia um foguetão.

 

Subia no céu como uma flecha cansada,

Subia até desaparecer,

Subia no céu esta lágrima de luz amargurada,

Amargurada de viver.

 

Ela não sabia que existia a palavra amar.

Ela dizia que a lágrima de luz, de cor esverdeada,

Era a espuma do mar;

 

Era um barco desgovernado.

Conheci uma lágrima de luz, de tristeza regressada,

Uma lágrima de luz cansada, cansada do passado.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 05/12/2021


05.12.21

Senta-te aqui.

Escreve em mim

As palavras que não ousas escrever,

Silencia-me os números

Que jazem nas minhas mãos,

E

Apenas servem para comer,

Descendo a montanha,

Dormirem junto a ti,

Dentro do mar.

Senta-te e olha-me.

Desenha em mim

A fotografia prateada da saudade,

De cabelos soltos ao vento,

Desenha em mim a triste madrugada…

Deixa estar; fica, fica aqui sentada,

E,

Desenha em mim,

(com o lápis da verdade)

O doce alegre alento.

Senta-te aqui!

Declama as minhas palavras amargas e distantes,

Quando o meu corpo falecer,

Quando o meu corpo deixar de escrever,

Escrever cartas para amantes.

Senta-te e não me odeies pelas canções envenenadas,

Pelas palavras ensanguentadas,

Que deste livro emergem e acordam,

Acordam sem acordar, sentando-se nos olhos que não choram.

São as lágrimas do senhor,

São as rosas do teu olhar,

São saudade, são flor,

Flor silêncio de mar.

Senta-te aqui e divide este triângulo louco,

Divide-o em pedacinhos amanhecer,

E,

E de tudo um pouco,

Não te esqueças de me escrever.

Levanta-te corpo abandonado,

Palavra em delírio na madrugada,

Levanta-te, levanta-te poeta enforcado,

Enforcado na calçada.

Senta-te.

Escreve em mim

As palavras que não ousas escrever,

Desenha em mim as circunferências da dor,

Palavras, beijos de amor,

Que não sabem viver,

Que detestam brincar,

Traz-me as rosas, meu amor,

Traz-me as rosas de amar,

Aquelas que habitam o teu sorrir,

Traz-me as rosas, traz-me as rosas sem as partir,

Partir,

Partir junto ao mar.

Senta-te aqui,

Pequenina luz de saudade,

Cabelo branco, voz rouca e pálida, cabelo pouco,

Pouco como estas palavras de dizer,

Senta-te aqui, pequenina saudade,

Sem medo de viver,

Viver sentada,

Aqui sem dizer,

Dizer e querer,

Querer regressar,

Sem o saber,

Saber amar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 05/12/2021

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