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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


16.09.18

É noite, meu amor!


Sinto os teus braços entrelaçados no meu peito,


Um rochedo de saudade fundeado em mim,


Onde o peso da tristeza voa sobre o meu quarto abandonado pelas flores,


Sofrimento, a dor da fórmula matemática sem resolução,


Como a morte,


Ao final da tarde,


Os insectos poisados no teu corpo espelhado pelo nascer do sol…


É noite, meu amor!


Todos os dias são dias de insónia,


Tortura,


Desespero sombrio das cavernas habitadas por húmidas ardósias de espuma,


Desço o rio,


Mergulho nos teus lábios de poema adormecido,


O louco,


Adormecido,


É noite, meu amor!


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 16/09/2018


09.09.18

Das janelas não se viam as transeuntes folhas caducas,


A rua imunda, suja, recheada de sombras invisíveis,


E um corpo putrefacto mergulha na minha mão…


Que faço eu com ele?


Alimento-o,


Enterro-o…


Ou escrevo nele a minha raiva.


As espadas da saudade, cravadas no peito húmido do esqueleto de vidro,


As pedras perfurantes alicerçadas nos lábios do abismo,


Sinto-me tudo isto, ao adormecer…


Sem perceber as palavras do amor.


 


 


Francisco Luís Fontinha


09-09-2018

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