Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


29.02.16

Amar o falso louco


Quando da noite regressam os comboios da saudade


Imprimir as rugas da infância


No pedaço de terra encharcada de silêncio


Depois de acordar a madrugada


Amar o falso louco


Quando do louco nada sobressai nas tardes de uma cidade abandonada…


Sem transeuntes para conversar


Sem transeuntes para brincar


Deito-me sobre as pedras afiadas do desejo


Invento crianças nas minhas brincadeiras


Desenho círculos na areia


Antes que o mar os apague


E novos círculos são desenhados por outros falsos loucos


Como eu…


Como nós.


 


Francisco Luís Fontinha


segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016


28.02.16

Não me peças para viver sem a tua presença,


Não me peças para imprimir a tua presença na minha mão,


Que de todas as ausências, mentem, são tristes, comoventes…


Não me peças para te amar…


Porque nunca te vou amar,


Beijar-te


E abraçar-te,


Não me peças para ser um ausente


E inanimado miúdo de calções transparentes,


Finjo,


Fujo


Das tuas garras,


Sou a montanha sem cume,


O penhasco da desilusão,


Não me peças


Amor


Carinho


E presença,


Sou um esquilo, tranquilo, mas ausente,


Nas fanfarras de Verão,


Nas aldeias no Inverno,


No cimento embriagado pelo silêncio,


Deito-me em ti,


Durmo nos teus lençóis de linho,


E mesmo assim,


Não te amo…


 


Francisco Luís Fontinha


Domingo, 28 de Fevereiro de 2016


27.02.16

Sentiria o corpo voar


Se não fossem as tuas mãos,


Chegou o momento de cortar todas as amarras,


Sentir a liberdade das palavras nos meus lábios…


Sentir a vontade dos beijos nos meus poemas,


Zarpar em direcção ao nada,


E com o nada digo tudo


Que com o tudo nada digo,


Inventar em mim os aviões da infância


E as coloridas paredes de uma casa abandonada,


Sentiria o corpo voar…


Se não fossem as tuas mãos,


A tua boca,


O teu perfume disfarçado de noite


Antes de regressar a morte,


Sentiria o corpo


Não sentindo o peso da atmosfera alicerçada nos meus ossos de papel,


Não sentido a madrugada suspensa no cortinado…


E lá fora


Os gemidos nocturnos dos incêndios de veludo,


Ir


Caminhar sobre as pedras esquecidas pela tempestade,


Comer os livros ainda não lidos


Porque estão mortos sobre a minha secretária,


Sentiria


Se não fossem as tuas mãos


O peso da lua,


Sentiria a claridade do sofrimento


A cada dia percorrido,


A momento desperdiçado escrevendo-te…


Sem sucesso,


Amar-te sem amar


Sentir sem sentir o esplendor do amanhecer,


Às vezes, pareço um menino em busca de uma praia


Com areia branca,


Às vezes, pareço um pedaço de aço atracado a um qualquer porto de mar…


E sentiria


As tuas mãos


No meu peito


Ao despedir-se a tarde.


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 27 de Fevereiro de 2016


26.02.16

Deixaste de me ouvir


E destruíste os muros invisíveis da paixão,


A árvore da madrugada silencia-se


Das palavras da enxada que desbasta a montanha do amanhecer,


Deixei de ter corpo,


Deixei de pertencer aos habitantes desta cidade em ruinas…


Onde habitava desconhecendo o sabor do poema,


Os lábios,


Os beijos prisioneiros dos lábios


E todos os alicerces da tarde em construção…


Morreram como morrem todos os bichos que brincam na minha mão,


Deixaste de me ouvir…, e mesmo assim, vives dentro de um pequeno cubo de vidro,


 


Tens no olhar as fotografias da tristeza


E na boca as sombras da noite,


Deixaste de me ouvir


E ficamos apenas com alguns pedacinhos dos muros invisíveis da paixão,


Caminho sobre a estrada do sonho,


Desenho círculos no peito da areia como se fossem cadáveres sem nome,


E nos meus braços


A felugem argamassa do prazer


Sangrando pelas feridas do abismo,


Fiquei sem apeadeiro


Quando a locomotiva da dor zarpou em direcção ao mar…


E tu, deixaste de me ouvir.


 


Francisco Luís Fontinha


sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016


24.02.16

Amanheci nos teus braços


Desconhecendo o significado de amanhecer,


E mesmo assim


Consegui acordar


Desta nostalgia desconhecida,


Deste sofrimento de morrer…


Acordo sempre nos teus braços


E não sei como são os teus braços,


Amanheci…


Desconhecendo o significado da madrugada


Que se embrulha nos meus braços,


Estes… conheço-os,


Ao contrário dos teus que nunca tive o prazer de tocar…


Como são os teus lábios de amanhecer…!


Que eu procuro sem encontrar,


Amanheci nos teus braços


Desconhecendo o significado de amanhecer,


E mesmo assim


Consegui acordar


Desta nostalgia desconhecida,


Deste término de amar,


Como o silêncio de adormecer


Acreditando que tenho a minha cabeça deitada no teu peito…


Será que sim?


Ou sou uma árvore de um qualquer jardim


Que espera o regresso da noite…!


 


Francisco Luís Fontinha


quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016


23.02.16

As quatro esferas de quartzo


Desalinhadas na estrada da insónia


A simplicidade do silêncio mergulhada no meu corpo


Até que ele cai no poço da alvorada


Não sinto nada


Sou indolor


Como as manhãs de Inverno


Recheadas pelo sono da madrugada


 


Francisco Luís Fontinha


terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Pág. 1/4

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub