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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


22.11.15

Assim temos mais prazer, penso nos teus seios, imagino os teus broches literários sobre a velha secretária em madeira, gemes, ouvem-se os gonzos da solidão salitrarem sobre a cancela da noite,


Oiço-te, minha querida, nas campânulas do sonambulismo organizado, a saliva da tarde no púbis do teu silêncio de abelha amestrada, os teus lábios masturbados nos meus, a loucura, o desejo, os cigarros em delírio… quando na lareira dormem algumas páginas do meu livro,


És indiferente à minha escrita, cagas nas minha palavras… minha querida, e confesso-te que também eu cago para as minhas palavras, é sábado, estás triste pela minha ausência, na TV porcarias embalsamadas, tristes, porcarias,


Do meu livro, o teu corpo está lá, acreditas, minha querida?


Todo ele, invisível sofrimento nas mandibulas do primeiro beijo


Amo-te


Do primeiro beijo, a fotografia aprisionada num velho álbum de fotografias, “um sorriso… olha o passarinho… já esta”, e eu parecendo um panasca com pulseira em oiro e pose de fantasma, sorria, tinha na boca o amargo beijo das clandestinas sanzalas de estanho, o zinco dormitava debaixo do sol, porra… isto é “fodido” … como é “fodido” amar-te em silêncio, como quadriculadas noites num velho caderno, as argolas tortas, todas, elas


“Amo-te seu cretino, candeeiro da noite, abstracto insecto dos charcos em flor, adeus, amanhã sacio-me em ti, elas


“Assim temos mais prazer, penso nos teus seios, imagino os teus broches literários sobre a velha secretária em madeira, gemes, ouvem-se os gonzos da solidão salitrarem sobre a cancela da noite”,


Elas agachadas junto aos semáforos do amor travestido de Ceia de Natal,


Odeio-o, odeio-a…


É sábado, não tenho ninguém, adormecem junto a mim livros, cachimbos e papeis, tenho medo, minha querida, tenho medo


O estranho vizinho de caneta na mão, adormecia todas as matrículas dos automóveis estacionados junto à porta de entrada, louco, louca,


Amar-te sem o saber


Odeio-a,


E sem o perceber…


 


(ficção)


Francisco Luís Fontinha – Alijó


domingo, 22 de Novembro de 2015


21.11.15

Sou um pássaro assustado


Sem poiso onde aportar


Sou a noite vestida de solidão


Com janela para o mar


E tenho na mão


Um rochedo de dor


Que só este corpo acorrentado


Sabe suportar


Como o perfume de uma flor…


Sou um pássaro assustado


Esperando o regresso do amor


Neste barco de amar.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


sábado, 21 de Novembro de 2015


20.11.15

Este triste rio


Que desabraça as suas margens


Que troca o silêncio da noite


Por gaivotas em papel


E barcos de sombra


Agacha-se quando a solidão brinca no vento


Sorri quando a melancolia voa sobre os coqueiros


Este triste rio


Que habita no meu peito


Não dorme


Não come…


Mas ama


E sofre


Como eu


Uma caravela sem destino


No estrelar do desejo.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


sexta-feira, 20 de Novembro de 2015


19.11.15

Tenho medo dos tentáculos teus beijos


Quando demora a regressar o entardecer


Quando cai a chuva sobre o teu corpo


Tenho medo do teu silêncio nas palavras de esquecer


Quando a madrugada existe apenas para nos atormentar


Enrolas-te em mim


Finges que lês as minhas mãos


E voas em direcção ao mar


Fico só


Nesta escuridão de amar


Fico só


Neste esconderijo sonolento


Abraçado às abelhas do amanhecer


Fico só


E tenho medo


Dos tentáculos teus beijos


Que só a morte consegue perceber…


E o desejo desenhar no pavimento térreo da solidão


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


quinta-feira, 19 de Novembro de 2015


18.11.15

Meu amor, hoje pertenço-te, absorves-me, alimentas-te das minhas palavras esquecidas num qualquer engate, é tarde, meu amor, a noite rebenta no meu peito, sinto o peso das estrelas nas minhas pálpebras inacabadas, o pintor adormeceu sobre o seu próprio corpo, é inerte, invisível na paleta das cores diluídas na alma, a morte, meu querido, o fantasma clandestino do abismo descendo a Calçada, e ao fundo


- O rio reflectido nos teus lábios, meu amor, a vaidade da folha de papel esquecida sobre a pobre secretária de pinho, o caruncho, a ferrugem das ardósias iluminando a noite,


E ao fundo, os barcos adolescentes brincando na sonolência da inocência,


- Tenho medo, meu amor, alicerças-te ao meu cansaço, o Francisco partiu hoje para o desconhecido, sabes, meu amor, gostava dele, amava-o… e amo-o, e tenho medo, meu amor, dos pássaros que voam, das flores que choram, das abelhas que incendeiam a manhã dos silêncios de Oiro, sabes, meu amor, tenho medo


- De ti, de mim, de estar vivo inventando a vida em quadriculados poemas, mais nada, meu amor, mais nada, apenas o medo, a alegria de amar-te, sem saber que o amor habita neste caixão de enxofre,


Oxalá


- As portas, os tristes alicates da escuridão vestidos de mendicidade, a tua boca na minha, o beijo, a orgia matinal da poesia, gemes


Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii,


E nada quer de mim o que tu desejas…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


quarta-feira, 18 de Novembro de 2015


17.11.15

Tudo ou nada


Nada de tudo


Tudo de mim


Desde a árvore indefesa que me protege


E habita o meu jardim


Até ao rochedo invisível que caminha comigo


Quando cresce a noite


E adormece o dia nos teus olhos


Tudo ou nada


E nada tenho


De mim


Nada de tudo


Assim, como as flores que choram junto à minha lápide


E nunca perceberam o significado da palavra “chorar”


Tudo


Avassalador


Triste


Tudo consumido na fogueira da paixão


De nada ter


E de tudo perder


Tudo ou nada


Nada de tudo


Assim


De mim


Sem o saber.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


terça-feira, 17 de Novembro de 2015


16.11.15

esconde-se o corpo no tapete nocturno da solidão


as cânforas manhãs do desassossego libertam-se das amarras


a liberdade acorda


todas as flores são livres


e todos os pássaros voam sobre os cabelos da alvorada


o olhar da serpente brinca num longínquo quintal abandonado


onde uma criança


também ela livre…


sonha com barcos em papel e estrelas coloridas


o corpo nunca teve medo


a não ser da solidão


que é a única prisão que amedronta o homem sem corpo…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

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