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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


30.06.15

Este ruído constante nas minhas veias,


Sinto no peito os socalcos embrulhados pelo xisto do cansado anoitecer,


É escuro, sempre, em mim,


Habito neste cubículo de sombra,


Sem janelas para o mar,


Sem porta para os teus lábios,


Amanhã, não sei se vou ver os barcos da madrugada,


Não sei se amanhã há madrugada,


Não sei se amanhã há barcos,


Vento,


Silêncio para me esconder…


Ou palavras para semear em ti,


Um aquário de paixão termina a viagem,


Não traz bagagem,


Recordações,


Fotografias…


Nada,


Os cigarros misturados na tempestade,


Nunca sei quando são cigarros,


Nunca sei quando é tempestade,


Nada,


Nada quero desta cidade.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 30 de Junho de 2015


29.06.15

Sonhei com o meu túmulo,


Vi uma lápide embrulhada nas tuas lágrimas,


Recordei os entrelaçados dedos de Primavera


Nas arcadas magoadas do vento,


Não sabia que existiam nos teus lábios,


Poemas,


Amor,


Desejo vestido de paixão,


Mergulhava no teu corpo,


Transformava-me em espada,


Atingia-te o coração,


Encerrava-o,


Tinha-o em mim como se fosse a minha sombra,


Ténue,


Tão magra como as fotografias envergonhadas,


Não o sabia,


Vi,


Crescia,


Mentia…


Nunca te amei,


Apenas sentia o que via…


E nada via,


Sonhei com o meu túmulo,


Estava enfeitado com o pôr-do-sol,


Mergulhava,


E mentia…


Que te amava,


Nunca amei ninguém,


Amo as pedras


E as palmeiras da minha terra,


Amo as palavras do teu olhar,


Depois da partida do último comboio…


O mar,


Dentro do teu coração,


Um amontoado de ossos brincando com a poeira madrugada,


O meu corpo em cio,


Deitado ao teu lado,


E mais nada.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 29 de Junho de 2015


28.06.15

O amor é um gajo abstracto,


Obscuro,


Transacto,


O amor é um gajo sem alma,


Cansado de mim,


Vestido de noite,


Vestido de ninguém,


Só… só neste jardim,


 


Tínhamos nos lábios o salgado mar da paixão,


Dizias-me que era preciso acreditar,


Ter fé,


Esperança,


 


Não acredito,


Não tenho esperança…


E odeio a fé,


 


Sou um esqueleto de chumbo,


Uma palavra acorrentada ao poço da solidão,


Tínhamos nos lábios


A cidade dentro da bagagem,


No espelho sentia-te entre películas de água


E algas em suicídio,


 


Esqueci-me de ti…


 


Como me esqueço de todas as coisas belas,


 


Claro que tu não eras uma “coisa”,


Eras poesia caminhando em frente ao Tejo,


Tínhamos todas as estrelas do céu,


Davas-me a mão,


Ficava cego,


Sem nome,


Sem endereço…


E acreditava,


Tu mandavas,


E eu,


Eu acreditava,


E me afogava no teu corpo…


 


Hoje sou um cadáver envergonhado na noite,


Uma âncora de desejo mergulhado nas pálpebras do infinito,


Sou uma recta,


Um círculo,


Um triângulo…


Sou um hipercubo suado na madrugada,


Sou lonca geometria,


Na amada,


Na amada mestria,


Abro a boca e silencio-te com a minha língua,


Roubo-te a alma,


E fujo para os teus braços…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 28 de Junho de 2015


27.06.15

Não esperes por mim,


Hoje,


Não,


 


Não desenhava a felicidade no teu corpo,


Não,


Não sei como é a felicidade,


Não,


Não sei desenhar,


E no teu corpo…


Sem coragem de amar,


Não,


 


Não esperes por mim,


 


Não grites no meu olhar de água embriagada, imaginado por duas montanhas de esquecimento,


Dois seios separados por dois muros de desejo,


Cai a noite no espelho da tua voz,


Imagino-me na tua boca gritando…


AMO-TE,


Não esperes por mim,


 


Hoje,


Na noite,


As cancelas da alegria argamassadas na literatura da loucura,


Habito numa cidade de inveja,


Habito nos teus braços


Como habitam nos teus braços,


 


As sabáticas manhãs de Inverno,


 


E os apaixonados livros do Inferno…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 27 de Junho de 2015


26.06.15

Deixei de pertencer aos retractos nocturnos do abismo,


Sou uma sombra aprisionada neste longínquo porto sem amarras,


À deriva,


Procuro o vento laminado das tardes de Luanda,


Não ando,


Não amo,


Não… não sei o nome da imagem que acordou neste espelho envelhecido,


Não entendo os Oceanos de insónia que brincam nos meus ombros,


Deixei de ter ossos,


Deixei de pertencer…


E do abismo


Uma flor encardida voando sobre as palmeiras,


 


Uma mão de solidão


Encalhada no meu olhar,


E onde estão as tuas palavras?


Amargas,


Cansadas das viagens ao Planeta da escuridão,


Asas em chamas,


Crocodilos em vão…


Sem janelas no sótão,


Sento-me nas escadas,


Pego levemente num cigarro inventado pelos teus lábios,


E canto,


E choro…


 


A saudade.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 26 de Junho de 2015


24.06.15

Dançavas-me entre sombras de prata


E nuvens de silêncio,


Snifávamos o sorriso do rio,


Fumávamos os barcos aportados num qualquer coração sem alma,


E éramos felizes,


Como são felizes todas as marés curvilíneas da saudade,


Como éramos felizes embrulhados no fumo do “Texas”… meia-noite em ti,


Uma da manhã em mim,


Bebíamos todas as palavras poisadas em cada mesa,


Amávamos todos os abutres da noite


Que deambulavam sobre nós,


Dançavas-me…


E nuvens de silêncio,


E beijos,


Líamos e inventávamos círculos de papel,


Escrevíamos em todos os corpos dos corpos sem corpos.,


E não sabia que existiam beijos de esperança


E cabelos de infância,


À nossa volta,


Gajas,


Gajos como nós,


Voando em direcção ao mar,


Desenhávamos o abraço numa qualquer lápide,


Uma fotografia tua…


Olhos verdes,


Olhos castanhos,


Olhos… olhos enfeitados de naftalina,


Dançavas-me,


E eu não sabia que o amor se escrevia na margem esquerda do teu peito,


Ouvia-o…


O teu coração de pedra,


Ouvia-as…


As tuas coxas suspensas na mão de um qualquer gajo,


Como nós,


Gajos como nós,


E gajas,


E gajas como tu…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 24 de Junho de 2015


24.06.15

Só desisto depois do fim,


Não acredito que amanhã nascerá o Sol,


Nem sei se o Sol que me absorve,


Existe,


Ou é apena uma imagem entranhada no meu corpo,


Ignoro a bagagem,


E as árvores do teu jardim,


Sentávamo-nos junto a um rio recheado de paixão,


Entrelaçávamos as mãos como se fossem finíssimos fios de arame


Esquecidos na geada,


Há nossa volta…


Nada,


Apenas éramos mergulhados na forçada noite


Sem tempo para brincarmos no olhar emagrecido da solidão,


Vestia-me de barco,


Vestias-te de marinheiro,


E dançávamos até que um relógio de pulso cessava as palpitações da madrugada,


Nunca tínhamos fome,


Sede,


Nem uma Lisboa com rochedos em papel,


Ouvia-te,


Sentia-te,


Nada,


Há nossa volta…


Alguns minutos em desassossego,


Perdia a voz,


Perdias os lábios na minha boca…


(E amanhã,


Não sei se nascerá o Sol),


E nada,


Nada no livro que poisava na tua mão…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 24 de Junho de 2015


24.06.15

Não tenho pressa de voar nos teus olhos,


Meu amor,


Sei que nas tuas lágrimas existem diamantes invisíveis,


Um silêncio de noite


Cobre a tua pele,


Não tinha tempo para o amor,


Amar,


Ser amado,


Escrever no teu corpo os meus frágeis dedos,


Amo-te,


Amo-te sem perceber porque amo a noite,


Amo-te sem perceber porque hoje é noite,


Construída num quadrado de vidro,


Hoje ouvi os primeiros dos últimos sussurros dos pássaros daquele jardim envenenado,


Não sei, meu amor, escrevo-te sem saber se existes nesta Galáxia de alegria,


Amar,


Ser amado,


Amo-te sem perceber as palavras do teu corpo,


O poema,


A paixão,


A caricia das tuas mãos escondidas num caixote de sonhos,


Os desenhos, também eles te amam,


Meu amor,


Os barcos,


Os livros,


Cobrem a tua pele…


Sentado em ti,


Embrulhado nos teus beijos,


E mesmo assim,


Não quero regressar a uma Lisboa iluminada por Cacilheiros


E soldados de papel,


Ouvíamos os comboios em direcção a Cascais,


Belém brincava nos nossos braços,


E havia sempre uma esplanada para aportarmos,


Éramos âncoras de luz


Olhando as geométricas quadrículas do sexo,


Gemias,


Meu amor,


Entre poemas e poemas de ninguém,


Éramos odiados pelas serpentes dos eléctricos,


E pelos insectos da madrugada,


Fumávamos todos as estrelas,


Ignorávamos todas as pontes


E todos os abutres de aço,


Felizes eles,


E elas,


E eles,


Meu amor,


Fugíamos das noites com cortinados de desejo,


Tínhamos na nossa cama a solidão,


Os barcos de há pouco recordados,


Os acentos acorrentados à maré inseminada pelo pôr-do-sol.


Não o quero,


Meu amor,


Não o quero no meu corpo,


Na minha alma,


E nas minhas raízes…


Só elas conseguem aprisionar-me ao amanhecer,


E só tu consegues libertar-me desta cidade a arder…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 24 de Junho de 2015


22.06.15

A paixão do homem


No homem camuflado,


Salto os muros da infância,


Perco-me nas arcadas dos alicerces cinzentos,


Sei que hoje o meu destino,


É saltar,


Voar sobre os fios de seda dos teus lábios,


Tenho beijos na palma da mão,


Sou um clandestino silêncio à procura do amanhecer,


Palpita no meu peito


O cansaço dos sonhos adormecidos num qualquer Oceano,


Aqui,


Não sou ninguém,


Pareço as ruínas de um edifício de ossos,


O pó poisa nos meus ombros em cartolina solitária,


Como um lápis de carvão,


Deitado na eira…


Os dedos enterrados no chocolate teu corpo,


Os comboios imaginários entranhados nas tuas coxas de marfim,


A paixão do homem…


No homem…


O camuflado cinzeiro das noites sem dormir,


No homem,


O homem,


Sempre na esperança de partir…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 22 de Junho de 2015


22.06.15

(durante uns tempos não escrever; peço desculpa)


 


Não


Não tenhas pressa de partir,


Imagina no teu olhar


As sonâmbulas asas do mar,


A gaivota desesperada,


Triste,


Tão triste que não dá por nada…


Levanto as mãos,


Passo-as no teu cabelo,


Imagino os teus lábios alicerçados à montanha do Adeus,


Desenhos geométricos no teu peito,


Os teus beijos camuflados pela noite da insónia colorida de prata,


E eu aqui…


Sem nada nas mãos,


Falta-me a última palavra,


E de tantas que escrevo,


Não tenho nada,


Torna-se invisível o teu corpo na alvorada,


Pareces um comboio descarrilhado,


Enferrujado,


Sem maquinista nas curvas do Douro amado,


O poço da tua voz sangrento entre iões e protões,


A lâmina do teu cansaço poisada nos meus braços,


Encerro a janela,


Pego num livro de “AL Berto”…


E não vejo o mar a entrar pela janela…


Ausente,


A partida sem destino na cidade dos Cacilheiros,


O amor dos corpos em sofrimento amor,


Eles amam-se…


Eu.. eu amo-os,


Espalho a saliva do pensamento numa avenida sem nome,


O engate em Cais do Sodré,


O vento emagrecido,


Descendo a “Calçada da Ajuda”,


Eu parecia um cigarro em sentido,


Numa parada imaginária,


Um soldado,


Eu,


Imaginem eu um soldado,


Com uma espingarda de sémen


Disparando palavras contra a ponte 25 de Abril,


Era noite,


Ela lindíssima… vestida de luz


E carros em papel,


Deitava-me debaixo das estrelas,


Escrevia o teu rosto nas minhas lágrimas,


Embriagada cidade das águas sem nome,


Queria ser uma guilhotina,


Uma pistola em chocolate,


Comia a guilhotina…


E oferecia-te o chocolate,


Brincávamos,


Brincávamos entrelaçando as mãos na luz aérea do silêncio,


Emagreço,


Sonho com as tuas fotografias,


Acredito nos caixotes em madeira amarrotados no convés de um paquete,


Era Setembro,


Lembro-me do cheiro das videiras


E das ruas sem transeuntes,


Ouvia o suor das manhãs clandestinas,


O dia,


Anoite,


E o medo…


O medo que tenhas pressa em partir.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

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