Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


03.04.14

São longínquas as flores do teu olhar,


vivem como ervas daninhas encobertas pela sombra do luar,


são as flores do teu olhar que se alicerçam na tua boca,


alimentam os teus lábios...


e trazem a noite,


 


São pérfidas as mãos do teu olhar,


são pergaminhos enganados nas palavras de amar,


são alegres, tristes..., são as flores do teu olhar que poisam no meu peito,


e da noite, o teu cabelo suspenso no amanhecer,


vive e ama... e deseja-me enquanto pinto as flores do teu olhar...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 3 de Março de 2014


02.04.14

Enquanto te absorves na banheira do prazer e te libertas das caricias minhas palavras,


eu, um incipiente nocturno das fábulas sem habitação, construo o teu corpo com a espuma imaginaria que poisa nos teus seios de marfim,


de escultor nada tenho,


e imagino-te pintada no poema cansado da madrugada,


enquanto te banhas e te absorves..., nada em ti eu desejo, porque a ténue luz do silêncio te come, e alimentas o olhar das personagens solitárias da cidade do caos...


a paixão embainha-se no cortinado que nos separa, eu de um lado, e tu... tu... mergulhada, molhada, à espera das minhas mãos sem rumo, como a geada quando esconde o sorriso dos loucos pássaros,


e eu, eu um incipiente nocturno das fábulas sem habitação,


 


Apaixonado?


talvez... talvez não,


porque sou um acorrentado ao cais dos sofridos beijos em noites de tristeza,


eu pregado à insónia?


talvez... talvez não,


porque não estando apaixonado, porque não sendo o perfume dos teus cabelos..., sou, sou um delinquente invisível do amor,


sou uma gaivota que levita quando desapareces do meu olhar e te transformas em rio,


e sei que o teu corpo fundeado na banheira do prazer... é um barco, um barco com nome de mulher...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 2 de Abril de 2014


01.04.14

há uma neblina cinzenta poisada no cansaço dos dias


emagrecem as horas e os minutos e os segundos


há uma imagem prateada com sabor a calendário submerso na solidão


os dias não são dias


e das noites


ouvem-se as tempestades indesejáveis do silêncio


 


há uma parede mergulhada nas tuas veias de cigarros envenenados


e oiço as tuas palavras ensanguentadas de dor


flores são pedaços de poema com asas de papel


gaivotas mórbidas que invadem as sílabas do sofrimento


há uma neblina de medo


e ele e ele é a tua âncora de xisto em fatias de néon que a cidade absorve


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 1 de Abril de 2014


01.04.14

Percebo a insónia tua quando abres a janela do desejo, e voas, e evaporas-te como uma gaivota clandestina, sem nome, apenas... só,


percebo nos teus olhos a tristeza das tuas lágrimas, livres como a Primavera, e voas, e só...


sinto em ti o cansaço do corpo que espera o clarear da madrugada,


oiço a tua voz de cristal... e sei, e sei que habitas na minha mão,


escrevo no teu rosto as palavras não escritas, as palavras invisíveis... e só, só...


percebo que na tua voz existe melancolia, amargura, livros, livros em pedaços de lume,


percebo que há pétalas coloridas, e que há outras tão negras, negras... tão negras como a noite,


tão negras como os teus cabelos em silêncio... e só, e só, que tudo percebo.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 1 de Abril de 2014

Pág. 7/7

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub