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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


30.04.14

havia em ti pérolas de naftalina


eu pensava que o mar era só meu


e o egoísmo alimentava-me e fazia com que as minhas asas de amanhecer...


ardessem


como o cigarro que fumo e suspenso na janela com vista para os patamares do Douro


o rio entranhava-se em pedacinhos de dor


sofrimento


e algumas lágrimas invisíveis... poucas... voavam como gaivotas sem nome


descubro o amor numa solitária videira


a paixão numa triste pedra em granito... perdida na rua


à espera do silêncio na esquina sem transeuntes


e oiço as palmeiras com sombras de doirado anoitecer.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 30 de Abril de 2014


29.04.14

apareces


desapareces


submerges como se fosses um beijo cansado


esquecido nos lábios de uma flor...


a manhã em construção


uma mão na face clandestina do olhar


não és Lua


noite


nem amar...


Apareces


desapareces


nos sonhos silêncio do mar.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 29 de Abril de 2014


28.04.14

trazes no peito o peso da madrugada


as sílabas cansadas do amanhecer


trazes na mão a velha enxada...


e ao pescoço


o silêncio da alvorada


trazes no peito a mágoa do alicerce invisível


e os fios de luz


em pergaminhos agrestes com odor a limão


trazes a solidão


e as cartas esquecidas na gaveta da lareira...


e hoje


hoje nada acorda de ti que se entranhe em mim...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 28 de Abril de 2014


27.04.14




há um xisto vestido de tristeza


uma nuvem sangrenta poisada em ti


árvore sonolenta


magoada


jardim descalço


jardim... jardim filho da madrugada


 


há um rio perdido na calçada


esperando a tua mão


há um rio dentro de ti


correndo


correndo... correndo nas tuas veias de solidão


e gritando e gritando...


 


há um xisto no muro onde me sento


e te espero


dou-me conta que hoje não há o rio dentro de ti


que tens lágrimas


que... que danças no jardim


magoada no jardim descalço...


 


adormeço


sonho com fios de nylon aprisionando o Céu


que tens estrelas no olhar


e flores


flores na tua doce boca de jasmim


há um xisto... de tristeza... há um xisto dentro de mim.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 27 de Abril de 2014



27.04.14






no seu término o dia mistura-se com as sombras do prazer


o teu corpo mergulha sobre o meu peito flácido


quase a adormecer


lá fora há poemas por escrever


palavras vagabundas correndo junto ao Tejo


folheio as pequenas páginas dos teus seios


descubro o significado de “Amor”...


e sinto a paixão a entranhar-se nos meus ombros


 


há silêncios a descer a tua pele de doirado sémen


que acabam por morrer


semeiam-se nos límpidos lençóis de seda


como jangadas esquecidas em Cais do Sodré...


afinal... o sonho são as pequenas páginas dos teus seios


à janela do “Adeus”


simplesmente inventando soníferos de cartão


e livros a arder


 


há em ti um púbis construído de andorinhas


e flores de papel


e no seu término...


o dia... o dia cansado de viver


como se o teu corpo embrulhado nos meus braços de aço laminado


adormecesse vivesse amasse e morresse


e descubro o significado de “Amor”...


e de ser “amado”.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 27 de Abril de 2014



27.04.14

há silêncio nos teus lábios


pequenos beijos envenenados pela paixão


palavras dispersas


palavras sem canção


há matemática no teu olhar


equações trigonométricas nos teus braços


há silêncios...


e pedacinhos panos com sabor a saudade


disfarçados de madrugada


há barcos fantasma na tua mão Oceano


e sombras e sombras... e sombras que a noite vomita


e alimentam o teu sonho


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 27 de Abril de 2014


26.04.14

do centro da galáxia chega a mim a voz rouca da solidão


traço rectas no corpo da Lua


desenho corações na ofuscada luz da paixão


do centro da galáxia...


um fio de saudade que se alicerça aos meus braços


e me pede


e me obriga


… a escrever palavras não lidas


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 26 de Abril de 2014


26.04.14

mais um Sábado...


procuro a equação tangente à parábola da insónia


hesito


fico confuso


da rua oiço as luzes em néon adormecido


cansadas


e hesito


fico confuso


mais um Sábado...


sem horário


janelas com vista para o mar


hesito...


 


um dia


dois dias


… três velhos dias


 


hesito...


e fico confuso


procuro o cosseno hiperbólico do cansaço


calculo a integral tripla do amor


raios...


não o consigo


rasgo


destruo a folha quadriculada


tão velha


tão... infeliz como as luzes em néon adormecido...


um dia


ontem... ontem tu eras capaz


 


um dia


dois dias


… três velhos dias.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 26 de Abril de 2014


26.04.14

as rosas tuas mãos em decomposição


sinto-lhes o perfume de palavras em construção


o poema evapora-se no corpo nu da madrugada


dizem-me que deixaste de olhar o amanhecer


que... hoje és apenas uma árvore


sem folhas


sem... as rosas tuas mãos em decomposição


esperando que venha o rio e com ele o silêncio das lágrimas embainhadas no Luar.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 26 de Abril de 2014


25.04.14

imagino-te submersa em palavras de solidão


imagino-te vestida de poesia


de cravo na mão


imagino-te livre


nua


imaginar...


a madrugada sem nome


voando sob a cidade dos xistos embriagados


e há um rio em silêncio


um rio... um rio apaixonado


imagino-te deitada na areia pálida do Mussulo


escrevendo as palavras de solidão


 


no meu corpo


em mim


em construção


 


imagino-te com asas em papel amarrotado


escrito


rasgado no centro geométrico


rodando


brincando junto aos coqueiros imaginados


imagino-te de lábios desenhados


no muro da insónia


e sonhas


sonhando...


que te imagino submersa em palavras de solidão


e há uma varanda com cortinados de paixão


e há uma canção que acorda em ti... que te imagino submersa... solidão


 


no meu corpo


em mim


em construção.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

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