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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


30.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Ofereceu a bala inseminada com as impressões digitais do poema em construção, poisou os cotovelos sobre a iluminada folha de papel com meia dúzia de palavras, leu e releu e puxou o gatilho da caneta de tinta permanente sobre a secretária em pinho, voaram sobre a biblioteca todas as gaivotas de porcelana que permaneciam entre os livros e outras bugigangas, aos poucos, como silêncios de um pêndulo cansado, foram cessando as agonias do homem poeta da caneta de prata, uma bala silenciada adormecia-se como flores numa jarra, dentro dele apenas se ouviam as esquina de luz do espelho prateado,


A saudade submergiu do corpo caído sobre a secretária, ouvias as minhas preces como quem escreve um livro infinito, uma estória que só termina quando duas rectas tristes e sós se encontram


No infinito,


Dizem-me, eles,


A saudade é filha da balda da caneta de prata, as palavras morreram como morreram os teus sorrisos e como morreram as tuas caricias e como morreram as tuas mãos sobre o meu peito em feitiço... e como morreram


Quem quem morreu?


Como morreram os fantasmas dos roseirais de Luanda, e há uma filme escondido nas paredes de um casebre, na parede traseira uma placa com a inscrição de “FIM” aparece


Desaparece


E morreram os teus lábios nos meus lábios quando entrelaçados nos meus cabelos as lições de piano, o som melódico das teclas borbulham nos alicerces da madrugada, ofereceu a bala e suicidou-se com a caneta de prata


Sentia o cheiro intenso da tinta derramada nas alvenarias como desenhos abstractos que os teus olhos inventaram nas prateleiras velhas, nas prateleiras caducas, morreram os teu seios nos meus lábios, morreram as tuas cintilantes pálpebras nos cadeados de estanho, e ouvia-te das lágrimas os aplausos nas cantigas dos rabugentos e enferrujados barcos,


O aço é um corpo só, velho, flácido... o aço vive cambaleando suaves beijos em desleais palavras em mendigas sílabas de verdes olhos procurando a noite reconstruída e morreram os teus dedos que procuravam em mim


Quem quem morreu?


A bala, procuravam em mim a caneta de prata o suicídio fictício das palavras,


Quem quem morreu?


A bala, procuravam em mim as sombras desnorteadas das tardes de Segunda-feira, e eu, eu sabia-o, admitia-o... que um dia, tu, a bala e a caneta de prata... invadiriam o meu silêncio, um dia, tu, eu, que um dia, tu, a bala e a caneta de prata... invadiriam o meu sofrimento de lírio apaixonado, deitado sobre a secretária da


Saudade?


Que morreram as tuas peugadas absorvidas pelo meu pesadíssimo corpo em aço, só, velho, flácido... o aço vive cambaleando suaves beijos em desleais palavras em mendigas sílabas de verdes olhos procurando a noite reconstruída e morreram os teus dedos que procuravam em mim


Quem quem morreu?


A saudade,


(só, velho, flácido... o aço vive cambaleando suaves beijos em desleais palavras em mendigas sílabas de verdes olhos procurando a noite reconstruída e morreram os teus dedos que procuravam em mim)


Quem quem morreu?


Quem quem morreu?


O amor das pedras cinzentas...


FIM.


 


 


(não revisto – ficção)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 30 de Novembro de 2013



30.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


salivas-me as serpentes de fogo do relógio nocturno da escuridão


havíamos construído o pêndulo do desejo


que ficou no centro do vulcão teu beijo


às derramadas sílabas que a paixão enfurece


emagrece a montanha branca das ribeiras desertas


abraças-me em longos ramos de cetim


que escondem as janelas do quadriculado caderno das madrugadas embainhadas nos pulmões das aranhas de silício castanho


salivas-me as velhas cinzas dos cigarros embalsamados


e sinto-lhes o cheiro dos esqueletos de palha quando mergulham no rio dos Luares apaixonados


uma gaivota poisa nos teus seios de cartão


e sinto-te prisioneira das amarras vagabundas nas ruelas envergonhadas


salivas-me e deixo de ouvir os teus brincos telintarem nas lâminas dos veados negros


uivam os lobos do teu orgasmo


entre geadas e plumas num bar desgovernado quando me salivas as palavras prometidas então...


a púmice enrola-se nos sabres de luz teu corpo de orvalho


a alvorada estrelar das amêndoas com chocolate derretem-se nos teus lábios que me salivam as vozes íngremes desvairadas que o Inverno inventa nas lareiras do orgulho


tenho medo de ti


como sempre o tive quando vinham na minha direcção os eléctricos e as marés de sémen dos homens apátridas que a tempestade recriou no cenário da vaidade


sinto-lhes o cheiro a vodka quando atracam nos meus ombros sombreados


e pareço um transeunte mendigo de fotografia na lapela


um doente mental diplomado


descendo e subindo


escadas corpos medos


e salivas-me como se eu fosse uma rosa encarnada a envelhecer numa jarra falseada...


 


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 30 de Novembro de 2013



30.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


a alegria doirada das gaiolas de silício


permaneço intacto dentro deste amargo cubículo


invento amores como a tempestade desenha ventos nas paredes do silêncio


e espera-me o sacrifício da solidão


entre quatro velhas paredes caquécticas


reumáticas


envelhecidas meninas


como serpentes diabólicas nas algibeiras da madrugada


sou teu cumplicie


sou teu... amante desembargado dos tristes alicerces nocturnos em meandros pronomes...


sou um texto sem alma sem coração sem palavras lindas como teus lábios malignos dos solstícios envergonhados


 


sou uma palavra não escrita


sou um buraco negro esquecido no frio Universo


um buraco de minhoca


um homem sem versos


 


sou uma paixão envergonhada


alvorada como a alegria doirada das gaiolas de silício


um cordel voando sobre os telhados do desejo


um papagaio entranhado nos teus seios...


a alegria perde-se nas profundezas ranhuras do púbis em delírio...


sou uma paixão


um livro sem palavras


um homem sem versos


reumáticas


envelhecidas meninas


como serpentes diabólicas nas algibeiras da madrugada


sou teu cumplicie


 


não sou nada.


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 30 de Novembro de 2013



29.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


deixarei de pertencer aos teus olhos


e vagamente... deixarei nas tuas nuvens de algodão o cigarro fantasma


deixarei de adormecer nos teus cabelos como o fazia antes das madrugadas serpenteadas


nas oito esquinas do medo


ouvirei perfeitamente as tuas mágoas...


terei o leve cuidado de acariciar os teus lábios


e


deixarei de voar nas tuas lágrimas de maré embriagada


e vagamente transformar-me-ei na cinza do teu imaginário cinzeiro


haverá uma janela engomada


com cortinados de fumo


e haverá... uma língua endiabrada pernoitando no meu angustiado peito


 


servirei de teu mordomo devidamente fardado


andarei pelos corredores da tua imaginação levitando sem tocar nos objectos de adorno


sentirás dentro de ti o meu vagabundo corpo


e nada conseguirás fazer para cessarem os teus sinceros gemidos


baterá o vento levemente nas ardósias dos tentáculos pinheiros de Carvalhais


ouviremos o sino engasgado nas sílabas das searas de milho


deitar-te-ás dentro do espigueiro...


e o teu ventre correrá em círculos na eira granítica do desassossego


amar-te-ei?


mesmo sabendo tu que sou um espantalho de aldeia


onde poisam os pássaros


e cagam os pássaros... sobre mim


 


sobre nós


deixarei os livros cansados das minhas mãos


dos meus olhos


às palavras... às palavras vou derramar-lhes o fogo do silêncio


embrulhado em pergaminhos sonos


e verei transversalmente o meu esqueleto no patamar da morte


ouvirei os teus casmurros beijos


como sentirei em mim os teus deleitados dedos


sujos


imundos...


transbordando sémen como caravelas esquecidas no Oceano dos vidros solitários...


e acabarei por pertencer aos ramos caducos do Outono


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013



28.11.13

Aquele beijo que ficou esquecido sobre a mesa-de-cabeceira, aquele sorriso impregnado na vidraça estilhaçada da janela com fotografia para o quelho, aquele abraço perdido dentro dos cobertores da inocência, aquele beijo, aqueles teus lábios em pétalas que o desejo sobejou das tardes perdidas, aqueles livros poeirentos abandonados na estante do corredor, aquele teu alicerçado seio sobre a minha solidão, claro... imortal na cama em tardes de neblina, imortal no jardim dos clandestinos Domingos...


Sábados à tarde,


Sexta-feira à noite,


Aquele beijo, aquela melodia adormecida sobre os abajures da melancolia, aquele dia com palavras de luar, aquela madrugada com talheres em prata, e corpos, corpos de nata...


E ouvíamos o beijo esquecido das gaivotas em cio, e ouvíamos os tristes carris da liberdade mergulharem nas montanhas de papel como lagartas e outros bichos, coitados


Procurando,


Coitados...


Caminhando..., o beijo esquecido das gaivotas em cio, procurando as cinzas do casebre abandonado depois de partirem todas as árvores do destino que acompanhavam as alegres palavras comedidas pelas mãos de giz... aquele divã onde te deitavas, e eu, eu sobre ti entranhava-me nos teus gemidos invisíveis dos xistos borboletas em voos de andorinha, coitados...


De nós...


Deles...


O beijo esquecido das gaivotas em cio, o barco apodrecido no cais que alguém pintou nas paredes do velho bar de marujo embriagado, dizes-me que não, e eu, eu sinto-me dentro de ti como se eu fosse o teu feto indesejado, aquele que não queres, nunca quiseste... a gaivota dilacerada nas velhas nuvens de oiro... imortal no jardim dos clandestinos


Domingos...


Sábados à tarde,


Sexta-feira à noite,





(….........)


@Francisco Luís Fontinha - Alijó


28.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


serei o velho relojoeiro com olhos de carvoeiro


aquele que deambula pela cidade


de pêndulo suspenso na alvorada


dá-lhe corda


fá-lo correr quando se ouve a maré dos silvados xistosos nas encostas íngremes do Douro...


há um leve apito de um novo marinheiro


o cachimbo geosmina como serpentinas voando sobre os candeeiros da saudade


o velho relojoeiro engata uma nova carvoeira


decidem os dois romperem os lençóis do desejo quando os segundos ficam suspensos nas ardósias tardes de literatura


há uma cama estonteante com tonturas e pequenos enjoos...


coisa de loucos


 


drogas dizem logo os transeuntes da rua dos abismos...


cansaço... sussurra o Psiquiatra Manel...


 


o homem do homem esconde-se nas ventosas térreas das searas negras


o velho relojoeiro dá a sua mão milagrosa à menina acabada de engatar


ouvem-se as sílabas castanhas borbulhando sobre uma prata de alumínio


chovem as lágrimas da menina engatada


se é a carvoeira ou a mendiga empregada da livraria... eu não o sei...


o homem chove


desculpem... os homens não chovem


choram


não choram


se fodem ou não fodem...


o silêncio sabe-o como sabe o cinzento eléctrico das noites que ejaculam migalhas de pão


sobre uma mesa... uma mesa sem vaidade


 


uma mesa sem...


sentido


pratos


húmidas abstractas colectâneas


toalhas bordadas...


comida pouca


serei o velho relojoeiro com olhos de carvoeiro


aquele que deambula pela cidade?


 


uma mesa vestida de eléctrico palmilhando medos


voando sobre a cidade das searas negras


parte de Cais do Sodré e adormece sobre a lápide encarnada do cemitério da Ajuda


não...


não AJUDA nada


pertenceres aos mosquitos de prata que brincam nos relógios de cacimbo


procurando a menina engatada pelo velho relojoeiro


carvoeiro... ejaculam


toalhas bordadas...


comida pouca


serei o velho relojoeiro com olhos de carvoeiro


aquele que deambula pela cidade?


 


- que horas tens meu querido?


 


uma mesa sem...


sentido


pratos


húmidas abstractas colectâneas


toalhas bordadas...


 


… fá-lo correr quando se ouve a maré dos silvados xistosos nas encostas íngremes do Douro...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013



28.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Conheço-te como antes pertencias aos endereços indefinidos dos mórbidos edifícios de fachada apodrecida, tinhas velas na cabeça, panos distintos bordados por donzelas meninas de dedal encarnado, vivíamos escondidos nas palavras empobrecidas dos cansaços dias, éramos felizes, e tínhamos dentro de nós as roldanas sobejantes das angustiantes vertigens dos serões de prata, vestias-te de bronzeado loiro como palavras embebidas no cinzento alvor dos antigos combatentes que as ruas desordenadas vomitavam antes de acordar a madrugada,


Sinto-te triste, infeliz,


Distantes


Ancorado aos infinitos orgasmos das planícies de areia,


(maldito cancro que te come como um vampiro ensanguentado nas sílabas tristes dos homens que choram depois do rio se esconder nos arbustos das alegres soalheiras horas de sol, havia em nós palavras impropriáveis, palavras proibidas, palavras inconfessáveis... palavras da merda que tu e eu... fazemos de conta não existirem...)


Sinto-te triste, infeliz,


Distantes


Como?


Alimentos, algerozes empobrecidos caindo dos telhados de zimbro que tu engoles antes de saíres de casa, havia neblina nos teus olhos, havia cacimbo nos teus ossos... havia


Distantes?


Os desenhos meus na tua face oculta, amargurada, como?


Percebendo que as estrelas são pedaços de papel...


Desistires?


Percebendo que o Sol é uma lanterna mágica, um cinzento vidro com olhos verdes, e cabelo castanho, vestias calões e sandálias em couro maciço, habitavas em mim como habitavam em ti os mabecos desgostosos das sanzalas de cetim que a madrugada construía...


Desgostosos?


Os desenhos meus na tua face oculta, amargurada, como?


Percebendo que as estrelas são pedaços de papel...


Que sofres e adormentas as tuas mágoas nos cacifos metálicos do recreio da escola, partia os vidros com vista para azeitona verdejantes do silêncio dos peixes, tínhamos duas vagueantes ruas com algibeira de alicerce prateado, contávamos as poucas moedas da manhã sem pudor...


E o teu corpo


E o meu corpo


Tinham manchas de bolor como as paredes do duzentos e dezasseis... como fendas e brechas, frestas... coloridas mãos que se masturbavam nos teus seios... maldito cancro que te come como um vampiro ensanguentado nas sílabas tristes dos homens que choram depois do rio se esconder nos arbustos das alegres soalheiras horas de sol, havia em nós palavras impropriáveis, palavras proibidas, palavras inconfessáveis... palavras da merda que tu e eu... fazemos de conta não existirem...


 


 


(não revisto – ficção)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013



27.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


permaneces intacta como uma imagem sedentária na mão do homem com o chapéu negro


finges sorrisos camuflados nos orgasmos flutuantes do fumo em suspense


o cigarro dilacera-se e adormece na mão do homem com o chapéu negro


e imaginas-te


em liberdade sobre a cidade em chamas que o desejo desenha no teu corpo em porcelana marginal...


sentes-te uma pomba abandonada?


uma gaivota traída por um petroleiro de fino estanho suspenso na tua varanda imaginária?


ou... serás a serpente do medo que brinca dentro do quarto onde se esconde o homem com o chapéu negro e suicida-se na corda do fumo invisível que atravessa o cortinado do sexo pelo sexo...


uma janela insemina-se e dizes-me que nas árvores do quintal do nosso antigo vizinho


lembras-te? aquele que construía sonhos com pedacinhos em papel...


habitam mangas embalsamadas.... e ouvem-se as lágrimas do esqueleto de cheiros quando regressa a chuva


 


(e daí


vêm a nós os sorrisos das cansadas madrugadas como engrenagens cinemáticas dentro de um álbum de capa dura...)


 


oiço os teu cigarros no ridículo silêncio da tempestade de cimento a que chamas de pavimento dos silêncios minguados quando mergulham em ti as sílabas dos tentáculos da dor


oiço as delícias do mar dentro da tua sandes...


sonoros corações de manteiga despendem-se do solidificado amor das tardes em amoreiras de vidro emagrecido e a paixão enaltece o significado da palavra... “despedido”


um dia serás como a morfina


curarás o meu sofrimento


e farás parte do meu cadáver de madeira enquanto a noite vaguear junto aos arrais embriagados...


suspiras


e finges... ais


e alimentas-te dos versos meus


meus... como pedras sobre a cidade fingida dos uis...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013



26.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


(sou um prisioneiro covarde


sem vontade de fugir


sem vida para viver)


 


sou um pergaminho pássaro que arde na lareira dos sonhos


um prisioneiro covarde


sem vontade


navegando sobre os carris invisíveis da cidade


invento madrugadas


invento sandes de realidade


e algibeiras vazias


sem nada


sou um prisioneiro ambulante


uma roulote desgovernada


em direcção ao mar


em direcção... ao nada


 


sou uma ponte quebrada


uma puta abandonada


 


(sou uma tenda de circo


com palhaços


eu... eu disfarçado de gaja


servindo chocolates com amendoins...)


 


sou um prisioneiro pregado às janelas do inferno


viajo de árvore em árvore


de vão em vão


de cigarro


ao cigarro


sem cigarros


subo as escadas sem corrimão


chego ao sótão


estás tu mergulhada no espelho corneando o cinzeiro de prata


desço


desço às sanzalas de lata


e não consigo derreter as amarras


 


(sou um prisioneiro covarde


sem vontade de fugir


sem vida para viver)


 


sou o alimento dos alimentos


os pólens insaturados dos guindastes que dormem no porto de Luanda


embarco


desembarco


desço


e subo ao sótão dos corneados cinzeiros de prata


abro o postigo com fotografia para a ribeira da tristeza


nua


a beleza alegria correndo como sandálias de gelatinosas geadas de vidro...


e eu fingindo amores supérfluos num cadeado de madeira


e o macaco da vizinha a comer as minhas amêndoas


e eu... eu um prisioneiro covarde sem vontade de partir...


 


chorando subtilezas e pedaços de papel celofane...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 26 de Novembro de 2013



25.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


apetece-te recortar os sobejantes pedacinhos de tecidos que a vida nos deixou


insistes e desistes


hesitas


recomeças vagueando sobre a sala de jantar com a tesoura da solidão em riste


embrulha-la cuidadosamente nas sombras inquinadas dos desenhos sem tecto


e nas paredes vãs dos teus olhos de avelã...


simples teias de aranha esperando o sopro do teu sorriso


um pequeno movimento transatlântico descai e avança contra as âncoras do desejo


sinto-te mergulhar nas clandestinas veias dos cadáveres cerâmicos da desajeitada cozinha...


apetece-te recortar-me porque imaginas-me como um pedacinho de tecido


negro


com pálpebras de cereja


 


hesitas


insistes e desistes


recomeças vagueando nas estrelas cansaços dos divãs de xisto


desces socalcos


sobes penedos envenenados com os teus lábios de sabor adocicado...


voltas a descer e hesitas


insistes e desistes


acordas cedo quando ainda dormem todos os medos que a madrugada inventa


às vezes pareces um candeeiro à minha espera


no fundo das escadas


aproveitas o vão da insónia


para recordares os beijos molhados das húmidas noites de navegação interstelar...


 


vadio sinónimo de mim quando gritas o meu nome


apetece-te recortar-me como o fizeste aos sobejantes pedacinhos de tecidos que a vida nos deixou


hesitas


insistes e desistes


gritas


gritas


gemes como ravinas infestadas de ratazanas coloridas


um pelotão de fuzilamento vem direito a nós


tu... eu...


hesitamos


gritamos


fingimos que somos filhos do mar


 


… e morremos...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013


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