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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


31.10.12

Os fios de oiro que a noite embrulha no teu cabelo


rua sincera da cidade dos sonhos


nas palavras a verdade


e nos lábios


o sorriso lunar das árvores que navegam no oceano amor,


 


há pessoas sentadas nos pedaços de pedra


que deus deixou junto ao cais


as coisas dela nos coisos dele


sofregamente o eterno açude das frestas do desejo


e no entanto a noite entranha-se na carne esponjosa dos livros em poesia,


 


ele sentia


as acácias flor das paisagens íngremes do infinito capim de vidro


com as janelas apaixonadas


nas lágrimas palavras do oceano amor


que fingem travessias de rios invisíveis,


 


os fios de oiro que a noite embrulha no teu cabelo


sílaba por sílaba


carícia em carícia


as minhas mãos em migalhas de nada


na fronteira madrugada às abelhas da cidade dos sonhos...


 


(poema não revisto)


31.10.12

Procuro nas minhas mãos de iodo


os pequeníssimos gemidos dos barcos da Ajuda


dentro dos muros invisíveis da solidão,


 


procuro


e não encontro os teus lábios de desejo


que a minha boca


pouca


às vezes um pouco louca


nas veredas janelas de pano cor de madrugada,


 


procuro nas minhas mãos de iodo


os pigmentos siderais da tua pele


onde escreverei os meus loucos poemas


em chama


a fogueira do teu púbis construído de marés longínquas


da voz cansada do luar,


 


desenharei abraços com sabor a mel


e chocolate


com laços de braços


em redor do teu pescoço submerso no meu peito...


nas minhas mãos de iodo


o teu amor vestido de noite com estrelas no loiro cabelo.


 


(poema não revisto)


30.10.12

Às areias clandestinas da tua cama


os braços de silêncio


nas doces rosas que transpiram tua dor


os cansaços diversos


amargos


doidos quando os sentidos fictícios correm nas esplanadas da fome


cansaços teus lábios ou desejo


dos gemidos tua boca,


 


Às areias clandestinas


onde dormem os beijos abraços


da tua cama amargos traços


que o tempo inventa em loiras meninas,


 


Às areias clandestinas da tua cama


o submerso pedaço de xisto enferrujado nas oliveiras apaixonadas


os barcos os barcos em sítios proibidos pelas palavras cansadas


do prazer corpo teu delírio em chama,


 


Ardente


a tua singela cama


à areia clandestina que sente


os verdes olhos do mar que ama,


 


Às areias clandestinas da tua cama


os versos meus apenas com carícias na tela teu corpo de chocolate


as coisas belas


as rosas amarelas


que do jardim do amor crescem como palavras na boca minha gente


tão feliz eu contente


com o significado inexplicável do prazer de quem não sente


o prazer de sentir as coisas belas da minha amante.


 


(poema não revisto)


30.10.12

Procuras-me nas pálpebras cinzentas húmidas da madrugada


como se eu fosse um livro de poemas


adormecido sobre a tua mesa-de-cabeceira ausente da claridade


os petroleiros atravessando o Tejo


fundeados no teu peito


a saliva púrpura das carícias invisíveis que teces nas folhas das árvores


quando gaguejas os gemidos das manhãs dos pássaros cansados


nas rosas perfume colorido,


 


Senti as magrezas ósseas das sombras


sem ti nos meus abraços de porcelana


ao longe as pedras da escrita


perpétuas nas sílabas infinitas que as coxas tuas escondem


quando a noite misturada com a lua


dorme docemente sem saber que na rua sem saída


saltitam lágrimas de choque


na borracha clandestina das gargantas dos oceanos de Belém,


 


As tuas cartas semeadas na planície das palavras


oiço a tua voz no transverso esforço do Outono


quando os socalcos imaginados por abelhas estonteantes


e em pequeníssimos voos rasantes


rasgam as nuvens cor de vinho


da tarde transfigurada no alimento desejado


das tão afamadas telas de pó de xisto e neblinas de oiro...


e cai a noite nos arcos de vidro da tristeza.


 


(poema não revisto)


29.10.12

Acreditava ela na paixão dos homens


e nas sílabas zangadas que a manhã de Outono constrói sobre o mar


acreditava ela que a cidade flutuava nas calçadas enferrujadas


que sobejavam dos pedaços de saliva


que o aço inoxidável da boca


transportava para o jardim da solidão,


 


Acreditava ela na paixão dos homens


que os espelhos dos quartos enfeitados com as luzes dos sonhos


desenhavam na lareira ardósia do silêncio


sem perceber que a paixão existe dentro das mãos de vidro


que os homens


que os homens trazem nas algibeiras de pano amarrotado,


 


o verde incenso das folhas de papel que as árvores comem na madrugada


com todos os pássaros sofrendo os cansaços do vento


da chuva sobre o pequeníssimo orgasmo das palavras


poisam na secretária de madeira


com as fotografias cadáver


da casa abandonada no centro da eira do medo,


 


acreditava ela


a noite circunflexa das amêndoas com chocolate


que os homens vivem nas janelas de papel


com as rosas púrpuras do desejo


acreditava ela


a noite sem os homens de palha com as estrelas de orvalho...


 


(poema não revisto)


 


29.10.12

Escrevia sonhos nas mandíbulas insaciáveis das palavras de prazer


ao húmus transversal que alimenta o coração esmigalhado


a estrada esconde-se na montanha do medo


e há árvores em fila de espera para comerem a refeição mínima do dia invernal,


 


Saio de casa e as sombras de tristeza


agarram-se-me aos dedos de cristal que as minhas mãos de feldspato


transportam quando acorda a manhã cansada de poesia


e papagaios de papel encarnado,


 


Escrevo-te sabendo que a tua boca


vive numa nuvem de algodão construída pelas infinitas gaivotas do Tejo


quando barcos em solidão


dormem sossegadamente no travesseiro da paixão,


 


Escrevia os sonhos


em insaciáveis mandíbulas que o coração de vidro


às palavras


tristemente adormecidas.


 


(poema não revisto)


 


28.10.12

Desenhava as espadas do inferno


nas húmidas janelas que as fotografias inventavam


na claridade poeirenta dos dias em solidão


e os corações de vidro


choravam em sílabas de sangue misturados às vezes na obscuridade


das palavras que a saudade alicerça no silêncio pequeno-almoço,


 


No peito esverdeado pela nascença de uma nova flor


abriam-se-lhe todos os espinhos da infância adormecida


no pilares de madeira que a noite come


abriam-se-lhe os poemas escondidos nas mãos de nevoeiro


que o amor escreve no cadáver da tarde dentro do rio sem barcos de papel,


 


Desenhava as espadas do inferno


como se as estrelas suspensas nos jazigos imaginários


escondessem verdadeiramente os duzentos e seis ossos de mim


pedaços de xisto mergulhados nas lágrimas


que os lábios de desejo


constroem sentados nas cadeiras de cartão


oferecidos pela loucura manhã de domingo


e nas longínquas taças de champanhe com bolinhas encarnadas


os disfarces de Marilú no poeirento espelho caquéctico da cave com grades em gemidos


e o perfume dos cigarros sem nome


em busca do sítio encantado das árvores azuis e nuvens de chocolate


que o poema esconde na garganta do boneco de palha.


 


(poema não revisto)


28.10.12

Atravesso a planície do teu olhar


com as sombras infinitas que a noite constrói


nas rochas salgadas do teu peito


do mar tua mão que dói


a saliva maré sem jeito


e a manhã se destrói


dentro das árvores imperfeitas


malignas palavras de amar


na boca da mulher as flores contrafeitas


pintadas de luar


atravesso a planície do teu olhar


e o meu coração dorme sem perceber o teorema do amor.


 


(poema não revisto)


27.10.12

O muro da paixão submerso nos alicerces das pequeníssimas gotinhas de luz


deitadas sobre a mesa-de-cabeceira


é sexta-feira e todas as coisas morrem quando acorda o dia


mergulhado na solidão aprisionada no sótão da casa,


 


Ouvem-se gritos uivos dos gemidos cansaços


dos sexos dilacerados nas nuvens de algodão


que a feiticeira rosa de sorriso encarnado


desenhou na areia fictícia que os cortinados escondem na algibeira dos sonhos,


 


O muro constrói-se de palavras e folhas de papel timbrado


com as insígnias íris do louco apaixonado pelas árvores sem soutien


descem da alvorada sifilítica as manhãs sem poesia


dos livros escondidos e proibidos pelos desejos dos relógios de pulso...


 


(poema não revisto)


27.10.12

Levaste o coração de pedra


que se escondia no meu peito de vidro


agora sou um rio sem rochas


e quando aporta a noite nos meus olhos sem luar


sinto o vento esconder-se nas cavidades invisíveis da minha boca


como se as abelhas do oceano


sorrissem às esplanadas cansadas da velhíssima rua das janelas apodrecidas de tédio


e as mini saia cor da Primavera nos livros do segundo esquerdo,


 


Às coxas do poema vêm os milímetros cúbicos de desejo


que as mãos de um louco desenham no círculo verde


sobre a porta de entrada,


 


Há flores moribundas em processo de despedimento nos jardim da saudade


o chocolate lábio ao beijo no cardápio das sílabas enfeitadas com laços de mel


e sombras de silêncios no quintal da infância


um barco rompe debaixo das mangueiras a claridade da paixão


morta a paixão


sobejando os ossos do amor


e as palavras em lápides de cartão


no meu peito de vidro.


 


(poema não revisto)

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